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Reitoria da UnB usa ataque de bolsonaristas para convocar a PM para dentro do campus

sexta-feira 2 de novembro| Edição do dia

[Imagem: SeCom/UnB]
Na última terça-feira, a administração superior da Universidade de Brasília, liderada por Márcia Abrahão, lançou uma nota em defesa de um “pluralismo de ideias” abstrato e de um suposto “convívio democrático” no campus. No texto, a reitoria relata os ataques sofridos pela instituição, mas se abstém, em razão do valor ambíguo da diversidade que jura defender, de apontar que essa ofensiva tem origem na onda de movimentações reacionária que tomou conta do país em virtude da campanha do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro. Ao final, justificou a necessidade de convocar a polícia e o judiciário diante do fracassado ato pró-Bolsonaro, que ocorreu na entrada do principal do campus Darcy Ribeiro no dia 29/10, com o pretexto de “garantir a segurança de todas as pessoas que circulam pela UnB”.

Contudo, o único papel que a PM teve foi de proteger os bolsonaristas contra a massa intransigente de estudantes. Os policiais formaram um verdadeiro cordão de isolamento para que os reacionários pudessem proferir os ataques mais degradantes possíveis em paz, chegando a fechar o prédio da Faculdade de Tecnologia para que o grupo fosse embora sem ser incomodado. De fato, a realidade mostra que, segundo a reitoria, “garantir a segurança de todas as pessoas” só inclui aqueles bandos proto-fascistas que estão protagonizando uma campanha de ódio pelo Distrito Federal e que, recentemente, ameaçaram com uma arma de fogo um jovem na rua por ser “petista e viado”.

Esse tipo de posicionamento que abre espaço para a direita não é surpresa nenhuma vindo da gestão Márcia Abrahão. Afinal, foi sob essa mesma administração que ocorreu uma das maiores ondas de demissões de terceirizados na história recente da instituição; que se calou quando a universidade foi ameaçada por uma dura auditoria pelo MEC e que, por fim, sequer ousou mexer no lucro dos patrões das empresas que controlam os serviços terceirizados. Depois de tudo isso, ainda há forças políticas que insistem em dizer que se trata de uma reitoria progressista.
Diante desse cenário, só há espaço para uma única resposta: não podemos depositar nossas confianças no falso progressismo da burocracia que habita o ensino superior brasileiro. O caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções e, se os estudantes não se organizarem com independência ao lado dos trabalhadores, não será essa aparente bondade da reitoria que nos salvará.

O fracasso do ato pró-Bolsonaro foi a maior prova disso. A verdadeira força que conseguiu expulsar o grupo bolsonarista foi a dos estudantes combativos e não a do Judiciário e da polícia. É preciso que essas demonstrações de capacidade de intensa mobilização da comunidade acadêmica se tornem uma fileira permanente de autodefesa contra as ameaças à universidade da extrema-direita e se some à resistência dos trabalhadores contra o projeto ultraliberal do próximo governo.

Para isso se concretizar, a tarefa do movimento estudantil é a criação urgente de um Comitê contra Bolsonaro, que se torne um polo ativo de enfrentamento contra os atores econômicos, políticos, militares e sociais que saíram de seus bueiros definitivamente e que farão pesar contra nós a crise capitalista. A estratégia do PT de conciliação e acordos pelo alto abriu espaço para essa direita e o seu caráter eleitoreiro foi incapaz de enfrentar as arbitrariedades do Judiciário para manipular as eleições. Só uma aliança independente entre operários e estudantes poderá levar a batalha para o único terreno em que será possível triunfar: a luta de classes.




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