UNICAMP

Reitoria da Unicamp obriga estudantes pobres a fazerem aulas EaD para manter pagamento de bolsas

A reitoria da Unicamp estabeleceu ontem, 24, um novo calendário acadêmico que institui aulas à distância de forma a normalizar a situação da universidade em meio à crise do Coronavírus. Na medida, a reitoria obriga estudantes bolsistas, que necessitam de auxílio financeiro para sobreviver, a fazerem aulas EaD para continuar recebendo os pagamentos.

Faísca Unicamp

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quarta-feira 25 de março| Edição do dia

A resolução GR N°35/2020, estipula no artigo 11: § 2º - Para ser contemplado e fazer jus ao pagamento da bolsa BAS e BAEF, o estudante deverá permanecer ativo, cursando disciplinas no semestre. E essas disciplinas serão disciplinas EaD, já que a universidade está com suas aulas e atividades suspensas.

Consideramos que este tipo de resolução é uma medida totalmente meritocrática e autoritária, pois além de vir por decreto do gabinete do reitor, sem nenhuma participação de estudantes, trabalhadores e professores na decisão, ela obriga os estudantes mais pobres, que mais necessitam das bolsas, a estudarem normalmente “para fazer jus ao benefício”. Não só repudiamos que as atividades EaD estejam em curso de forma obrigatória aos alunos bolsistas, como também reivindicamos que esse tipo alternativa de estudos, não presenciais, não sejam necessários para nenhum estudante.

Estamos frente a uma grande crise sanitária mundial, não é possível que a Unicamp queira não só manter a universidade na sua normalidade à distância, mas que também ameace estudantes que muitas vezes não tem acesso à internet, computadores, meios adequados para fazerem aulas EaD a perder suas bolsas e viverem sem nenhum outro meio de sobreviver, já que o que Bolsonaro está colocando para o conjunto dos trabalhadores um futuro de fome e miséria, negando o nível da crise, querendo retirar salários para favorecer empresários e aproveitando o momento para atacar a educação, como vemos com as novas resoluções da Capes que ameaçam as bolsas.

Nós reivindicamos que a UNICAMP devia estar voltada justamente para o oposto. Que libere os trabalhadores, especialmente terceirizados, exigindo das empresas que possam ficar em casa com direitos e salários, que melhore as condições da moradia a partir da sua expansão, que aumente bolsas alimentação, de auxílio moradia, ampliação de bolsas emergenciais sem nenhuma contrapartida, pensando que há um maior gasto financeiros dos alunos mais pobres neste período, principalmente com a alimentação para aqueles que não têm acesso ao RU, ou dos estudantes que estão em situações de alta precariedade com os pais desempregados

Defendemos que a universidade coloque toda sua estrutura para atender às urgentes necessidades da população, e por isso achamos mais do que necessário os rumos da universidade sejam decididos da forma mais democrática o possível, que é justamente se pautando pela escolha dos alunos e trabalhadores de cada unidade que devem decidir que rumos tomar e não pelas decisões do gabinete do reitor. Por isso também achamos fundamental que sejam os e as profissionais da saúde, que estão na linha de frente à pandemia, a escolher as melhores maneiras e formas de lidar com a atual crise provocada no sistema de saúde, pensando em como produzir testes massivamente, aumentar número de leitos e de respiradores, exigir EPIs para cada trabalhador, e aumentar a contratação para as jornadas atuais sejam menos exaustivas e para que menor seja a exposição destes profissionais com os infectados, dando segurança ao retornar às suas casas, isso tudo feito com recursos estaduais, federais e da própria universidade que acaba de receber US$ 1 milhão do BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento para ampliar o espaço das empresas na universidade.

Este é um chamado que nós da juventude faísca fazemos aos centros acadêmicos e DCE para encabeçar uma forte campanha contra a obrigatoriedade do ensino EaD para os estudantes pobre e para que a universidade coloque sua estrutura à serviço da classe trabalhadora e da população. Chamamos todos a assinarem este abaixo-assinado como primeira medida de repudiar esse absurdo da reitoria!




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