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CRISE DO BREXIT

Reino Unido - Theresa May anuncia sua renúncia em meio à crise do Brexit

A primeira ministra do Reino Unido, Theresa May, anunciou nesta sexta sua renúncia a partir do dia 7 de junho. A crise do Brexit e a derrota nas eleições europeias forçaram sua saída.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

sexta-feira 24 de maio| Edição do dia

A primeira ministra do Reino Unido, Theresa May, anunciou nesta sexta sua renúncia a partir do dia 7 de junho quando começará o processo para eleger seu sucessor como líder do Partido Conservador e chefe do Governo do Reino Unido que permanecerá com as funções enquanto se escolhe o líder “tory” (como são conhecidos os conservadores por lá).

Theresa May fez pública sua decisão em uma declaração em frente a residência oficial em Londres após reunir-se com o presidente do seu grupo parlamentar, Graham Brady, para determinar seu futuro político.

A decisão chegou logo após a semana que ficou marcada pela crise do Brexit onde sua tentativa de apresentar pela quarta vez consecutiva o projeto de acordo para a saída da União Europeia foi rechaçada por grande parte dos membros de seu próprio partido e dos aliados parlamentares, e as projeções das eleições para o parlamento europeu mostravam um triunfo do partido do Brexit com derrota dos conservadores.

Em sua declaração, a primeira ministra disse que “sempre lamentará profundamente” não ter podido executar a saída do país da União Europeia, o que culminará a seu sucessor a frente do Partido Conservador e do governo de tratar de achar um consenso no Parlamento para conseguir deixa o bloco da EU.
Além disso, May informou que comunicou a rainha Elizabeth II sua decisão e que continuará como primeira ministra até que o processo de sucessão esteja completado.

“Fiz tudo o possível”, disse, para materializar o “Brexit”, depois de que os britânicos votaram a favor de sair da UE no referendum de 23 de junho de 2016.
“Logo deixarei o trabalho que para mim tem sido uma honra na minha vida servir. Segunda primeira ministra?, certamente não fui a última. Eu digo sem ressentimentos, se não com enorme gratidão por ter tido a oportunidade de servir o país que amo”, afirmou May, a segunda chefe de governo após Margaret Thatcher.

Com a renúncia de May se inicia a corrida para definir a nova liderança do partido. Negociações que já aparecem a portas fechadas durante as últimas semanas. Ainda assim, nada indica que esse processo seja simples e rápido. Existe a possibilidade de que May possa seguir sendo a primeira ministra durante várias semanas.
Assim, May estará ainda à frente do Executivo quando o presidente Trump, dos EUA, fará sua visita de Estado entre o dia 3 e 5 de junho, deixando nítida a crise que se afundou o processo do Brexit no Reino Unido. Enquanto o barco britânico permanece à deriva, May e Trump participarão, dentre outras coisas, de um banquete com a rainha e, possivelmente, uma parte dos parlamentares.

Não está descartado que Trump se reúna também com o líder europeu da extrema-direita, Nigel Farage, o que todos dão como ganhador das eleições europeias que aconteceram nesta semana. Assim anunciou o site mantido pelo ex-assessor de Trump, Steve Bannon, também atual articulador da malfadada e decrépita “Internacional” dos partidos de extrema direita.

Após o anúncio de May, o líder da oposição, Jeremy Corbyn do partido trabalhista, afirmou nesta sexta que deveriam convocar eleições gerais imediatamente para “que as pessoas decidam sobre o futuro do país”. Em sua conta do twitter, Corbyn afirmou ainda que May “aceitou agora o que o país já sabia há meses: não se pode governar nem tampouco liderar com seu partido dividido e desintegrado”.
Entretanto, nada indica que o Partido Conservador vá convocar eleições antes que não defina internamente seu próprio nome para suceder May.
Entre os nove nomes que são sondados para sucedê-la há uma maioria considerável dos chamados “eurocéticos”, partidários de uma saída “dura” da UE.

O resto da Europa recebeu a noticia com poucas expectativas. A Comissão Europeia (CE), anunciou nesta sexta que o presidente do Executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, “seguiu o anúncio da primeira ministra May nesta manha sem alegria pessoal. O presidente apreciou trabalhar com a ministra e como disse antes, Theresa é uma mulher com coragem pelo que mantém grande respeito”, declarou a porta-voz da CE, Mina Adreeva, na coletiva de imprensa diária da instituição. A reação de Juncker, com certa nostalgia, da a ideia de que frente aos sucessores sondados, May é “moderada”.

O final

Nos últimos dias, May, que até agora conseguiu se aferrar à liderança apesar das fortes pressões internas para sua demissão, sofreu um duro golpe quando os deputados e alguns ministros manifestaram sua oposição à última tentativa para conseguir a aprovação do acordo do Brexit, apesar do rechaço do parlamento em três ocasiões.

Já havia ocorrido nesta semana a renúncia da líder do grupo conservador na Câmara dos Comuns, Adrea Leadsom, responsável pela agenda parlamentar do Governo, quando apresentou sua saída em desacordo com a forma que a primeira ministra geria o Brexit, e ainda, mais concretamente, pela intenção de apresentar o projeto de lei sobre o acordo de retirada da EU negociado com Bruxelas.
Este projeto incluía algumas modificações, entre elas a possibilidade de que os deputados possam votar sobre a celebração de um segundo referedum para confirmar ou rechaçar o acordo do Brexit.

O Reino Unido tem fixada a retirada da UE para o próximo dia 31 de outubro após solicitar um adiamento devidos as crises e negociações.




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