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CESARE BATTISTI

Repudiamos a prisão de Cesare Battisti executada por Bolsonaro, Salvini da Itália e Evo Morales

Rechaçamos a prisão do ativista italiano Cesare Battisti na Bolívia na noite de sábado. Ele foi enviado pelo governo de Evo Morales nessa segunda à Itália de Matteo Salvini, aliado de Bolsonaro.

segunda-feira 14 de janeiro| Edição do dia

Desde quando foi eleito, o ultra-reacionário Bolsonaro, em acordo com o ministro do Interior Matteo Salvini, líder da Liga do Norte na Itália, também de extrema-direita, declarava ser uma de suas prioridades a prisão de Battisti. O STF, que vem se mostrando totalmente servil ao governo Bolsonaro, reviu da noite para o dia uma medida democrática que havia sido tomada nos governos anteriores em relação a Battisti. A Polícia Federal realizou buscas pelo país, a mando de Temer-Bolsonaro, inclusive em sindicatos, no marco em que todos desconheciam o paradeiro de Battisti. Ele foi preso na Bolívia, com a colaboração direta do governo de Evo Morales, que rapidamente o entregou a Interpol, demonstrando seu servilismo ao governo de direita italiano e à direita mais em geral, que já havia demonstrado com a sua presença na posse de Bolsonaro, este último que ainda tentou fazer uso político da prisão, tentando trazer Battisti ao Brasil, mas fracassou no intento.

Cesare Battisti foi condenado na década de 90 pelo governo italiano sem a possibilidade de defesa, enquanto estava fora do país. E, agora, está sendo obrigado a cumprir prisão perpétua sem ter direito a provar sua inocência. Nunca foi provada sua responsabilidade nos quatro casos de assassinato pelos quais é acusado, como mostraram vários estudos sobre o caso, de respeitados setores democráticos de todo o mundo. A arbitrariedade é tamanha que dois deles teriam ocorrido praticamente no mesmo dia e horário, em duas cidades com centenas de quilômetros de distância. Grupos de direita e associações de carcereiros o ameaçaram de morte. O governo italiano é responsável pela vida de Battisti. Exigimos a liberdade imediata, o direito ao julgamento e que o governo italiano dê toda a garantia de vida a Cesare Battisti.

A campanha em solidariedade a Battisti é internacional e no Brasil foi levada à frente por um amplo espectro político, cultural e democrático, numa ampla rede de entidades políticas, sindicais, parlamentares, partidos políticos, juristas e ativistas. Após o golpe institucional no Brasil se intensificou porque Temer já havia demonstrado seu interesse em atender aos ditames da extrema direita, revendo a concessão dada em 2010 de visto permanente como asilado político, com denúncias inclusive de que se interessa por um cargo na Itália. Mas nada deteve a sanha da direita contra Battisti, que segundo informa a imprensa teria ido à Bolívia na tentativa de buscar asilo político num país supostamente governado pela esquerda, que fala em nome do “socialismo”, mas mostra novamente seu caráter. Após a prisão, uma série de setores se manifestaram repudiando, incluindo partidos como PCB, PCdoB, PSTU, PCO e diversas correntes do Partido Socialismo e Liberdade e setores do PT.

O Movimento Revolucionário de Trabalhadores apesar de todos os desacordos com a estratégia, o programa e a política de Battisti e do grupo que Battisti fazia parte, Proletários Armados pelo Comunismo, é parte desse movimento democrático de solidariedade a Battisti pelo princípio de defender qualquer lutador perseguido por um governo burguês.

Alertamos que o posicionamento de Bolsonaro, as medidas judiciais e policiais, assim como extradição de Battisti, atacam os direitos democráticos e demonstram o caráter anti-democrático e persecutório aos ativistas políticos que terá o governo Bolsonaro, ignorando o direito de asilo político consagrado pela legislação internacional, além de uma série de irregularidades apontadas por muitos juristas no país em relação ao caso.




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