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Reitoria da UNICAMP começa o ano punindo estudantes que lutaram por cotas

A reitoria de Knobel, que tenta a todo custo se pintar de “democrática”, terminou o ano de 2018, praticamente na véspera de natal, punindo 3 alunos, que lutaram em 2016 pelas cotas raciais, com 30 dias de suspensão, sendo que estes nem sequer foram ouvidos durante todo o processo.

sexta-feira 4 de janeiro| Edição do dia

Os estudantes estão sendo punidos sumariamente, sem direito a defesa, por praticarem o legítimo direito de manifestação política durante a greve que conquistou cotas raciais na Unicamp, além de exigir o atendimento das reivindicações de permanência estudantil. Esta reitoria que hoje se utiliza da conquista dos estudantes para vestir uma falsa máscara de preocupação com a inclusão social, é a mesma que pune os que lutaram para incluir a juventude negra na universidade pública, por supostamente terem ferido artigos do estatuto universitário, constituído durante a ditadura militar, que versam sobre “algazarra” e “organização política”.

O processo que se abriu no final de 2016 foi prorrogado diversas vezes. Não foi ouvido nenhum aluno envolvido no processo, não lhes permitindo o direito de ampla defesa. A suspensão deferida pode ainda acarretar no interrompimento de bolsas essenciais para que permaneçam estudando. Como é possível julgar e deferir a punição de um processo sem ao menos ouvir os réus? A não presunção da culpa é elementar até mesmo na justiça comum, que é feita para perseguir jovens e trabalhadores. Além de atingir diretamente os estudantes acusados no processo, trata-se de uma perseguição e punição política dos que lutam em defesa do direito a educação. Ou seja, é um ataque a todo o movimento estudantil que questiona o autoritarismo da reitoria e o elitismo da universidade pública.

A reitoria de Knobel já mostrou sua verdadeira face inúmeras vezes. Dessa mesma mobilização, puniu um estudante negro obrigando-o a optar entre um ano de suspensão ou trabalhar na universidade sem remuneração! Além desse, foram vários processos movidos pela reitoria de Knobel que pune os estudantes que lutaram contra o golpe, os cortes e pelas cotas em uma das maiores greves estudantis da história da Unicamp. As medidas de censura à faixas que continham a palavra Bolsonaro, no final do ano passado, é outra prova do lado que a reitoria realmente está.

A partir do ano que vem começa a valer as cotas e o vestibular indígena na Unicamp, algo inédito para um dos bastiões do racismo, a universidades mais elitista do Brasil. E em tempos de Bolsonaro mais que nunca é preciso defender os estudantes punidos, pois significa defender também as conquistas do movimento estudantil através de seus métodos legítimos de luta. Repudiamos a perseguição política e a punição arbitrária da reitoria de Knobel. Exigimos das entidades estudantis e convocamos todos os estudantes a lutarem contra estas e qualquer punição aos que se mobilizam!




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