Política

LULA E O PT

Repudiável ameaça do general Villas Boas, pressionando pela prisão arbitrária de Lula

quarta-feira 4 de abril| Edição do dia

O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, afirmou nesta terça-feira que a instituição "julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade". A declaração foi realizada na véspera do julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), do habeas corpus do Lula.

Num verdadeiro salto de qualidade da interferência das Forças Armadas na política, Villas Bôas teve objetivo claro de pressionar a decisão pela não aceitação do habeas corpus de Lula no STF. Antes de sua manifestação no Twitter, o MPF, a Procuradora geral da República (Raquel Dodge) e outras figuras do golpismo institucional se posicionaram também pela negação do habeas corpus (por trás do discurso do "perigo da impunidade" que significaria o "aniquilamento da justiça").

Em sua conta no Twitter, Villas Bôas disse que o Exército também defende o "respeito à Constituição, à paz social e à Democracia", e que a instituição "se mantém atento às suas missões institucionais".

O general ainda destacou que, "nessa situação que vive o Brasil", é preciso questionar às instituições e ao povo quem "está pensando no bem do País" e "quem está preocupado apenas com interesses pessoais".

Alguns generais ecoaram a mensagem de Villas Bôas, entre eles o general Miotto, o general Freitas e o general Chagas, entusiastas do contrarrevolucionário golpe militar de 1964, que acaba de completar 54 anos. Mais cedo, o general de exército da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa foi mais longe, e ameaçou o STF e os brasileiros com uma possível intervenção militar caso Lula se candidate e seja eleito.

Estas virtuais ameaças, especialmente as vindas de Villas Bôas, são aberrações totalmente repudiáveis, oriundas de uma instituição cujo oficialato carrega incontáveis personalidades reacionárias, como o Exército. São mostras da decisão das Forças Armadas em interferir a serviço da continuidade do golpe institucional, pregando veladamente a prisão arbitrária de Lula sob a forma de "apelos populares", que naturalmente buscam influenciar as eleições de 2018.

Contra o autoritarismo judiciário, que afetará especialmente a classe trabalhadora e o povo pobre, somos contra a prisão de Lula e defendemos que a população tenha o direito de votar em quem quiser, inclusive em Lula se assim desejar, sem nenhuma interferência judicial.

É evidente que a política do PT em negar a luta de classes e apostar nas "instituições" significa ajoelhar-se grosseiramente às insolências do regime contra toda a classe trabalhadora e o povo pobre. Torna-se mais urgente que cada fábrica, cada local de trabalho e estudo, cada escola tenha reuniões de base e assembleias democráticas onde os trabalhadores possam assumir em suas mãos a luta contra a condenação arbitrária de Lula e pelo direito do povo decidir em quem votar, contra o atentado da extrema-direita, por justiça para Marielle e contra todos os ajustes do governo golpista, em exigência às centrais sindicais.




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