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Reitoria da Unicamp quer dobrar o preço do bandejão e atacar os trabalhadores

Recebemos na última terça-feira, 19, a notícia de um absurdo: a reitoria da UNICAMP está propondo um pacotão de ataques que será pautado na reunião do CONSU do dia 26/09. Medidas econômicas para que sejam os estudantes e trabalhadores da universidade a pagarem pela crise orçamentária.

quarta-feira 20 de setembro| Edição do dia

Na última terça-feira, recebemos a notícia de um pacote de ataques para conter gastos, proposto pela reitoria às diretorias dos Institutos, dentre os quais dobrar o preço do restaurante universitário para 4 reais e não realizar novas contratações de professores. Assim, o discurso demagógico de Knobel cai por terra.

As propostas de cortes e ataques apresentadas pela Reitoria Knobel na última terça-feira, 19, em reunião com as diretorias dos Institutos da UNICAMP deverão ser pautadas na próxima sessão do antidemocrático Conselho Universitário (CONSU) no dia 26/09.

São elas: o aumento nos valores das refeições nos Restaurantes Universitários para 4 reais, o dobro do que é pago por refeição pelos estudantes hoje; o fim da reposição automática de docentes, sendo que a não reposição poderia significar, para alguns institutos, o fim de cursos e departamentos; a redução linear de 30% em todas as gratificações não incorporadas de docentes e servidores; a supressão das gratificações para os cargos de Coordenadores de Bibliotecas; autorização para Concurso de Professor Livre-Docente somente após a indicação da disponibilidade de recurso na unidade e supressão dos pagamentos aos premiados com o Prêmio Zeferino Vaz, Reconhecimento à Dedicação ao Ensino de Graduação e Prêmio Paepe.

O que isso significa?

Recentemente, Knobel concedeu entrevista à Folha de S. Paulo, na qual destacou os eixos de sua reitoria que se inicia neste ano. Querendo ser lembrado pela “recuperação financeira” da universidade, o reitor agora deixa evidente qual projeto de universidade essa “recuperação” procura fortalecer.

Ao mesmo tempo em que deixa de conceder prêmios escandalosos e vitalícios à alta burocracia da UNICAMP, pauta de estudantes, funcionários e professores há anos, propõe um ataque histórico à permanência estudantil, dobrando o preço do bandejão, e às condições de trabalho de servidores e funcionários, junto ao processo de reorganização no quadro de funções que está em andamento, que significará o fim de vários cargos, a não contratação e a sobrecarga dos servidores já contratados. Essa é a “modernização” à qual Knobel faz referência.

Por sua vez, o restaurante universitário é uma conquista do movimento estudantil, para garantir a permanência dos estudantes na universidade, e seu valor atual (2 reais) também foi fruto de muita luta. Aumentar seu preço após a greve que travamos pela aprovação das cotas étnico-raciais é um verdadeiro ataque, que desmascara a demagogia de Knobel a favor de uma universidade da “diversidade”.

Por fim, chega a ser irônico que, enquanto o reitor articula o discurso de que é preciso “valorizar o trabalho docente” para atraí-los, defendendo salários acima do teto constitucional - o salário do Alckmin - e repensar os currículos, o reitor congela a contratação de docentes, subordinando-a aos recursos dos Institutos. Assim, Institutos que historicamente são mais afetados com os cortes, como o Instituto de Artes e as Licenciaturas, e já apresentam falta de docentes, não poderão ofertar novas disciplinas e alguns dos cursos correm o risco até mesmo de fecharem.

Em um cenário de crise nas universidade e na educação nacionalmente, cuja maior expressão é a UERJ, é mais do que urgente nos organizarmos contra esse pacote de ataques da reitoria da UNICAMP, que abre precedentes para cada vez mais precarizar a universidade e excluir os filhos da classe trabalhadora, pobres e negros, de permanecerem, abrindo cada vez mais espaço para as empresas.

Os estudantes de Ciências Sociais e História vão realizar uma assembleia com caráter de urgência que ocorrerá na quinta-feira dia 21/09 para debater o aumento do bandejão, a contratação de professores e a sobrecarga dos funcionários - e podem decidir paralisar na terça-feira. Para a próxima segunda-feira, também é fundamental organizarmos uma grande assembleia geral para que todos os Institutos possam se articular para impedir que o CONSU reacionário vote esse conjunto de ataques.




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