Internacional

CRISE MIGRATÓRIA

Resgatam 6500 imigrantes em apenas um dia no Mediterrâneo

Eles foram resgatados na segunda ao longo da costa da Líbia em 40 missões de resgate independentes. Trata-se de um dos maiores fluxos de refugiados em um só dia desde o início do ano.

terça-feira 30 de agosto| Edição do dia

Cerca de 6500 imigrantes foram resgatados ao longo da costa da Líbia em 40 missões de resgate independentes na segunda-feira, segundo a Guarda Costeira italiana, em um dos maiores fluxos de refugiados em um só dia desde o início do ano.

Os imigrantes viajam em barcos lotados e, em muitas ocasiões, muito frágeis, que são perigosamente instáveis em mar aberto. Segundo uma reportagem da agencia Reuters, trataria-se em sua maioria de imigrantes africados embarcados na costa da Líbia.

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 105000 imigrantes chegaram à Itália de barco até agora em 2016, muitos deles vindos da Líbia.

Ao mesmo tempo estima-se que 2726 homens, mulheres e crianças morreram no mesmo período tentando chegar à Europa.

A própria OIM qualificou no ano passado o Mediterrâneo como a rota “mais mortal para os imigrantes que buscam uma vida melhor”.

Uma rota de penúrias

O fechamento da chamada “rota dos Balcãs” por parte da União Europeia no início de 2016, pela qual os refugiados do Oriente Médio chegavam à Europa via Grécia e Turquia, é a principal causa das mortes de migrantes que decidem fazer a travessia cruzando o Mediterrâneo.

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Muitos deles fogem das guerras, da fome e da miséria que vivem em seus países de origem, não poucas vezes provocadas pelos próprios imperialismos tanto estadunidense como europeu. O fechamento da “rota balcânica” não fez mais do que agudizar a crise, provocando uma espécie de êxodo até a costa da Líbia para os que tem que cruzar desertos, enfrentar as redes de tráfico de pessoas ou passar por zonas onde há enfrentamentos armados.

Sua sorte não muda ao chegar na costa da Líbia, onde ficam à mercê das máfias que comandam o tráfico de pessoas, a quem devem pagar altas quantias de dinheiros para cruzar o Mediterrâneo em embarcações que são de construção precária, começam a transbordar de pessoas e, em muitos casos, acabam naufragando.

Tampouco melhoram suas perspectivas de chegar à costa italiana. O resgate por parte da marinha italiana é só a primeira parte do “operativo” e, geralmente, só sai na mídia. No entanto, ao chegar em solo europeu todos aqueles que não puderem comprovar serem “refugiados” terminarão sendo deportados. Quer dizer que todos aqueles que são considerados “imigrantes por razões econômicas”, como é o caso da maioria dos que chegam desde a África, serão expulsos do país. Aqueles que conseguem ser acolhidos podem terminas em campos de refugiados durante um tempo indeterminado, enquanto que os que tem a sorte de “conseguir um contato” no país pode terminar trabalhando em condições de semi-escravidão, quando não acabam sendo vítimas das redes de tráfico, ao mesmo tempo em que são discriminados pela crescente xenofobia que se vive no continente.

A crise dos refugiados pode se desenvolver nos próximos dias devido as condições meteorológicas que estão previstas para o resto da semana. Alguns deles conseguem chegar, enfrentando essas terríveis condições. Outros ainda são vítimas do que já está sendo chamados como “a tumba do mediterrâneo”.

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