Economia

CRISE | RENDA DOS BRASILEIROS

Rendas que mais caem com crise são de jovens, negros e analfabetos

sexta-feira 9 de agosto| Edição do dia

A renda média do brasileiro caiu 2,4% de 2014 a 2018, porém entre os analfabetos a queda foi muito mais brusca: 23,2%, ou seja, perderam quase um quarto da renda no período. Esses dados são baseados no levantamento do economista Marcelo Neri, da FGV Social, com base na Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os jovens entre 20 a 24 anos vem logo em seguida no ranking de piora de vida, com uma queda de 17,6% em seus rendimentos. Entre os negros e nordestinos, a renda caiu 7,4%, e entre os que moram no norte a retração foi de 11,8%.

A retração na renda de setores como analfabetos, jovens, negros e nordestinos, demonstra quem está pagando pela crise. O desemprego entre a juventude chega a 30%, e a Lei de Terceirização Irrestrita e a Reforma Trabalhista nos reserva postos de trabalho cada vez mais precários. Os resultados já aparecem, com casos de jovens literalmente morrendo em seus postos de trabalho, como Thiago Dias, entregador da Rappi que morreu enquanto fazia entregas.

Esses dados demonstram a falácia do governo em dizer que a aprovação de ataques como esses, tendo como carro-chefe a Reforma da Previdência, é o que trará uma melhora de vida. O que vemos são ataques cada vez mais profundos sendo descarregados nas costas dos trabalhadores, estudantes, negros, LGBTs e indígenas, em nome de manter o lucro dos empresários, banqueiros, e pagar a fraudulenta dívida pública.

Como demonstra a GloboNews em reportagem, a renda per capita do país deve ficar estagnada este ano, com estimativa de voltar ao patamar pré-crise apenas em 2026.

Diante do nível de ataques e avanço do autoritarismo do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, que agora se sente ainda mais fortalecido após a aprovação da Reforma da Previdência em segundo turno na Câmara, é preciso fazer um balanço de como chegamos até aqui, buscando entender como tantos ataques já passaram, e outros estão em curso, sendo que uma grande parte da população rechaça a política econômica e de opressão do governo, como os estudantes, que no dia 15 de maio protagonizaram a maior manifestação de oposição ao governo, com mais de 1 milhão de estudantes e trabalhadores nas ruas, com atos em mais de 200 cidades, e que agora se encontram acometidos com o Projeto Future-se.

As burocracias que hoje se encontram nas direções das entidades que deveriam servir para organizar a luta dos estudantes e trabalhadores, como UNE (dirigida pelas juventudes do PT e PCdoB), e duas das principais centrais sindicais CUT (dirigida pelo PT), e CTB (dirigida pelo PCdoB), traem e entregam nosso futuro, separando a luta dos trabalhadores da luta dos estudantes, nos enfraquecendo, e diretamente apoiando a reformas da previdência, já que governadores do nordeste desses mesmos partidos não só apoiaram a reforma como negociam que estados e municípios também estejam na reforma, buscando manter uma melhor localização com sua base, já visando as próximas eleições.

A esquerda no Brasil precisa levantar uma estratégia que se enfrente com o lucro dos banqueiros e capitalistas, lutando verdadeiramente para que sejam eles a pagarem pela crise, defendendo o não pagamento da dívida pública, e um plano contra o desemprego que inclua a divisão de horas de trabalho entre todos os desempregados, reduzindo a jornada de trabalho sem redução de salário, que precisa ser digno. Nada mais justo se formos pensar que grandes empresas continuam lucrando como nunca antes, como, por exemplo, o Itaú, que lucrou R$25 bilhões no ano de 2018.

Por isso, somente com uma estratégia que uma a luta dos trabalhadores e dos estudantes, com todos os setores oprimidos, que defenda a independência de classe, e que não passe por nenhuma ilusão em setores do próprio governo que nos ataca, poderá estar a serviço de construir uma verdadeira luta que barre todos os ataques.




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