Sociedade

PERSEGUIÇÃO À ATIVISTAS

Relatório registra 212 assassinatos de ativistas na América Latina em 2017

Os números representam 73,5% do total, mais de dois terços dos ativistas mortos são da América Latina segundo a ONG.

segunda-feira 22 de janeiro| Edição do dia

Imagem: La Izquierda Diario

De acordo com um relatório da ONG Front Line Defenders da Irlanda, em 2017, cerca de 212 defensores dos direitos humanos foram assassinados na América Latina, e a maioria dos crimes ocorreram na Colômbia e no Brasil, que juntos tiveram 156 vítimas, 73,5% dos registros. Esses números representam mais de dois terços dos casos mundiais registrados pela ONG.

“A violência contra os defensores dos direitos humanos se intensificou com a crise política e econômica na Venezuela, Brasil, Guatemala, Paraguai, Honduras e Argentina”, diz o relatório da Front Line Defenders.

Recentemente, na Argentina, o caso do jovem artesão Santiago Maldonado, que estava ao lado da luta do povo Mapuche tomou repercussão internacional após ser denunciado seu desaparecimento, que aconteceu em um operativo ilegal de repressão do governo.

Na Colômbia, grupos paramilitares se mobilizaram para perseguir e assassinar líderes sociais, foram registrados 105 assassinatos, 59% dos casos, por pistoleiros.

Segundo o relatório, o aumento da violência no Brasil tem ligação direta com a atuação das "forças de segurança do Estado". Existem muitos registros de mortes de ativistas dos direitos dos povos indígenas e da defesa pela terra, por policiais, como o caso dos 10 defensores da terra assassinados pela polícia no Pará.

O relatório também denúncia que junto aos assassinatos, cresceu uma onda de ultraconservadorismo em outros setores e disse “A violência [...] se estendeu a outros setores e inclui ataques em áreas urbanas, por exemplo, contra defensores dos direitos humanos que trabalham nas favelas do Rio de Janeiro e grupos LGBTI em Curitiba”.

O ultraconservadorismo também se apresenta na política brasileira, com a intensificação dos ataques as mulheres, aos negros e aos LGBT’s.

A ONG também registra que em 2017, no México, foi registrado o maior número de assassinatos de ativistas ambientais e jornalistas dos últimos anos e diz que “A aprovação em dezembro de uma nova Lei de Segurança Interna que permite a intervenção das Forças Armadas em assuntos de segurança pública é particularmente preocupante pela ambiguidade do texto, sua provável implementação arbitrária e seus possíveis efeitos negativos nos protestos sociais”.

Os dados sobre assassinatos de ativistas na América Latina mostram que:

  • Assassinatos. 212 defensores dos direitos humanos foram assassinados em 2017 na América Latina, 67,9% do total global (312), de acordo com a ONG Front Line Defenders.
  • Colômbia. É o país com o maior número de vítimas; registrava até 20 de dezembro 105 assassinatos de ativistas, de acordo com a contagem das Nações Unidas.
  • Diminuição. O número de 2017 é um pouco menor do que o de 2016, quando a organização registrou 217 crimes desse tipo na região (77,2% do número mundial, 281 assassinatos).
  • Distribuição. Em 2016, o número de assassinatos de ativistas se dividiu assim: Colômbia (85), Brasil (58), Honduras (33), México (26), Guatemala (12), El Salvador (1), Peru (1) e Venezuela (1).



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