Mundo Operário

14J CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Relatório da Câmara não é uma "vitória", como dizem as centrais: é preciso derrubar a reforma da previdência

sexta-feira 14 de junho| Edição do dia

Essa jornada do 14J precisa ser uma demonstração de forças contundente contra a reforma da previdência, que unifique jovens e trabalhadores em atos massivos nas principais capitais do país para derrubar a reforma.

A traição de burocracias sindicais como a da UGT, que dirige a categoria de rodoviários em várias cidades do país e impediu que os motoristas paralisassem os ônibus, não deve nos fazer recuar. Em algumas capitais importantes como Curitiba e Recife os sindicatos de rodoviários, como o de São Paulo, também levantaram a greve. Mas os trabalhadores mesmo assim conseguiram paralisar os transportes nestas cidades. Em Belo Horizonte todas as 19 estações do metrô paralisaram completamente; em Recife o metrô parou também. Em Salvador, Curitiba, Londrina e Maringá os ônibus pararam, muitas das quais contra as direções sindicais que atuaram contra a paralisação. Essa disposição de luta, se enfrentando com as direções burocráticas mostram nossa força e potencial.

Paralelamente, as direções sindicais, não apenas as da Força Sindical e da UGT, mas as da CUT e da CTB (dirigidas pelo PT e o PCdoB), desenvolvem a visão de que é uma "vitória fruto da pressão sindical" o novo relatório da reforma da previdência apresentado pelo relator da comissão especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP).

A proposta apresentada pelo relator Samuel Moreira atende a proposta dos governadores do nordeste, ou seja do PT e PCdoB, para que estes apoiem publicamente o imenso ataque à previdência. Com as alterações a fortuna que será desviada das aposentadorias para entregar aos donos da dívida passaria dos R$ 1,2 trilhão planejados por Guedes e Bolsonaro pela ainda gigantesca soma de R$850 bilhões, segundo algumas estimativas.

O ataque é enorme e representa, assim como a proposta da reforma da previdência de Bolsonaro, a destruição da aposentadoria de milhões de trabalhadores. Nessa proposta, não se alteram (em relação à proposta de Bolsonaro) o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a aposentadoria rural (permanece vinculada à Constituição qualquer mudança na previdência) e elimina-se provisoriamente o debate sobre a capitalização. Também não se altera a idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos está mantida e o corte no valor das aposentadorias. A regra que impõe um confisco ao valor das aposentadorias está integralmente mantida. A regra atual garante aposentadoria no valor da média das 80% maiores contribuições, ou seja, descarta 20% de menores valores, pela nova regra impõem-se a média simples e de todas contribuições.

Como se pode considerar uma "vitória" uma tal aberração? A reforma da previdência, nessa e nas versões "desidratadas" de Paulinho da Força, da deputada Tábata Amaral do PDT, e dos governadores do PT, é brutal contra os direitos da classe trabalhadora. A única coisa que essa conduta de "cantar vitória" demonstra é que as centrais sindicais seguem negociando com o Centrão e com Rodrigo Maia o nosso futuro pelas nossas costas. O senador Paulo Paim (PT-RS) chega ao absurdo de avaliar positivamente esse novo relatório da reforma da Previdência.

Nosso objetivo não é conseguir uma reforma "alternativa". É absolutamente vergonhoso o apoio dos governadores do PT e do PCdoB à proposta de reforma da previdência federal - para que seja aplicada nos Estados que governam - junto a todos os outros governadores da direita nacional. PT e PCdoB (além do PDT) assumem para si parte essencial dos ajustes neoliberais do governo Bolsonaro.

Não admira que num dia importante como o 14J as centrais ligadas a esses partidos chamem os trabalhadores a "ficar em casa": trata-se da melhor receita para não incomodar o acordo em que chegaram com o Congresso pela proposta "alterada" da reforma da previdência. Basta! Temos de ir às ruas em atos massivos em todas as capitais do país para exigir um plano de luta até derrubar toda e qualquer reforma!

Precisamos unir a força das categorias que podem parar o país com a força da juventude em grandes atos em todas as capitais nesta tarde. É preciso dar continuidade à greve com um plano de luta que derrote a reforma da previdência e todo plano do golpismo.




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