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Reitoria da USP corta 33% do repasse de verbas da Faculdade de Educação

sexta-feira 18 de setembro de 2015| Edição do dia

No início desta semana, foi anunciada pela reitoria da USP mais uma medida de contenção de despesas: um corte, em todas as unidades, de 20% do repasse relativo ao mês de janeiro. Como o repasse é variável mês a mês e o dinheiro em caixa mantido por cada direção também não é igual, o impacto desse corte foi sentido com diferente intensidade por cada Faculdade ou Instituto. Na Faculdade de Educação, o valor atingiu 32,8% da dotação do mês de setembro, ou seja, praticamente um terço do dinheiro com o qual a direção contava para implementar seus projetos, trabalhos de campo, viagens para congressos foi retido pelo gabinete do reitor. Até mesmo materiais de uso diário, como papel, tinta de impressão, café e papel higiênico terão de ser racionados.

Enquanto isso, por adequação a leis antigas, que previam valores incompatíveis com os custos atuais para compra direta, praticamente toda compra de material ou contrato de prestação de serviço precisa passar por uma licitação, na qual as empresas que participam são “cartas marcadas”, que não têm nenhuma obrigatoriedade de praticar valores de mercado, chegando a cobrar de duas a cinco vezes mais do que se os produtos fossem adquiridos por meios comuns.

Além da ineficiência desses trâmites burocráticos, que funcionam como um buraco negro que suga as verbas que poderiam estar sendo usadas para melhorar o ensino, ainda há todas as despesas-fantasma da reitoria, sobre as quais a prestação de contas é fantasiosa, e que na maioria dos casos que vêm à tona não servem para nada além de engordar os bolsos dos donos de fundações e de empresas de terceirização, ou para manter um status internacional grandioso aos olhos das grandes empresas.

Esses cortes acontecem ao mesmo tempo em que o jornal Folha de São Paulo divulga um ranking colocando o curso de Pedagogia da FEUSP como o melhor do país, baseando-se em critérios totalmente mercadológicos como a avaliação do mercado, e a quantidade de doutorados e mestrados. Rankings desse tipo são formas de medir a “qualidade” do ensino a partir de critérios e padrões totalmente produtivistas, que valorizam muito mais a quantidade de publicações e de citações das pesquisas produzidas na universidade do que uma avaliação sobre o ensino e a pesquisa que são produzidos.

Em depoimento para o Esquerda Diário Heitor Carneiro, Representante Discente na Congregação da FEUSP declarou que “Diante de mais esse ataque, vemos como não podemos alimentar nenhuma ilusão nas instâncias regimentais burocráticas, e como as direções de unidade apenas lamentam as perdas, mas são incapazes de mover uma palha para fazer frente à política de precarização implementada pela reitoria. Acredito que o meu papel como Representante Discente deve ser usar meu mandato a serviço da mobilização independente dos estudantes, me colocando numa posição onde tenha acesso às discussões que são feitas, podendo trazê-las para a base do meu curso, pois só assim agregaremos força suficiente para levarmos adiante a luta pela educação."

Infelizmente a atual gestão do Centro Acadêmico da Faculdade de Educação não promove o debate entre os estudantes e não se apresenta como um instrumento capaz de fomentar a auto-organização diante de tantos ataques. Para nós da Juventude às Ruas e do MRT, esse deveria ser o momento de debater com cada estudante a necessidade de nos organizarmos para barrar os cortes da reitoria e levantar uma forte luta contra as políticas de precarização e privatização do ensino público. Por isso convocamos todos os estudantes a comparecer na Assembleia dos Estudantes da Faculdade de Educação, marcada para o dia 23 de setembro, para debater entre outras coisas, como vamos nos organizar para lutar contra os cortes da reitoria e em defesa de uma educação pública e de qualidade para todos.




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