Política

DESIGUALDADE SALARIAL

Renda das mulheres é 42,7% menor que a dos homens, diz Pnud

Novo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) destaca a desigualdade de gênero

sexta-feira 14 de setembro| Edição do dia

Mesmo apresentando melhor desempenho na educação e com maior expectativa de vida no Brasil, a renda das mulheres é brutalmente menor que a dos homens, sendo 42,7% menor, segundo dados divulgados ontem, (13) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Ao apresentar o novo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País e do mundo, o órgão destacou a desigualdade de gênero na taxa que considera o acesso da população à educação, saúde e perspectivas econômicas.

Os dados apontam que a expectativa de vida das brasileiras é de 79,3 anos contra 72,1 anos dos homens. Na educação, a projeção de uma menina que entra no ensino em idade regular é permanecer estudando por 15,9 anos e ter uma média de estudo de 8 anos, contra, respectivamente, 14,9 e 7,7 para os meninos.

Nossos vizinhos Uruguai, Venezuela e Argentina apresentaram padrões muito mais equitativos entre homens e mulheres, mas também ainda sustentam a disparidade econômica por gênero de quase 50% entre a renda de mulheres e homens.

Outro dado que chama a atenção: o Brasil é o país da região onde há menor divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres. Estas gastam 13,3% mais do tempo em atividades não remuneradas dentro de casa com as “tarefas domésticas”.

O número ainda pode ser maior, já que no levantamento não foram contabilizadas as horas dedicadas ao cuidado dos filhos, familiares doentes e idosos, que como sabemos, também faz parte da rotina de muitas mulheres.

A disparidade também está presente na política. Hoje as mulheres ocupam 11,3% das cadeiras do Congresso Nacional, sendo este o pior resultado da América do Sul e o terceiro pior da América Latina, atrás somente de Belize (11,1%) e das Ilhas Marshall (9,1%). O país com menor IDH do mundo, Níger, tem mais mulheres com assento no Parlamento (17%) do que o Brasil.

Fica evidente o quanto o machismo serve aos ditames capitalistas, relegando à mulher as situações de exploração mais degradantes. O golpe institucional somente aprofundou os ataques às mulheres, que hoje após a degradante reforma trabalhista, estão ainda mais expostas às situações de precarização de trabalho, grávidas e mães que amamentam em situação de insalubridade e sem amparo legal algum que lhes garanta condições básicas para exercerem suas funções. Para as mulheres negras a situação é ainda pior. São as que tem menor renda e são a maioria entre os desempregados hoje no país. Além disso, as que conseguem uma colocação profissional, estão sempre nos postos de trabalho mais precários, E mesmo as mulheres negras com ensino superior recebem 43% do salário de homem.

Nesse momento de incessantes ataques às mulheres e à classe trabalhadora é fundamental que nós mulheres coloquemos toda nossa força contra os capitalistas, a burguesia e o judiciário, que cumprem cada vez mais o papel de aprofundar o golpismo para que sejamos nós, mulheres e homens trabalhadores a pagar pela crise.

É preciso construir uma verdadeira alternativa anticapitalista, que não se renda ao reformismo como fez historicamente o PT, que com sua política de conciliação de classes, escancarou as portas para que o golpismo entrasse e descarregasse a crise em nossa costas. Hoje como resposta à extrema direita e aos golpistas, é preciso levar até o final a luta contra o imperialismo. É preciso denunciar e exigir o não pagamento da dívida pública, dívida essa fraudulenta e mentirosa, que apenas serve para encher ainda mais os cofres imperialistas. É das ruas e da nossa força que virá a resposta. Que sejam , os capitalistas a pagar pela crise.




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