Internacional

INTERNACIONAL

Reino Unido, França, Alemanha e EUA pressionam a Russia pelo caso do ex-espião envenenado

sexta-feira 16 de março| Edição do dia

Logo que o Reino Unido anunciou que vai expulsar 23 diplomatas russos, o maior número nos últimos 30 anos, pelo envenenamento de um ex-espião e sua filha, foi anunciada nesta quinta-feira uma declaração conjunta da primeira-ministra britânica, Theresa May, os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da França, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã Angela Merkel, condenando o ataque com um agente nervoso contra o ex-espião russo Sergei Skypal e sua filha.

Pode te interessar: Reino Unido expulsa 23 diplomatas russos pelo caso do ex-espião envenenado

A declaração afirma que “o uso de um agente neurotóxico de caráter militar, de um modelo desenvolvido pela Rússia, é o primeiro uso ofensivo” de tal agente “na Europa após a Segunda Guerra Mundial”.

A declaração continua dizendo que “Expressamos nossa consternação pelo ataque contra Sergei e Yulia Skripam em Salisbury, Reino Unido, no dia 4 de março de 2018”, e indica que o uso desse agente nervoso representa um “assalto” à soberania do Reino Unido, em “clara violação” da Convenção sobre Armas Químicas e violação do direito internacional.

A tensão entre o Reino Unido e Rússia vem aumentando desde que May deu um ultimato ao Kremlin para que explique o envenenamento do duplo espião. O prazo expirou à meia-noite de terça-feira e depois que a Rússia esclareceu que não tinha nada a explicar, Londres deu um salto no enfrentamento anunciando a expulsão dos diplomatas, entre outras medidas.

O presidente estadunidense, Donald Trump, foi mais longe e disse nesta quinta-feira que “parece” que o presidente russo, Vladímir Putin, está por trás do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal.

“Certamente parece que os russos estão por trás disso. É algo que nunca deveria acontecer, e que estamos levando muito a sério, como creio que também fazem muitos outros”, declarou à imprensa no início de sua reunião com o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

O presidente Trump realizou essas afirmações ao mesmo tempo que seu governo impôs mais sanções à Rússia devido a sua tentativa de interferir nas eleições presidenciais de 2016. Os sancionamentos do Departamento do Tesouro incluem uma série de pessoas e entidades russas que tentaram interferir nas eleições através de ataques cibernéticos, e também acusou o Kremlin de ter lançado um ciberataque contra a rede elétrica dos Estados Unidos.

Rússia responde com tomar uma resposta imediata pela expulsão dos diplomatas

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguéi Lavrov, assegurou na quinta-feira que haverá uma resposta imediata à expulsão dos 23 diplomatas russos do Reino Unido. Explicou que, antes de divulgar as medidas de represália, Moscou irá informá-las à Londres, e afirmou que “Entenderá que, como pessoas educadas que somos, primeiro informaremos a resposta aos nosso colegas britânicos”.

A porta-voz dessa carteira diplomática, María Zajárova, convidou Londres a “apresentar todos os materiais existentes relacionados ao incidente que, segundo eles, está vinculado ao uso de armas químicas no território da Grã-Bretanha”. Em uma coletiva de imprensa, afirmou que “enviamos várias notas diplomáticas ao Foreign Office através da Embaixada da Rússia na Grã-Bretanha, a fim de iniciar um diálogo ativo com Londres, mas recebemos somente notas formais sem sentido como resposta.

Zajárova considerou as medidas e declarações britânicas como um “espetáculo político-informativo” e atribuiu as acusações contra a Rússia a “uma colossal campanha” para solucionar os problemas internos do governo britânico.

As tensões não parecem que vão diminuir nos próximos dias. A primeira-ministra britânica, Theresa May, aproveitou essa situação para tomar um ar, já que estava debilitada pelo Brexit, em plenas negociações e sem muitos avanços com a União Europeia. Ainda que esteja colocada uma interrogação se poderá conseguir uma solidariedade real e não retórica de um bloqueio europeu que a Grã-Bretanha deveria deixar em 2019.




Tópicos relacionados

Rússia   /    Internacional

Comentários

Comentar