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Reitoria da UFRGS quer o despejo de 100 famílias na Vila Boa Esperança

No último dia 14 Porto Alegre assistiu à violenta ação da polícia de Sartori, que removeu cerca de 70 famílias da ocupação Lanceiros Negros, no centro da cidade, sem apresentar uma alternativa habitacional minimamente digna. Poucos dias depois vemos avançar mais uma ação de reintegração, agora contra os moradores da Vila Boa Esperança, movida de maneira intransigente e sem abertura alguma para o diálogo.

domingo 25 de junho| Edição do dia

A Vila Boa Esperança, localizada na Zona Leste de Porto Alegre, abriga hoje quase 100 famílias. A ocupação teve sua origem nos anos 1960, quando trabalhadores das minas de saibro, então existentes no local, fixaram lá sua residência. Ao longo dos anos a ocupação se desenvolveu, aumentando consideravelmente o número de moradores.

Nos anos 1980 a UFRGS tomou posse do terreno. A essa altura a ocupação já havia crescido bastante e, até então, a universidade jamais havia confrontado os moradores da vila. Contudo, em 2012, a instituição iniciou o processo de medição da área, cercando toda a região e pressionando seus moradores a deixá-la.

No final do ano passado a reitoria da universidade deu início ao processo de reintegração de posse sem apresentar alternativa alguma de moradia para as 100 famílias que, há mais de cinquenta anos, residem no local. Mesmo após duas reuniões com representantes da universidade, as famílias não conseguiram se fazer ouvir e o processo de reintegração segue sem que haja preocupação alguma com o futuro dos moradores.

Já não é novidade o autoritarismo do atual reitor, Rui Opperman. Opperman foi eleito de modo completamente antidemocrático, sem sequer ter a maioria dos votos da comunidade acadêmica. No ano passado avançou contra o sistema de cotas, somente retrocedendo após uma ocupação da reitoria que durou 10 dias. Durante a ocupação da UFRGS, no fim do ano passado, se recusou a receber as trabalhadoras terceirizadas que lutavam por melhores condições de trabalho e denunciavam a conivência do reitor para com as inúmeras falcatruas da empresa prestadora dos serviços.

Em meio a todo esse processo o DCE da UFRGS, dirigido pela UJS, PT e independentes ligados ao petismo, eleito no início desse ano, permanece imóvel. Após não ter construído a ida à Brasília, seguindo os movimentos das centrais que defende, vem boicotando de maneira deliberada a construção da greve geral do dia 30, sem ter chamado sequer um único debate sobre o assunto. Frente ao autoritarismo de Opperman em relação à Vila Boa Esperança, o diretório permanece conivente. Aliás, vale ressaltar que parte dos integrantes da gestão apoiou o atual reitor nas últimas eleições, o que, certamente, pode explicar parte a não construção também desta luta. Até agora, as ações do diretório central se resumem a uma tímida participação no antidemocrático conselho universitário (CONSUN), surgido na ditadura militar e organizado para que os votos dos estudantes sejam sempre minoritários.

No dia 23 deste mês, data do último CONSUN, a reitoria deu mais uma amostra de seu autoritarismo, recusando-se a receber os moradores da Vila Boa Esperança que lá estavam tentando se fazer ouvir. Opperman e sua turma se mantiveram intransigentes, sustentando a reintegração de posse. Nem mesmo o ato organizado pelos estudantes e moradores durante a realização da reunião do conselho foi capaz de fazer a burocracia da universidade retroceder. É necessário intensificar a luta contra o despejo das famílias e, sem dúvidas, o DCE pode jogar um papel importante nesse contexto. Contudo, fica o questionamento: o que esperar, no sentido de mobilização, de um diretório que se recusa, de forma deliberada, até mesmo a construir a greve geral do dia 30?




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