Juventude

ELEIÇÕES DCE USP

Resgatar nossa história, organizar nossa luta: por um DCE democrático, combativo e aliado aos trabalhadores

Chamado da juventude Faísca-Anticapitalista e Revolucionária e do grupo de mulheres Pão e Rosas para reunião de formação de chapa para o DCE Livre da USP

segunda-feira 16 de outubro| Edição do dia

O Diretório Central dos Estudantes da USP é a principal entidade de organização dos estudantes em nossa universidade e já cumpriu um grande papel em diversos momentos da história de nosso país. Durante a ditadura militar, por exemplo, organizou milhares de estudantes para sair às ruas levantando a bandeira de “Abaixo a Ditadura” e juntamente com o DCE da Unicamp arrecadou o que equivaleria hoje a 30 mil reais para o fundo de greve dos trabalhadores da região. Ele foi um importante instrumento para organização dos estudantes nas mais diversas lutas em defesa da educação pública. Estudantes, trabalhadores e professores da USP já protagonizaram greves históricas como em 2002, que arrancou a contratação de centenas de professores, e em 2007, contra os decretos do então governador de São Paulo, José Serra.

Atualmente, o DCE encontra-se cada dia mais afastado da base dos estudantes, não sendo raro pessoas que só descobrem que ele existe nos momentos de eleições. Ano após ano, chapas construídas por organizações como Juntos, Rua, Mais, PCB, entre outras, se elegem entorno de um discurso de unidade da esquerda, mas na prática se adaptam a lógica rotineira do petismo e não organizam os estudantes para lutarem contra os ataques da reitoria e dos governos. Uma entidade com esse histórico e potencial, não pode continuar sendo desconhecida pelos estudantes. Principalmente em um momento em que todos procuram saídas para a crise, que reverbera na universidade de maneira brutal, com terceirizações de trabalhadores e professores, demissões, fechamento de creches, cortes de bolsas, de matérias e de cursos inteiros, além do “universidade sem partido” em forma de reforma curricular imposto para as licenciaturas. A gestão Zago se encerra esse ano e deixa como legado enormes ataques aos estudantes, funcionários e professores. Em breve será escolhido um novo reitor, e enquanto a universidade continuar sendo gerida por uma burocracia universitária alinhada com os interesses das grandes empresas privadas e regida sob um estatuto herdeiro da ditadura militar nada vai mudar. Para que a USP possa se tornar uma universidade aberta e a serviço de toda população pobre e oprimida precisamos nos enfrentar com toda essa estrutura de poder e tomar em nossas mãos a decisão sobre os rumos da universidade.

E para isso, não podemos ter um DCE que se furte de trazer para os estudantes grandes debates sobre os grandes temas, seja no âmbito da universidade ou da política nacional e internacional. Não estamos em uma bolha, não podemos estar: o conhecimento que é passado em nossos cursos precisa estar a serviço de toda a comunidade que sustenta a universidade, não podemos ser coniventes com a lógica de uma universidade de poucos para poucos. Resgatar esse histórico do movimento estudantil é parte fundamental de conhecer nossa própria história e nossas potencialidades. Dessa forma, nos preparamos para junto aos trabalhadores e todos aqueles setores oprimidos por essa sociedade capitalista para dar uma resposta à altura dos ataques que estão nos impondo, retomando o espírito de luta que sempre permeou o movimento estudantil.

Para construir uma alternativa consequente é preciso ter uma concepção clara do que está em jogo no cenário político hoje. O golpe institucional e a lava-jato vieram para fortalecer esse judiciário dos ricos e poderosos, totalmente alinhados com os interesses imperialistas em nosso país, abrindo caminho para aprofundar os enormes ataques contra os trabalhadores e a juventude. A esquerda que não se posicionou claramente contra o golpe, ou que ainda mantém ilusões nesse judiciário e na Lava Jato, só fortalece essa justiça nada imparcial, que tem sim um lado, e não é o dos trabalhadores.

Esse golpe não surgiu do nada. Surgiu da estratégia de conciliação de classes do petismo, que é incompatível com a organização e mobilização dos estudantes e trabalhadores, afinal para garantir seus acordões era necessário manter inerte, a maioria da população oprimida e explorada. É por isso que o petismo engessou por anos a maior entidade estudantil nacional, a UNE, onde são direção majoritária, mantendo a paralisia no movimento estudantil durante os anos do governo petista e sendo incapaz de organizar uma luta séria contra o golpe institucional e os ataques do governo golpista. Dentro da USP, eles cumprem esse mesmo papel nos Centro Acadêmicos em que são parte da gestão. Esses setores, que hoje compõem o movimento Nossa Voz, escondem que por trás do discurso de universidade popular, está na verdade a velha lógica de conciliação e acordões, que não passam de um empecilho para a organização dos estudantes. Uma chapa que tem entre seus membros setores como a UJS/PCdoB, que tiveram Rodrigo Maia como convidado de honra do seu congresso, não pode e nunca vai ser uma alternativa de fato.

Essa estratégia falida ficou nítida nesse ano. O primeiro semestre foi marcado pela entrada em cena da classe trabalhadora e pela greve geral do dia 28 de abril. Ali os trabalhadores mostraram que não concordavam com a resposta da burguesia para a crise que está sendo jogada em nossas costas. Entretanto, com medo da força dos trabalhadores, as burocracias sindicais da CUT, CTB e Força Sindical preferiram trair a greve geral do dia 30, abrindo assim o caminho para a aprovação da reforma trabalhista e a estabilização do governo Temer. O que causou uma imensa desmoralização entre os trabalhadores e jovens, fazendo refluir o movimento que fervilhava, abrindo espaço para que a burguesia avançasse em seus planos de ataques não só econômicos, mas também no âmbito ideológico como a censura da arte, a lei da “cura gay” e o avanço do “escola sem partido”, entre outros.

Não é como se os ataques da direita encontrassem respaldo na população, muito pelo contrário, são rechaçados por uma maioria dos trabalhadores e jovens. O que falta é uma saída consequente. É muito importante que isso fique claro para que não encaremos com ceticismo a luta que precisa ser travada. A onda de greves no Rio Grande do Sul e a luta do povo catalão contra a opressão do Estado Espanhol, nos mostra que a história é dinâmica e que é preciso confiar em nossas próprias forças para construir um futuro muito diferente do que querem nos impor.

Nós jovens estudantes precisamos ser parte ativa nisso. Parte dessa luta é retomarmos nossa entidade para que o DCE possa ser democrático, combativo e aliada aos trabalhadores, organizando os estudantes pela base. Não se combate a direita e o refluxo da mobilização com uma entidade engessada. A tão falada unidade da esquerda precisa ser construída em base a acordos programáticos que nos permitam ter coerência e coesão. Não uma “unidade” sem princípios, pois não há como fingir que não temos divergências, mas sim uma unidade que nos possibilite debater essas divergências e tirar essa entidade do marasmo, com ações concretas para chegarmos a muitos estudantes, como atividades políticas, sociais e culturais, festas, etc., para que possamos resgatar o melhor da tradição do movimento estudantil e colocar o conhecimento produzido dentro a universidade a serviço daqueles que a sustentam todos os dias.

Convidamos a todos os estudantes independentes e as organizações de esquerda a debaterem conosco da Faísca – Anticapitalista e Revolucionária e do grupo de mulheres Pão e Rosas, na próxima quinta-feira (19/10) às 18h na Faculdade de Educação da USP, qual DCE precisamos.




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