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BRUMADINHO

Rejeitos da lama que vazou em Brumadinho podem causar sérios problemas à saúde

A Secretária de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES–MG), alerta sobre os riscos à saúde que o contato com a lama vazada no rompimento da barragem de Brumadinho, pode causar.

quarta-feira 30 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Paulo Nascimento/ R7 Minas

A Secretária de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES–MG), alerta sobre os riscos à saúde que o contato com a lama vazada no rompimento da barragem de Brumadinho, pode causar. A lama espalhada, oriunda da queda da barragem da Mina do Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro, tem em sua composição a presença de metais pesados, que serão identificados em análises de amostras já coletadas. Tais análises servirão para melhor entender o conteúdo e a concentração dos componentes dessa lama, para assim se identificar os riscos específicos de intoxicação. Entretanto, antes mesmo da divulgação dos resultados, pode-se antecipar a presença de ferro, alumínio e manganês, metais normalmente encontrados em rejeitos desse tipo de exploração, e ainda, a possibilidade da presença de outros metais como cromo, chumbo e arsênio.

A SES-MG divulgou orientações e medidas a serem adotadas pela população, como por exemplo, para não consumir alimentos, mesmo embalados ou enlatados, que tenham tido contato com a lama; para se evitar ao máximo, o contato com a água do Rio Paraopeba; e para que se procure uma unidade de saúde com urgência, caso apresente sintomas como vômito, coceira, tontura e/ou diarreia.

A intoxicação por alta concentração de metais pesados pode causar muitos tipos de doenças. A por ferro pode causar vômitos e dores intestinas; por manganês, distúrbios neurológicos, como Mal de Parkinson; alumínio, está ligado a distúrbios como Alzheimer; por chumbo, pode causar distúrbios na visão e paralisia nas mãos; por cromo, pode resultar em úlceras, inflamação nasal e câncer de pulmão; por arsênio, pode causar câncer, de vários tipos, doenças cardiovasculares e gangrenas nos membros. Assim, vale ressaltar, que dos 5 metais pesados mais perigosos em alta concentração, dois deles podem estar presentes na lama, o chumbo e o arsênio.

A intoxicação da população e dos animais pode ser causada tanto pelo contato com a lama, como também através do consumo de alimentos ou animais que tenham tido contato, e até mesmo através da inalação da poeira que será espalhada da lama quando seca.

Além da intoxicação por metais pesados, ainda há riscos de doenças como leptospirose e a hantavirose, e o desequilíbrio ambiental das regiões atingidas também pode provocar surtos de doenças como febre amarela, dengue, zika e chikungunya.

A lama contaminada segue pelo Rio Paraopeba e deve alcançar a Usina Hidrelétrica de Três Marias no final de fevereiro. A Agência Nacional das Águas (ANA), divulgou acreditar que poderão conter a maior quantidade dos rejeitos na Usina Hidrelétrica Retiro de Baixo, que fica 29 Km antes deTrês Marias. Se não conseguirem fazer essa contenção de forma qualitativa, os rejeitos seguirão para a Usina de Três Marias, primeira usina instalada no Rio São Francisco, que passa por cinco estados brasileiros.




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