Sociedade

OLIMPÍADAS

Resposta ao Editorial do Globo: otimismo com as Olimpíadas de quem vê o mundo de suas mansões

Carolina Cacau, direto do Rio de Janeiro, responde as afirmações escandalosas do Editorial do O Globo de hoje.

sexta-feira 5 de agosto| Edição do dia

Depois de muito investimento para vender a “marca” do Rio de Janeiro, a Globo escreve no dia que começa as Olimpíadas um editorial otimista. Diz que tudo correrá bem e que as Olimpíadas foram criticadas somente por um setor minoritário de apoiadores do PT. E mais, que elas farão que “o Brasil entre em nova e melhor fase”.

Do alto de seus investimentos, de seus magníficos jardins em suas suntuosas mansões no Jardim Botânico os donos da Rede Globo e seus editores podem achar que está tudo bem. Afinal ali do alto de onde estão não vem as filas nas UPAs. Pouco lhes importa que leitos de hospitais públicos foram reservados para os atletas, deixando à morte (às vezes literalmente) milhares de cariocas.

Para quem se locomove ao centro do Rio à passeio, como eles, “pode usufruir de investimentos feitos em torno do projeto dos Jogos (...) os BRTs e o simpático VLT”. Vá lá perguntar a alguém em Santa Cruz, em Campo Grande o que acha do sempre lotado BRT. Vá perguntar nos ramais da Baixada o que acham dos trens!

Não o Rio não está maravilhoso. Não, não é uma minoria que critica as Olimpíadas. E menos ainda quem o faz são os petistas, que tanto ajudaram nesse projeto. É uma minoria da população que toma as ruas, fato. São os poucos que tentaram apagar a tocha em cada cidade, em Angra, em Belford Roxo, em Duque de Caxias.

Somos alguns milhares que vamos à rua hoje, daqui a pouquinho. Mas milhões como nós estamos insatisfeitos. Pesquisas do Datafolha mostram isso. Em cada ônibus, em cada botequim se ouve isso. Lá de suas mansões ainda não se ouve nosso grito. Mas se ouvirá.

O Brasil não entrará em melhor fase. Desemprego aumenta. A saúde e a educação são precarizadas, cada dia mais. Se enganem hoje com suas comemorações e seu otimismo. Amanhã os recordaremos. O morro ainda descerá. Os trens pararão. Os ônibus pararão. Os garis invisíveis para vocês se erguerão. Nós professores e estudantes lhes daremos aula. Otimismo não temos com BRT, com sua segurança armada, com nossa suposta paz sem voz. Temos otimismo é com aqueles que como nós tomarão as ruas denunciando essa olimpíada da calamidade, e denunciando o governo golpista. O descontentamento social presente ecoa em nosso grito na rua e não em suas obras faraônicas e superfaturadas.




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