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PARIS

Repressão em grande escala contra os “coletes- amarelos”: 158 detidos e 50 feridos

O terceiro ato do movimento dos Coletes Amarelos foi marcado pela repressão. Mesmo que durante a manhã, os manifestantes que procuraram chegar a avenida Champs-Elysées foram impedidos. Apesar disso eles não desistiram e tentaram desfazer as barreiras das forças policiais.

segunda-feira 3 de dezembro| Edição do dia

No terceiro ato do movimento dos Coletes Amarelos, um dos pontos de protesto convidavam os coletes-amarelos a se manifestarem na avenida Champs Elysées em Paris. Na sexta-feira, o governo anunciou que deixaria liberado “generosamente” o acesso aos pedestres, uma forma de impedir de fato o acesso dos manifestantes. As condições de acesso estavam, portanto, muito restritas por meio de inspeções e controles de identificação sistemáticos da população. No entanto, na manhã de sábado (1), todos os acessos à avenida Champs-Elysées foram bloqueados pelas forças policiais! Acompanhadas de um grande aparato policial, de 4000 a 5000 forças de repressão mobilizadas somente na capital. Um questionamento ao direito à manifestação, bem como, uma nova expressão do desprezo da parte do governo em relação aos manifestantes, que exprimiram sua raiva diante da repressão e da guinada do governo.

Diante desta enésima tentativa de dissuasão - com o objetivo de evitar um novo levante de massas, como o ocorrido no último sábado - e do ataque contra o direito à manifestação, os coletes amarelos não se desmotivaram e responderam tentando de qualquer maneira ultrapassar as barreiras policiais. Assim, ocorreram enfrentamentos entre manifestantes e policiais. Estes últimos utilizaram canhões de água e gás lacrimogênio.

Vemos novamente a radicalidade dos manifestantes diante da repressão. Enquanto os CRS (“Companhia Republicana de Segurança” - força policial) caíram sobre os manifestantes com golpes de cassetetes e com o uso de gás lacrimogênio, centenas de coletes amarelos os fizeram recuar. Uma cena ilustrativa da radicalidade que mostra o movimento hoje, ao mesmo tempo que este não hesita em desafiar diretamente ao Estado e às forças policiais que buscam de alguma forma sufocar a raiva legítima ecoada pelo movimento aponta. Em meio a esta repressão os manifestantes, reunidos por várias horas na praça de “l´Étoile”, deixaram o seguinte recado para o governo – marcada no arco do triunfo: - “ Os Coletes-Amarelos triunfarão”.

Se está evidente que a maioria dos manifestantes, incluindo aqueles que estavam na Champs Elysées, reivindicavam aspectos progressistas como: “melhoria no poder de compra” que ficou como a principal reivindicação dos “coletes-amarelos”, efetivamente, como afirmou o jornal “Le Monde”, também está claro, no entanto, que as franjas organizadas da extrema direita também estavam presentes. Além disso, estas últimas não hesitaram em se apropriarem desta vitória simbólica dos “coletes-amarelos”.

Twiiter Marine Le Pen Pen:

Tradução: “Bravo aos coletes-amarelos que fizeram uma barreira de proteção com seus corpos cantando o hino nacional da França (“A Marselhesa”) para proteger a chama do soldado desconhecido contra os baderneiros. Vocês são o povo da França de pé contra a escória”.

Muitos feridos

Foram contabilizados mais de 50 feridos do lado dos manifestantes. Um jornalista publicou uma foto na qual ela explicava ter sido ferida por um “tiro prolongado da polícia” de gás lacrimogênio. Ele estava neste sábado no hospital Bichat, na entrada de Saint-Ouen. O número de detidos foi igualmente numeroso. Apenas até o meio do dia, estes estavam em mais de 150 detidos para interrogações em Paris, segundo Edouard Phillippe. Para justificar tamanha repressão, o governo, por meio de seu secretário de Estado e ministro do Interior, Laurent Nunez, joga mais uma vez com a carta dos chamados “casseurs” (baderneiros). Muitas consignas apontam justamente que os primeiros baderneiros são o Estado.

Traduzido de Revolution Permanente.




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