Política

ELEIÇÕES 2018

Representantes de 32% do PIB industrial apoiam Bolsonaro para seguir plano de ajustes

Presente na reunião de industriais com Jair Bolsonaro, o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, diz que o apoio manifestado nesta segunda-feira, 22, por seis setores da indústria ao candidato do PSL se deve à afinidade dos empresários com a agenda do presidenciável, que será aplicar os ataques e tirar os direitos dos trabalhadores.

segunda-feira 22 de outubro| Edição do dia

Em reunião realizada nesta segunda (22), entre representantes de seis setores da indústria com o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL). O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, diz que o apoio manifestado pelos industriais ao candidato reacionário, se deve à afinidade dos empresários com a agenda do presidenciável. Que essa agenda será atacar os direitos dos trabalhadores.

Segundo Castro, embora procurem manter uma posição apartidária em períodos de eleição, as entidades, dessa vez, resolveram se antecipar ao resultado das urnas para adiantar o debate com o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto.

"Os setores estão se sentindo asfixiados. A indústria está sumindo pouco a pouco", afirma Castro. "Evitamos nos posicionar politicamente, mas, em termos de programa, o do Bolsonaro se aproxima mais dos interesses dos empresários", acrescenta o presidente da AEB, que abriga empresas exportadoras e importadoras. Realizado na residência do presidenciável no Rio de Janeiro, a reunião foi agendada com o deputado Onyx Lorenzoni, cotado para assumir a Casa Civil caso Bolsonaro seja eleito no domingo. Reuniu presidentes de entidades setoriais que representam 32% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria.

No encontro, o candidato recebeu um manifesto de apoio assinado pelas associações. No documento, elas dizem ter "convicção" de que Bolsonaro conseguirá recolocar o Brasil na rota do crescimento econômico. Os executivos não entraram em detalhes dessa agenda. Caso a eleição de Bolsonaro seja confirmada no domingo, a ideia do grupo é marcar uma reunião com Paulo Guedes, o economista ultraliberal de Bolsonaro, para entrar nas questões mais técnicas das propostas.

Isso deixa mais explícito o imenso apoio de diversos setores do mercado, interessado no programa de governo ultra-neoliberal de Bolsonaro, que deseja aplicar um conjunto de ataques contra a classe trabalhadora. Seu vice, General Mourão, declarou que quer acabar com o 13º salário e que a reforma da previdência será o carro-chefe de um possível governo de Bolsonaro. O plano de governo de Bolsonaro, assim como dezenas de declarações realizadas pelo presidenciável antes mesmo do início das eleições, mostram que Bolsonaro não tem nada de "anti-sistema" como costuma declarar: está de braço dado com os capitalistas, preparando uma agenda de ataques ainda mais duros do que o golpe e Michel Temer foram capazes de implementar.

Bolsonaro e seu programa ultra neoliberal, de ataques profundos aos trabalhadores, mulheres, negros e LGBTs precisa ser duramente enfrentado e para isso é preciso construir comitês de base em cada local de trabalho e estudo, capazes de organizar a classe trabalhadora e a juventude para combater Bolsonaro não somente nas urnas, mas também nas ruas.




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