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Banco Central aponta pior série de retração no PIB em 68 anos e estouro da meta de inflação

quinta-feira 31 de março de 2016| Edição do dia

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (31) relatório de inflação do primeiro trimestre de 2016. Segundo as projeções do relatório, que são mais otimistas que as do mercado, a inflação deste ano deve ficar entre 6,6% e 6,9%, acima do teto de 6,5%. Esta nova projeção mostra piora na expectativa da inflação em relação ao último relatório divulgado no ano passado, no qual se estimava uma inflação de 6,2% a 6,3% para este ano. A superação do teto para a inflação já havia ocorrido em 2015, quando a taxa foi de 10,67%, a maior desde 2002.

No relatório há ainda a estimativa para o ano em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, a partir dos sinais que a economia aponta. O Banco Central aponta que deve haver uma retração de 3,5% no PIB em 2016, mantendo a tendência de 2015, quanto a retração foi de 3,8%, pior resultado dos últimos 25 anos . Este recuo por dois anos seguidos no PIB não ocorre desde 1948, há 68, no início da contagem comparativa do IBGE.

Mas a análise do mercado financeiro aponta uma recessão ainda mais profunda. O Banco Central revelou pesquisa com analistas de mais de 100 bancos, o chamado relatório Focus, em que a expectativa de retração para este setor no PIB é de 3,66%, e a inflação em 7,31%.

O Banco Central anuncia que tentará conter as pressões inflacionárias com a taxa básica de juros, sinalizando tentativa em não estourar a meta. A taxa está no maior patamar em quase 10 anos, e pelo que apontam tentarão manter estável, para que o governo tente controlar o crédito e o consumo, pelo tom daria sinais de que poderia vir a abaixá-la, mas o diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, disse estar quinta em entrevista a taxa de juros não deve ser reduzida, por não haver “espaço” para isso, e que deve seguir a mesma política mantendo-a estável.

A retração do PIB, pelo relatório, está relacionada a “ajustes macroeconômicos”, e a desdobramentos de “eventos não econômicos”, como a crise política, a lava-jato, e o desastre de Mariana em Minas Gerais que afetou a produção de minério de ferro.
Ainda que o Banco Central tente apontar sinais de retomada da confiança, e ambiente favorável a retomada de atividade econômica em médio prazo, e tenha expectativas quanto a alguns setores da indústria “beneficiados por ganhos de competividade decorrentes do ajuste cambial [alta do dólar, que estimula as exportações]”, todos os setores componentes do PIB devem ter enorme retração. Não há expectativa quanto à retomada de investimentos na produção, a formação bruta de capital fixo, que é o dado que mostra a taxa de investimento, deverá cair em 13%. O próprio diretor do Banco Central Altamir Lopes teve de assumir em entrevista um “quadro bastante ruim e difícil no curto prazo”, e o “reconhecimento de que a situação é ruim”.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou também nesta quinta-feira (31) dados que apontam enorme recuo nos postos de trabalho na indústria para 2016, índice que já vinha recuando em 2015. Pela pesquisa de Indicadores Industriais da CNI houve queda no emprego de 9,4% em fevereiro deste ano em relação a fevereiro do ano passado.

Economistas e jornalistas da burguesia receberam os dados no dia de hoje apontando a relação da não retomada da economia em relação à crise política. Thaís Herédia para o G1 usou o termo “reféns” da “guerra de poder” em Brasília, e Beth Cataldo também para o G1 utilizou a entrevista com Flávio Castelo Branco, gerente da CNI, que disse que “Sem um ambiente de calma política, em que o Congresso possa se debruçar e discutir os ajustes necessários na economia brasileira, como a parte fiscal e as ações referentes à infraestrutura, não vamos ter solução”.

Estes jornalistas e economistas estão afoitos, o problema maior deles é que com a crise política não tem sido implementados os ajustes que gostariam, que pensam ser a melhor saída para economia, tais como a flexibilização das leis trabalhistas como aponta a CNI, com sede de acabar com FGTS, 13º salário, e outros direitos. Querem ajustes ainda mais radicais sobre o coro dos trabalhadores.

Para os trabalhadores, se o cenário está ruim, estes dados do Banco Central não apontam em nada para expectativa de melhora. A saída para nós é conter a sede dos capitalistas por manter seus lucros e atacar os trabalhadores formando um amplo movimento contra os ajustes, invertendo esta lógica: que os patrões paguem pela crise!




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