CORONAVÍRUS

Respirador barato é aprovado em testes da USP, mas Bolsonaro e Governadores negam investimento para salvar vidas

Um grupo de pesquisadores e engenheiros da Escola Politécnica da USP criou um ventilador pulmonar emergencial para ajudar no combate ao coronavírus. O aparelho pode ser fabricado em até duas horas e custa cerca de R$ 1 mil, 15 vezes menos que o respirador mais barato do mercado. O respirador foi aprovado em testes em humanos no Hospital das Clínicas e agora vai passar por testes da Anvisa. A ideia é que o equipamento supra a alta demanda de respiradores em meio a pandemia, podendo salvar vidas.

segunda-feira 27 de abril| Edição do dia

Apesar de toda capacidade que as universidades públicas têm para produzir pesquisas que nos ajudem no combate à pandemia, o investimento nessas áreas não vêm sendo uma prioridade do governo Bolsonaro nem dos governadores.

A começar pela EC do fim do mundo, que congelou investimentos na saúde e na educação por 20 anos e não foi revertida para combater a crise do coronavírus. Além disso, o Banco Central anunciou R$ 1,2 trilhões em recursos para salvar os bancos, esse valor equivale a 16,7% do PIB brasileiro.

Está cada vez mais claro que a prioridade dos governos é salvar os banqueiros e os empresários, não a população. Isso se comprova quando vemos que apenas 17,5% dos 2 mil novos leitos prometidos pelo governo foram entregues até agora. Enquanto isso, os governos estaduais têm comprado contêineres refrigerados para guardar os corpos e aberto milhares de covas para enterrar a população.

A falta de equipamentos de proteção para os profissionais da Saúde também vem sendo um problema enorme. Como Bolsonaro e os governadores esperam combater a crise se não disponibilizam EPIs e testes para os trabalhadores da Saúde? Em diversos lugares do Brasil, e do mundo, os médicos, enfermeiros e trabalhadores de hospitais têm se manifestado contra o descaso do governo em relação à proteção e aos testes. No Hospital Universitário da USP, mesma universidade em que criaram esse respirador mais barato e acessível, os profissionais da Saúde estão sendo obrigados a arriscar suas vidas porque a USP não libera os trabalhadores do grupo do risco (2 delas já internadas em estado grave por coronavírus) e pela falta de contratação e de materiais de proteção.

Bolsonaro os governadores vêm demonstrando que não têm como prioridade salvar a população. É urgente reverter a EC do teto de gastos para que o as universidades estejam a serviço de combater a pandemia. Imagine quantas pesquisas e equipamentos poderiam estar sendo produzido para salvar vidas se houvesse investimento.

Além disso, a produção das fábricas deveria ser revertida para desenvolver equipamentos para o combate à pandemia. No Brasil, plantas ociosas como a Ford em São Bernardo do Campo, que foi fechada no ano passado demitindo mais de 4 mil trabalhadores, têm total capacidade para produzir respiradores. Sob controle dos trabalhadores, as fábricas poderiam estar cumprindo um papel fundamental para salvar vidas, e não garantindo o lucro dos capitalistas, como acontece hoje.




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