Educação

MP DO ENSINO MÉDIO

Reforma do Ensino cortará diversas disciplinas

Danilo Magrão

Professor de sociologia da rede pública

quinta-feira 22 de setembro| Edição do dia

Por Danilo Magrão, professor da rede pública e candidato a vereador pelo PSOL em Campinas

O Ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), acaba de anunciar nessa tarde a nova proposta do governo para o Ensino Médio, que será levada ao Congresso para ser votada através de Medida Provisória de Temer.

De acordo com o discurso feito no Palácio do Planalto, como já vinhamos anunciando, a proposta é acabar com o currículo comum para o Ensino Médio. O governo manterá apenas Português e Matemática como disciplinas gerais, e disciplinas como Sociologia, Filosofia, Educação Física e Artes deixarão de ser obrigatórias, ficando a “critério das redes de ensino”, gerando uma péssima formação e a demissão de dezenas de milhares de docentes.

Se aprovado no parlamento, o projeto será implementado no início de 2018 e a reformulação se dará em cima de 5 “áreas de concentração" a partir do segundo ano: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. Sem a obrigatoriedade de oferecê-las em todas as unidades escolares, e com o objetivo de cortar gastos, isso aponta para fechamento de escolas, remanejamento de alunos para regiões distantes que levará à evasão escolar, e um aprofundamento da divisão na categoria.

Ao mesmo tempo, se propõe a contratação de pessoas para lecionar sem formação, ou seja, exercerá a função de professor pessoas que não tiveram formação adequada para isso, buscando rebaixar o salário do conjunto da categoria. Você imagina alguém fazendo uma operação em um hospital sem ter se formado médico?

Por fim, o projeto anunciado visa aprofundar a entrada das empresas nas redes de ensino. É emblemático que nesse mesmo dia, o presidente da antiga editora Cosac Naify, anuncie que irá picotar dezenas de milhares de livros, pois isso segundo ele é mais barato que doar pra escola. O que isso significa? Que se aceitarmos esse avanço empresarial na educação pública, nós professores, estudantes e funcionários iremos virar cada dia mais, números. A chance de sermos picotados, em algum momento, será grande.




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