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REPRESSÃO

Repressão na UFMG: estudantes agredidos e bandejão fechado mais cedo

Após vários dias de manifestações contra o aumento do preço do bandejão da universidade, a Reitoria da UFMG decidiu usar a violência para reprimir a mobilização dos estudantes. A R$5,60 o bandejão da UFMG é o mais caro do país, e a assistência estudantil é controlada por uma fundação privada, a FUMP.

terça-feira 6 de setembro| Edição do dia

Nesta segunda-feira (5) estiveram presentes dezenas de estudantes no ato em frente ao Restaurante Setorial I, convocado pela Assembleia Geral dos Estudantes da universidade. O tradicional “pulão” havia sido impedido no início pelos seguranças da Reitoria, mas com a pressão dos estudantes foram obrigados a ceder e liberar as catracas para os que quisessem passar direto e sem pagar, o que era a decisão de quase 100% dos estudantes.

Foi ao redor das 13:00, com menos estudantes organizando a manifestação e menos estudantes entrando no restaurante, que a Reitoria decidiu romper o acordo anterior sem nenhum diálogo e fechar novamente as catracas para os manifestantes. Só que dessa vez a situação ficou mais tensa e uma estudante foi agredida por um guarda, além de outro estudante levar uma cotovelada. Além do absurdo, essa foi uma medida ilegal, já que os seguranças da UFMG são proibidos de encostar a mão nos estudantes – são apenas seguranças de patrimônio.

Momento exato da primeira agressão


Este foi o segurança que fez a agressão machista contra uma estudante

Quando esses últimos 100 estudantes entraram para almoçar, a FUMP decidiu radicalizar e ordenou a todos trabalhadores do restaurante que deixassem seus postos e que não servissem ninguém, não recolhessem bandejas nem continuassem seu trabalho. E essa ordem foi dada pela própria presidente da FUMP, Sandra Maria Gualberto Braga Bianchet.

A FUMP já havia tentado acabar com a mobilização de diversas maneiras. Primeiro com uma panfletagem no momento do pulão, de um panfleto cheio de mentiras e omissões para justificar o aumento. Depois a reitoria marcou uma reunião com os estudantes e a FUMP, que ficou mudando de lugar até minutos antes de começar, onde as mesmas mentiras foram repetidas e nenhuma demanda dos estudantes escutada. E nos últimos dias a FUMP passou a enviar e-mails aos estudantes com depoimentos de ex-estudantes elogiando a fundação.

Após a agressão, o almoço foi arbitrariamente encerrado meia hora antes do final, às 13:30. Após o absurdo boicote da FUMP, que novamente quis dividir os estudantes com suas ações, os próprios estudantes não deixaram se instaurar dentro do restaurante o caos que a FUMP desejava, e assumiram parte do trabalho feito pelos trabalhadores, ficaram após o final do expediente para garantir a limpeza do restaurante, recolhimento dos pratos, copos e bandejas.

Essa era a situação logo após a FUMP ordenar aos trabalhadores deixarem seus postos de trabalho:

Os estudantes conseguiram reverter a situação, como é mostrado no vídeo abaixo. Além disso foram até a cozinha agradecer os trabalhadores do restaurante universitário pelo trabalho e denunciar como a FUMP que precariza o trabalho deles com altos ritmos de trabalho e demissões também quer precarizar a assistência dos estudantes. Quem almoçava no bandejão ficou indignado com a posição da FUMP e em sua maioria apoiaram os estudantes que seguiram na mobilização e limpeza do bandejão.

É preciso repudiar totalmente essas ações dos seguranças mandados pela Reitoria. A cada novo dia, mais estudantes se somam e apoiam a luta contra o aumento do bandejão, que acontece em meio a uma crise política nacional, em que o país acaba de passar por um golpe articulado pela direita. Com as promessas de cortes de verbas pelo governo golpista, muitos outros ataques aos direitos dos estudantes virão e é preciso avançar na mobilização desde já. A reitoria, assim como o golpista Temer, já mostraram que estão dispostos a utilizarem a repressão violenta para impedir as manifestações.

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