Política

APOLOGIA À TORTURA

Relator aceita denuncia contra Bolsonaro no Conselho Ética

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quarta-feira 5 de outubro| Edição do dia

O deputado federal Odorico Monteiro (PROS-CE), relator da representação do PV contra o deputado Jair Bolsonaro, acusado de fazer ’’apologia ao crime de tortura’’ durante a sua homenagem ao Coronel Brilhante Ustra, apresentou nesta terça feira seu voto no Conselho de Ética. O relator sugere que a denúncia seja aceita e que Bolsonaro seja processado por quebra de decoro. O parecer não chegou a ser votado em razão de um pedido de vista, que adiou a decisão para semana que vem.

O deputado Monteiro concluiu que Bolsonaro ’’abusou da prerrogativa parlamentar’’ ao homenagear o coronel Brilhante Ustra no plenário, durante a votação do golpe instituiconal, no dia 17 de abril. Morto recentemente, Ustra era alvo de uma serie de acusações de tortura durante o regime militar.
Jair Bolsonaro afirmou que Ustra não foi torturador e que não está preocupado com a representação, porque a Constituição determina que os parlamentares são invioláveis por suas opinões, palavras e votos.

Todos nós sabemos que Jair Bolsonaro é um filhote da ditadura militar. Parlamentares como ele só estão no congresso, porque a lei da anistia ampla geral e irrestrita não puniu os torturadores da ditadura. Como consequência desta lei, inúmeros políticos que começaram a sua carreira na ditadura militar estão hoje ocupando cargos de importância e utilizando de privilégios.

O fato de políticos e funcionários de alto escalão da ditadura militar estarem ocupando os seus cargos até hoje, faz com que tenhamos resquícios de 64 até hoje no Brasil. O fato do Bolsonaro estar atuando como parlamentar, é uma expressão de um regime que permite que o Massacre do Carandiru aconteça, assim como as mortes da periferia pela polícia militar e grupo de extermino.

É totalmente legitimo, o sentimento de indignação de milhares de jovens e trabalhadores que se indignaram com o discurso do Bolsonaro, assim como a farsa daquela votação que comprovou que a tese do golpe institucional. Mas se depender da votação do conselho de ética, onde o que impera é os conchavos entre os deputados, mas do MPF e do Judiciário vai ser mais um caso que vai terminar em pizza.

No máximo que pode ocorrer na votação do conselho de ética, é dos deputados darem algum tipo de punição para o Bolsonaro para amenizar a imagem da câmera dos deputados depois da votação que ocorreu em abril. Mas também, existe a grande possibilidade deste deputado que apoia a ditadura militar de 64 sair impune perante do julgamento feito pelos seus colegas.

O repúdio contra o deputado Bolsonaro, precisa se transformar urgente numa luta contra este regime de ’’88’’ que foi incapaz de suprimir por completo a carniça deixada pelo os militares. Neste sentido, é preciso uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta dos trabalhadores e dos setores populares da sociedade que seja capaz de por abaixo este regime que permite que o Bolsonaro faça seus discursos em defesa da ditadura militar.




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