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Reitoria da USP propõe 0% de reajuste salarial

Amanhã, 30 de maio, o Conselho Universitário, órgão deliberativo máximo da Universidade de São Paulo, deve votar a proposta de 0% de reajuste anual dos servidores. O Cruesp, conselho de reitores das três universidades estaduais, USP, Unesp e Unicamp, propõe 0% de reajuste salarial.

segunda-feira 29 de maio| Edição do dia

A reunião entre o CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e o Fórum das Seis (que agrega as representações sindicais dos professores e funcionários das três universidades) ocorrida no dia 17 de maio resultou em impasse. Os reitores ofereceram 0% de reajuste salarial. No ano anterior o reajuste foi abaixo da inflação. Pelo segundo ano consecutivo os trabalhadores das três universidades enfrentam arrocho salarial. A defasagem salarial superior a 10%. Os vales refeição e alimentação permanecem congelados pelo 4º ano consecutivo. Na Unesp a situação é ainda pior este é o segundo ano consecutivo que os trabalhadores estão sem reajuste salarial.

Desde 2000 as universidades passaram por um crescimento de vagas em cursos de graduação e pós e novos campis, mas isso não foi seguido de aumento do repasse das verbas do ICMS que até hoje é de 9,57%. De acordo com o Fórum das Seis, o número de funcionários caiu nas três universidades e o de docentes pouco se alterou, enquanto o número de alunos quase dobrou nas três universidades. O resultado é sobrecarga de trabalho para docentes e funcionários e precarização do atendimento aos estudantes.

Além disso, o governo estadual tem descontado do total arrecadado do ICMS (que deveria ser a base de cálculo) recursos destinados à habitação e o pagamento de juros da dívida pública, e só depois calcula os 9,57% devidos às universidades. Com essa manobra, o repasse é menor que o devido. Entre os anos de 2014 a 2016 o rombo chegava à 1 bilhão de reais, dinheiro que as universidades deixaram de receber do Estado. É preciso que a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) incorpore a reivindicação do Fórum das seis e altere seus texto para “total do produto do ICMS-QPE” e aumente a alíquota do repasse do ICMS para as universidades.

Mais uma vez vemos que as reitorias da USP, Unesp e Unicamp estão alinhadas ao plano de ataques e reformas do governo estadual com Alckmin e do governo federal com Temer para que os trabalhadores e a juventude paguem pela crise que também atinge as universidades. Enquanto mantém seus privilégios e abrem as universidades públicas aos interesses privados, atacam os trabalhadores e estudantes. Bruno Gilga Rocha, representante dos funcionários no CO (Conselho Universitário) da USP, denuncia:

“Enquanto o governo Alckmin segue sem sequer repassar a verba devida às universidades pela lei, e sufoca as universidades e a educação com a falta de financiamento público, a reitoria da USP apresenta como soluções o plano de gestão privada da McKinsey, com captação de recursos privados para manter os privilégios da burocracia que dirige a universidade, e que os trabalhadores paguem pela crise, tendo nossos salários corroídos, e levando menos comida pra nossas famílias!
Não podemos aceitar! É fundamental nossa mobilização unificada, junto a estudantes, professores e trabalhadores das três universidades estaduais! Reuniões em todas as unidades, e assembleia geral de trabalhadores no dia 31/5, para decidir sobre o indicativo do Fórum das Seis de PARALISAÇÃO UNIFICADA DIA 5/6!”

Os funcionários da USP farão sua assembleia dia 31 de maio para votar o indicativo de paralisação e ato proposto pelo Fórum das Seis para o dia 05 de junho, dia da próxima reunião e negociação entre o CRUESP e o Fórum das Seis.

Por mais verbas para a educação!
OS trabalhadores e a juventude não vão pagar pela crise!




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