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Reitoria da UERJ e Santander impedem que calouros se alimentem no Bandejão

Os estudantes que não recebem a carteirinha da universidade, cujos responsáveis são o Banco Santander e a reitoria, não podem comer no Bandejão. Já são quase 4 meses de promessas, desde a volta às aulas, e as carteirinhas não chegaram e desde então estudantes estão submetidos a passar fome.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ

quarta-feira 25 de julho| Edição do dia

O Restaurante Universitário da UERJ é também reflexo da crise que a acompanha. Desde sua abertura é terceirizado, com histórica falta de repasses e fechamentos ao longo do tempo. Para realizar o pagamento das refeições é necessário o cartão disponibilizado pelo Santander, o processo de entrega dos cartões é sempre marcado por processos burocráticos, atrasos, filas e realizado em horários que não contemplam os alunos trabalhadores que estudam a noite. Depois de um longo período sem aulas, pelo descaso do governo PMDB, a reitoria da UERJ retorna as aulas conjuntamente dos ingressantes de 2017.2 e 2018.1.

Durante a entrega dos cartões no último dia 16 no horário da noite por conta da grande quantidade de estudantes na fila, a distribuição foi interrompida antes do horário previsto – 19h – sem previsão de retorno da entrega dos cartões; impedindo que estudantes ingressantes utilizem o Bandejão.

A UERJ é historicamente conhecida por ser pioneira no sistema de cotas, e também conhecida por sua grade quantidade de estudantes trabalhadores – principalmente nos cursos como serviço social e pedagogia. Para muito dos estudantes cotistas, que trabalham, fazem pesquisa e estagiam é de extrema importância o papel que o bandejão cumpre, por ser uma forma mais barata de se alimentarem e permanecem na universidade de maneira digna.

É absurdo o cartão do restaurante universitário estar nas mãos do Santander, que já há muito tempo atrasa na entrega dos cartões. Um banco que no primeiro trimestre de 2018 lucrou 2,8 Bilhões só no Brasil (Fonte), além de ser um dos principais controladores da divida pública, o principal mecanismo de saque do país hoje. Em meio a crise que nós estudantes da UERJ sofremos, com fechamento da universidade em 2017, esse banco crescia seus lucros em 35,6% (Fonte). Um enorme banco que submete o estado a seus desmandos e foi um dos principais beneficiários do golpe institucional de 2016 (os lucros que não param de crescer expressam isso), dentro da UERJ age ofensivamente para nos atacar, com a ajuda conjunta da reitoria.

A reitoria conscientemente é conivente para a lentidão do banco, que já coloca em xeque a vida universitária de vários alunos, que se veem com ainda mais dificuldades para enfrentar a vida universitária. A medida de demora para a entrega das carteirinhas representa uma perversa do Banco Santander que não está se importando que alunos possam estar passando fome, e a Reitoria, que dá uma nova demonstração de um velho fato, que suas prioridades são as grandes empresas, e não os estudantes.

A reitoria ainda soltou uma absurda nota, retirando sua evidente responsabilidade pela absurda demora e prometendo as carteirinhas para daqui a um mês, mas sem garantia nenhuma de que serão de fato entregues:

Apesar da UERJ ser uma das mais populares universidades ela permanece servindo ao domínio da classe dominante. Os estudantes estarem sendo impedidas de comer é mais um sintoma dessa submissão que se materializa com o interesse das grandes empresas que vão e pinçam todo o conhecimento que é produzido unicamente para a reprodução de seus lucros, ao invés de servir para a população.

Por isso lutamos por um Bandejão que não seja terceirizado, que seja parte da universidade, onde os funcionários sejam efetivados como funcionários públicos. Exigimos que se acabe a gestão de carteirinhas por parte do Santander, e que seja a própria UERJ que providencie isso para os alunos e que, imediatamente, entre em vigor uma carteirinha provisória, ou uma autorização para que os alunos sem carteirinha possam entrar no Bandejão. Nós, membros da gestão do Centro Acadêmico de Serviço Social (CASS), nos comprometemos a levar a frente essa luta, e mobilizar os estudantes para dar uma basta a fome de estudantes por uma ação conjunta da reitoria com o Banco Santander. Não podemos aceitar que seja um banco privado que determine se os estudantes de uma universidade pública irão se alimentar.




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