Teoria

LANÇAMENTO DO LIVRO

Release "Rosa Luxemburgo: pensamento e ação"

Boitempo e Edições Iskra lançam biografia de Rosa Luxemburgo, revolucionária polonesa-alemã no centenário de seu assassinato e poucos dias após o começo do mandato de extrema-direita de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente, que já declarou guerra contra a classe trabalhadora e todos os setores oprimidos.

sexta-feira 11 de janeiro| Edição do dia

Com tradução é de Nélio Schneider e Érica Ziegler, prólogo de Diana Assunção, posfácio de Isabel Loureiro e orelha de Michael Löwy esta obra é lançada no Brasil aos cem anos do assassinato de Rosa Luxemburgo. Enquanto os primeiros efeitos da eleição de Bolsonaro são sentidos, a indignação se alastra, em especial entre as jovens mulheres, ameaçadas por uma Ministra que quer determinar que cor de roupa vestir e obrigar gravidezes provenientes de estupros. Quão explosiva pode ser a junção desta revolta com o conhecimento do legado de Rosa?

“Imagino o efeito que teria, para milhares de mulheres e meninas de todo o mundo que agora se levantam como uma força imparável contra o patriarcado, saber que Rosa ainda era uma estudante secundarista quando se uniu ao movimento revolucionário clandestino na Polônia, passando a partir daí a exalar energia comunista em cada uma de suas ações e discursos, buscando atingir a todos como uma trovoada.” coloca Diana Assunção

A biografia de Rosa Luxemburgo foi escrita por Paul Fröhlich (1884-1953), seu camarada de partido e amigo, ao lado de quem travou batalhas e fundou o Partido Comunista Alemão, retrata a vida de uma mulher revolucionária que canalizou todas suas energias em defender o legado das ideias marxistas e assim, uma saída revolucionária para pôr fim à exploração e opressão do sistema capitalista. Fröhlich recorre detalhadamente a vida e obra de Rosa Luxemburgo, partindo de sua juventude na Polônia quando ainda vivia com seus pais, passando por Zurique, seu envolvimento com o marxismo polonês, assim como sua mudança para a Alemanha e as duras batalhas e prisões que se desenvolveram a partir disso, já que travou duros combates contra cada uma das traições produzidas pela Socialdemocracia Alemã, organização da qual fazia parte, em meio a ebulições da luta de classes internacional, apresentando as discussões decorrentes da Revolução Russa de 1905, das greves do começo dos anos 1910, da Primeira Guerra Mundial, da Revolução Russa de 1917 e da Revolução Alemã de 1918/1919. Rosa Luxemburgo foi uma ardente revolucionária, e assim, além de manifestações, planos estratégicos, greves e debates em círculos públicos e privados, as ideias marxistas guiavam sua atuação, já que sua existência expressava a junção justamente de seu pensamento e sua ação, assim Fröhlich também analisa algumas de suas principais obras, como A acumulação do Capital (1913), a Brochura de Junius (A crise da social-democracia) de 1916, onde se faz conhecer uma das formulações pelas quais mais é conhecida e que comprova dia após dia até hoje: "socialismo ou barbárie", a crítica (construtiva) aos bolcheviques em A Revolução Russa (1918), e os últimos escritos durante o levante spartakista de 1919. A obra de Fröhlich evidencia que Rosa Luxemburgo nunca foi anti-bolchevique.

Com Prólogo de Diana Assunção, dirigente do MRT e fundadora do Grupo de Mulheres Pão e Rosas no Brasil, buscamos demonstrar os debates que existiram entre Rosa Luxemburgo e Lênin e Leon Trotsky, dirigentes bolcheviques da Revolução Russa. Sobre estes, afirmou da prisão em Março de 1918: “Lenin, Trotsky e seus amigos foram os primeiros, os que estiveram à cabeça como exemplo para o proletariado mundial; são ainda os únicos, até agora, que podem clamar com Hutten: "‘Eu ousei!’” Suas críticas construtivas não diminuíram quão ávida defensora da Revolução Russa era, descrita por Diana Assunção como quem “terá sido a maior dirigente revolucionária mulher do último século”.

Já em 1905, Rosa Luxemburgo defendia a Revolução Russa intercambiando com Lênin e Trotsky e se forjando como uma das principais dirigentes do marxismo internacional, a partir da defesa da classe operária como sujeito histórico que deveria dirigir a revolução. Aprofundou ainda mais seu internacionalismo em 1914, quando ao lado de Karl Liebknecht batalhou contra a tremenda traição da II Internacional pela votação favorável dos créditos de guerra.

Não apenas o Stalinismo tentou apagar e falsificar a história de Rosa Luxemburgo, separando-a de Trotski, a Social Democracia Alemã foi responsável pelo seu assassinato, como hoje busca ser resgatada como uma mulher forte por fora da política e estratégia marxistas pelas quais lutou toda a vida, defendendo a verdadeira emancipação da humanidade.

Como preparação para as batalhas que já se desenham para 2019 e para os próximos anos que seguem, assim como tirar conclusões profundas dos turbulentos tempos que vivemos nos últimos anos, a biografia de Rosa Luxemburgo pode armar cada trabalhador e jovem de esquerda e inspirar, como coloca Diana Assunção:

“A obra de Paul Frölich chega ao Brasil em um ano de enorme mudança nas estruturas políticas brasileiras, com o início de um governo de extrema direita que ecoa a voz da ditadura para perseguir justamente as ideias do comunismo. Mais do que nunca, é preciso afiar as armas da crítica para servir de contraponto às ideologias que estão a serviço da perpetuação da dominação e da espoliação capitalista, buscando contribuir para a resistência e a organização da classe trabalhadora e da juventude. Por isso, Rosa Luxemburgo: pensamento e ação é um instrumento de combate contra toda forma de exploração e opressão que fortalece a luta pelas ideias revolucionárias e socialistas também no Brasil.”

É uma tarefa primordial de todos aqueles que se colocam nas trincheiras de combate contra os ataques do governo de Bolsonaro conhecer a história e obra de Rosa Luxemburgo no centenário de sua morte.

A obra estará disponível em todas as Casas Marx, em São Paulo, Santo André - SP e Rio de Janeiro - RJ, assim como em livrarias e com militantes do Movimento Revolucionário de Trabalhadores e Grupo de Mulheres Pão e Rosas. Organizaremos em breve lançamentos em todo o Brasil. Acompanhem pelo Esquerda Diário!

O primeiro lançamento será no dia 18 de Janeiro, na Casa Plana em São Paulo - SP, com Debate com Isabel Loureiro e Diana Assunção, mediação de Larissa Coutinho
Link do evento: https://www.facebook.com/events/2282017162042201/




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