Política

REFUGIADOS VENEZUELANOS

Refugiados venezuelanos são tratados como criminosos após Temer visitar Roraima

Após Temer visitar Boa Vista e editar um decreto tão cretino quanto seu governo, a situação de penúria dos refugiados segue sem mudanças, principalmente em Pacaraima. Milhares continuam passando fome, sem teto, sujeitos a muitas doenças, sem documentação e sem esperança.

Ronaldo Filho

Professor da rede estadual do RJ

quarta-feira 28 de fevereiro| Edição do dia

Temer reconheceu a situação de vulnerabilidade em Roraima, como uma crise para o estado e para o país, com o colapso dos serviços públicos e a escassez de alimentos, mas não reconheceu a situação dos refugiados, pois sua resposta foi aumentar a vigilância e a repressão. Além da repressão, Temer oferece também abrigos sem condições humanas de salubridade e o estigma de imigrantes “não bem vindos”, o que faz aumentar a xenofobia, que os haitianos, por exemplo, já conhecem muito bem em nosso país. Sem falar que só o montante gasto com essa operação poderia resolver vários destes problemas.

Essa onda imigratória não começou agora, já perdura vários anos, tendo um aumento substancial após 2016, depois que a Colômbia passou a fechar suas fronteiras. O êxodo dos 40.000 venezuelanos que imigraram para o Brasil, fugindo da crise provocada pela política bonapartista de Maduro em luta contra a burguesia apoiada pelos EUA, se torna ainda maior com a passar do tempo.

A resposta do governo brasileiro é a de reprimir todas e todos que cruzam a fronteira, tendo como principal argumento o combate ao tráfico de drogas, armas e contrabando. Seguindo uma política de rejeitar as vítimas do sistema capitalista, assim como é feito na Europa. Para um traficante, existem muitos caminhos para além dos postos de fronteira abarrotados de refugiados e militares.

Mas o que chama atenção é o tipo de resposta dada pelo governo as crises e problemas sociais que pululam pelo país. A repressão, a militarização é sempre a resposta rápida e eficaz que cala as vozes dos que sofrem. Para Temer, vale mais gastar para criminalizar os refugiados e reprimi-los, do que suprir suas carências básicas de alimento, abrigo e documentos, para que tenham um mínimo de chance de sobreviver dentro do capitalismo.

Com a desculpa de estar fornecendo segurança e apoio aos refugiados no país, a política de Temer nega o que essas pessoas vieram buscar aqui, sobrevivência e fuga de um governo autoritário.

Enquanto a força nacional revista malas e veículos, milhares de crianças, idosos, mulheres e homens passam fome não muito longe dos postos de fiscalização e só podem contar com a solidariedade dos moradores locais.

É preciso cercar os refugiados e o povo venezuelano de solidariedade, não se calar diante desta política genocida que leva milhares à morte todos os anos e que deixa pessoas totalmente vulneráveis, permitindo as mais absurdas violações dos direitos humanos.




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