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ABC PALISTA

Resposta ao Jornal Estado de SP: todo apoio à ocupação no ABC!

Um dia após ter em seu quadro de opinião um general defendendo a intervenção militar, o Estado publica novo artigo de opinião com ataque a Ocupação do MTST. O Estado ao lado do que há de mais podre no Brasil

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

sexta-feira 6 de outubro| Edição do dia

Um dia após dar espaço para um general do exército brasileiro defender a intervenção militar em seu quadro de opinião, o jornal Estado de São Paulo não titubeia em publicar um novo artigo ofensivo, mas desta vez direcionado a Ocupação Povo sem Medo - SBC, a segunda maior do MTST . Sejamos francos que não é preciso muito esforço para compreender os objetivos da empreitada editorial deste influente jornal.

Em seu artigo de opinião o General Rômulo Bini Pereira detalha uma série de situações vividas política e economicamente pelo Brasil as quais nomeia como “desgraças”, podendo elas levar o país a uma situação de ingovernabilidade e desta forma havendo a necessidade de uma intervenção. Dentre estas desgraças, duas de pronto citadas são as manifestações e ocupações que vem ocorrendo. Com isto em mente, ter um novo artigo de opinião onde se aprofunda nas críticas a Ocupação de São Bernardo do Campo auxilia na construção da ideia de um país se afundando no caos como anseiam os setores mais reacionários da nossa sociedade.

A Ocupação do MTST, escancara o latente problema de habitação vivido não só nas grandes cidades, mas em todo o país. Atualmente conta com mais 6,5 mil famílias e já é considerada uma das maiores da história do movimento Sem-Teto. Para além do lado humano de entender a luta destas famílias por um lugar para morar, expressa também a luta da população pobre, “dos debaixo”, contra um dos incontestáveis pilares do capitalismo (e intocável durante a constituinte de 88): a propriedade privada. Para entender o poder explosivo dessa luta vale ressaltar alguns fatos: a ocupação ocorre em frente a planta da Scania, - multinacional com milhares de trabalhadores, na região por mais de 60 anos - na Região do ABC paulista - o berço do ascenso operário das décadas de 70 e 80, com uma tradição de luta a saltar à pele -, acontece meses após duas greves gerais, que apesar de uma traição forte das centrais sindicais (CUT, CTB, Força Sindical e cia.) ter jogado areia sobre os ânimos de luta, ainda conserva o fervor do combate às reformas no peito e nos punhos. Um movimento que pudesse inflamar novamente os trabalhadores brasileiros é o que mais assusta a elite paulista e brasileira de conjunto.

Nada mais conveniente do que utilizar um setor que tem aparecido com força midiática, como o exército e seus venenosos entusiastas, para criar uma imagem distorcida da mobilização que cresce no interior do ABC paulista e tirar de cena a possibilidade do ressurgir dos trabalhadores na disputa pela saída à crise política, relegando apenas as frações burguesas esta perspectiva.

O jornal Estado de SP busca aplicar um golpe em dois coelhos distintos para limpar terreno para os setores mais de direita, nesta polarização social: irem sem receio sobre os direitos dos trabalhadores sem luta e também de tentar minar um possível concorrente para as eleições. De qualquer forma, Guilherme Boulos, um companheiro de muitas lutas em comum, é enormemente atacado pelo Estadão hoje e tem toda nossa solidariedade, assim como é urgente medidas de solidariedade à luta dos sem-teto de São Bernardo, pois pode significar um impulso a luta dos trabalhadores, caso estes busquem ações de unificação.

foto: Ricardo Stuckert




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