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Renan Calheiros, que promete aprovar as reformas neoliberais no Senado, tem o apoio do PT

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, sinalizou semana passada (24) um eventual apoio do partido à candidatura de Renan Calheiro, atribuindo ao oligarca a pretensa qualidade de “lutar por direitos”. Hoje o líder do PT no Senado, Humberto Costa, soltou nota sinalizando novamente o apoio. Enquanto isso, o favorito a vencer as eleições do Senado tem feito de tudo para aproximar-se do governo e sua agenda, em especial à proposta de reforma da previdência. Frente a Bolsonaro, o PT não faz mais dos que tentar recuperar as alianças que renderam o golpe institucional, mesmo que isso fortaleça o avanço da reforma da previdência, e prova a falência de sua estratégia de “oposição parlamentar”.

sexta-feira 1º de fevereiro| Edição do dia

Agraciados pelo provável voto secreto, os senadores do PT terão via livre para apoiar essa craca da política e do fisiologismo de Brasília, Renan Calheiros. Humberto Costa, líder da bancada petista do Senado, emitiu uma nota àimprensa sinalizando provável voto petista em Renan, em nome de uma pretensa “independência do Senado” em relação ao Executivo de Bolsonaro e Guedes.

Em nome dos compromissos com o “princípio” da proporcionalidade e das regras da “boa democracia”, Humberto Costa atesta que o PT está disposto a envolver-se mais uma vez com Renan para garantir não mais que algumas cadeiras em comissões e cargos legislativos. Em 2015 o PT já havia apoiado Renan Calheiros para a presidência do Senado. Não passa de uma decisão, portanto, que mostra como a estratégia parlamentar do PT de oposição a Bolsonaro não consegue sequer ultrapassar os limites da troca de cargos e comissões.

Com a promessa da reforma da previdência, Renan deverá submeter ainda mais o Senado aos interesses do capital financeiro.

Apesar de alguns setores do governo Bolsonaro desaprovarem Renan (como Sergio Moro que vai encontrar resistência no Senado para aprovar seu "pacote anti-corrupção"), Renan caminha no sentido de aprovar as principais medidas de ataques aos trabalhadores, como já anunciou recentemente ao se auto-declarar "mais liberal". Ou seja, de forma alguma as contradições entre Renan e Bolsonaro configuram um grande impeditivo para a aprovação das medidas mais austeras contra os trabalhadores.

Nesses marcos, o apoio do PT também a Renan é diretamente um apoio àquele que está se comprometendo a tocar os principais ataques aos trabalhadores, longe de qualquer “independência” em relação a Bolsonaro. Vale recordar os ataques aceitos por Renan Calheiros, como a aprovação do impeachment enquanto presidia a Casa em 2016. Dessa forma o PT se alia ao que há de mais podre na política e que vai cumprir a agenda neoliberal de Paulo Guedes.

Gleisi Hoffmann não só engana ao pintar um Renan Calheiros “defensor de direitos”, como mostra que o partido tem por estratégia se apoiar nesses figurões da direita coronelista, propondo aliança também com partidos da direita, vide o PSB, o PDT e até mesmo o PSDB, tão interessado na Reforma da Previdência quanto Bolsonaro.

A verdadeira essência dessa política petista se resume a uma divisão de tarefas entre seus parlamentares e os sindicatos. Os primeiros, por trás dos discursos, vão deixando as reformas de Bolsonaro passar. Quiseram se aliar aos golpistas do MDB, PP e PTB na Câmara – estes que não quiseram – e agora tentam se aliar novamente com oligarcas como Renan Calheiros no Senado, reconstituindo as mesmas alianças que conduziram ao golpe institucional. Já a burocracia sindical da CUT e da CTB (dirigida pelo PCdoB de Manuela), assim como a burocracia estudantil da UNE, atuam dividindo as fileiras dos trabalhadores e freando sua organização de combate. Dessa forma, facilitam o caminho de aprovação das reformas sem uma resistência real e apostando todas suas fichas numa estratégia eleitoral que aguarda 2022.

O PSOL, que se adapta à política do PT, deveria usar seus cargos parlamentares para impulsionar a luta extra-parlamentar e exigir das centrais um plano de luta sério. Entretanto, sua política é abrir alas a uma "frente ampla para uma Câmara independente" com o PT, e partidos burgueses como o PSB e a Rede golpista de Marina Silva (que defende ferreamente que Lula siga preso pelo autoritarismo da Lava Jato). Não se pode enfrentar os ajustes separando a atuação no parlamento do impulso à luta de classes extraparlamentar, muito menos com uma frente de partidos junto ao PT e a partidos burgueses.

A única estratégia capaz de frear o avanço da extrema direita, os ajustes do governo e em especial a reforma da previdência é a organização independente da classe trabalhadora, exigindo das centrais sindicais que acabe com a paralisia, recuperando os sindicatos das mãos dessas burocracias e traçando um plano de lutas que envolva assembleias e comitês de base para que nossa organização seja capaz de mobilizar o conjunto de nossa classe, inclusive aqueles trabalhadores mais precários que são dirigidos pelas máfias sindicais, totalmente atreladas à patronal, que compõem suas siglas junto às centrais golpistas e de direita. Essa mobilização deve construir um programa que ataque os lucros capitalistas, exigindo o não pagamento da dívida pública para que todos tenham aposentadoria, educação, saúde e tantos outros direitos que esse Estado vende ao capital internacional.




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