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INDÍGENAS - BIODIVERSIDADE

Reserva Renca extinta por Temer tem índios e áreas contaminadas por mercúrio

Os dados divulgados em pesquisa do WWF Brasil e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) aponta que 81% das espécies investigadas há contaminação por mercúrio, além de índios contaminados. Os dados foram coletados no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e na Flona (Floresta Nacional) do Amapá.

sexta-feira 25 de agosto| Edição do dia

Foto da Amazônia Peruana, já devastada pela atividade mineradora / Fonte G1

A reserva em que essas áreas se encontram perdeu o seu status de Reserva Nacional, via decreto do golpista Temer que encontrou por esse meio uma forma de governar e será leiloada a estrangeiros sob o argumento de desenvolvimento sustentável. Acontece que além de toda a riqueza e biodiversidade da área, há também duas reservas indígenas, ou seja, os índios estão correndo perigo e precisam ser protegidos.

O mercúrio é um metal pesado utilizado no processo de extração de ouro e não há níveis seguros de exposição à substância. 187 peixes foram analisados coletados em 33 locais diferentes, sendo que 151 apresentaram contaminação. Cinco espécies tinham mais de 50% dos indivíduos com níveis superiores a 0,5 mg/kg, que é o limite de tolerância da OMS (Organização Mundial de Saúde), para consumo humano.

Piranha preta, trairão, pintado, cachorra e pirapucu são as cinco espécies que estavam contaminadas. Essas espécies são usualmente consumidas pelos moradores da região e estão acima do nível de presença de mercúrio indicado pela OMS. “Se começar a juntar os pontos, você vê que o cenário é bastante preocupante”, segundo Oliveira, um dos pesquisadores, os indígenas e as populações da região encontram-se com problemas de saúde pública.

Segundo Basta, outro pesquisador, “o mercúrio é um metal pesado com fácil difusão no corpo e que altera o metabolismo celular. O sistema nervoso central, principalmente, é vulnerável à substância”. A nova etapa do projeto pesquisará a saúde das populações ao redor e de duas reservas indígenas, e nessa etapa já foram encontrados indígenas contaminados.

"Se aumentar a permissividade para esse tipo de atividade [mineração] na Renca, o panorama para contaminação é de piora", afirma o cientista da WWF, segundo o qual, mesmo em áreas legais de garimpo, há altas taxas de contaminação ambiental e de problemas de saúde. Ambientalistas acreditam que o decreto de Temer aumentará a corrida pelo ouro na região o que fará com que espécies sejam prejudicadas e índios mortos, como já acontece com os yanomami devido ao garimpo, porém em outra região.

Resposta do Golpista Temer

A assessoria da Presidência da República, em nota, disse que a extinção da Renca não afeta as áreas de proteção integral presentes na região e que qualquer empreendimento futuro " terá de cumprir exigências federais rigorosas para licenciamento específico, que prevê ampla proteção socioambiental, como já mencionado no decreto".

"A Renca não é um paraíso, como querem fazer parecer, erroneamente, alguns. Hoje, [...] territórios da Renca original estão submetidos à degradação provocada pelo garimpo clandestino de ouro, que, além de espoliar as riquezas [...], destrói a natureza e polui os cursos d’água com mercúrio", continua a nota, que termina dizendo que o "compromisso do governo é com soberano desenvolvimento sustentável da Amazônia".

Não podemos permitir que os indígenas e a nossa biodiversidade sejam mortos pela ganância dos capitalistas. É necessário barrar o quanto antes os decretos de Temer, bem como as reformas que estão em curso retomando o caminho da greve geral e pautando as grandes questões do país por meio de uma Asembleia Constituinte Livre e Soberana que coloque na mesa a proteção dos indígenas de floresta, e também da proteção às nossas espécies. Nossas vidas valem mais que os lucros deles!

Fonte das Fotos: G1 e BBC




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