Política

REPRESSÃO POLICIAL

Repórter tem celular quebrado por PM e é intimidado na delegacia a não realizar o BO

Na manifestação que ocorreu no último domingo, 14, um repórter do UOL abordou PMs sobre a presença de manifestantes com camisetas de banda de inspiração neonazista, e foi empurrado levando seu celular ao chão, quebrando o aparelho. Ao encaminhar a denúncia à delegacia da Polícia Civil, foi intimidada pelos policiais a não realizar a denúncia.

terça-feira 16 de junho| Edição do dia

Foto: De óculos, o PM sem identificação que empurrou o repórter (Luis Adorno/UOL)

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, o repórter estava colhendo depoimentos da manifestação anti-fascista que ocorria na Avenida Paulista quando avistou três jovens com camisetas com suásticas que aparentavam ser de algum grupo nazista xingando os manifestantes. A reportagem apurou que se tratava da camiseta de uma banda de Black Metal cujo líder norueguês é ligado a um movimento neonazista, que usa suásticas nas suas camisetas.

O PM, ao ser abordado pela repórter, defendeu a presença desses jovens alegando ser “liberdade de expressão” e que vivemos em uma “democracia livre”. Enquanto gravava a cena dos PMs, que queriam levar os jovens e manistantes anti-fascistas para a delegacia, recebeu um empurrão nas costas por um policial que levou seu celular ao chão, quebrando o aparelho.

Enquanto comunicava a redação local sobre o ocorrido, o repórter alega ter ouvido xingamentos e intimidações para o PM. Orientada pela OAB a fazer uma denuncia na delegacia da polícia civil, se dirigiu ao local, onde novamente recebeu uma série de intimidações. Na DP, encontrou o policial que o empurrou, que teve apoio de outros policiais civis que acusavam o repórter do UOL de calúnia, pois a camiseta dos jovens era de uma banda e não de um grupo nazista e que ele estaria envolvido na ocorrência.

Um delegado de polícia interrogou o repórter de porta aberta, com outros policiais ouvindo do lado de fora, onde deu a sua versão sobre o caso. Em seguida, o PM também foi interrogado estava querendo “arranhar a sua imagem”, que foi só uma esbarrada e que o repórter se recusou a falar com ele depois, e que tinha intenções políticas com a acusação.

Orientado pela UOL de deixar o local, ao tentar se retirar foi novamente intimidado pelo PM e pelo delegado que questionavam a razão da sua saída. Novamente foi levada a sala do delegado, dessa vez acompanhado da delegada titular, onde declarou que estava sofrendo intimidação no local, e que não entregaria seus documentos para o registro da ocorrência. O delegado insistiu que o fizesse. Ao se recusar, o delegado disse que o BO seria então registrado sem a versão do repórter.

Rechaçamos o ocorrido e denunciamos o caráter completamente autoritário e intimidatório por parte tanto da PM quanto da delegacia de Polícia Civil. Nos solidarizamos com o repórter, cujo caso mostra que essa instituição, seja ela civil ou militar, está de prontidão para negar qualquer direito democrático até mesmo da imprensa, inclusive afirmando que defende “liberdade de expressão”.

No Brasil e no mundo, arranca a vida e o futuro de inúmeros jovens negros, desde George Floyd nos EUA, João Pedro no Rio de Janeiro ou Geovane Gabriel no Rio Grande do Norte. Seja sob o governo imperialista norte-americano, do arqui-reacionário Witzel no RJ, ou mesmo no governo petista de Fátima Bezerra no RN. E como vemos na repressão às manifestações nos EUA, mostram que usam de toda a força possível para conter a fúria anti-racista, prendendo e assassinando novos manifestantes.

São uma instituição a serviço de proteger os interesses dos donos do mundo, reprimindo e assassinando a população negra porque é a que mais sofre com a exploração capitalista, e como mostram nessa pandemia, tem um potencial explosivo que ameaça a “ordem” dos regimes burgueses, herdeiros da escravidão nos EUA e no Brasil.

É para reprimir greves, manifestações e todo tipo de método de luta dos trabalhadores, incorporando proto-fascistas nas suas organizações, simpatizantes com as ideias bolsonaristas. A forma da enorme maioria de trabalhadores, junto ao povo negro, LGBT, que são vítimas desse aparato repressivo, terá que se enfrentar até as últimas consequências com essa instituição, pois ela não pode ser reformada, deve ser abolida junto com esse sistema.

Por isso nós do Esquerda Diário chamamos que todos batalhem conosco nos atos anti-fascistas, exigindo que as centrais sindicais convoquem seus trabalhadores a se organizarem contra esse governo, a partir de responder à reforma trabalhista da MP da Morte, lado a lado com os entregadores de aplicativo, para impor pela luta um Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, rumo a uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Dentre todos os debates sobre organização da vida no país, essa assembleia deve apontar o caminho para o fim de todas as polícias a partir do fortalecimento da auto-organização em cada local de trabalho, nos bairros, para dar à população os meios de se defender contra a sua repressão.




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