Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Reforma da previdência de Bolsonaro faria aposentado por invalidez receber até 50% a menos

A reforma da previdência de Bolsonaro e Guedes, principal reforma do governo e já aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos deputados, se aprovada com o texto atual faria com que aposentados por invalidez recebessem até 50% a menos do que recebem atualmente.

terça-feira 30 de abril| Edição do dia

Pelas mudanças na previdência propostas pelo governo Bolsonaro, o trabalhador que não for mais capaz de exercer sua função e for aposentado por invalidez pelo INSS vai receber muito menos do que pela regras atuais da previdência.

Duas mudanças fundamentais estão na reforma de previdência. Desde 1994, o cálculo da média salarial, que definia quanto se receberia de aposentadoria, era feito considerando 80% das contribuições, excluindo as contribuições mais baixas. Ou seja, um trabalhador que passou um período desempregado e contribuiu apenas com o mínimo ou passou por empregos mais precários, teria parte desse período não considerado no cálculo da média salarial. A partir da reforma da previdência, a média salarial é calculada a partir de todo o período de contribuição, o que faz o salário ficar menor.

A outra mudança absurda faz com que trabalhadores que se aposentem por invalidez passem a receber apenas 60% da sua média salarial mais 2% por ano de contribuição que exceder 20 anos. Hoje aposentados por invalidez recebem 100% do salário. Com as novas regras, trabalhadores que se aposentarem por invalidez com 20 anos de contribuição, além de ter uma média salarial menor do que com as regras atuais, irão receber apenas 60% dessa média salarial.

Se a aposentadoria for por acidente de trabalho, doença profissional ou doença do trabalho, o trabalhador receberia 100% da média salarial, mas ainda seria bem menos do que atualmente.

Uma simulação elaborada pelo advogado Luiz Felipe Pereira Veríssimo, do Ieprev (Instituto de Estudos Previdenciários) mostrou que um trabalhador que contribui durante 20 anos, sendo 15 sobre o mínimo e 5 sobre o teto, teria hoje uma média salarial de R$ 2.324,74, recebendo esse valor integral. A partir da reforma da previdência, sua média salarial cairia para R$ 1.967,88 e ao se aposentar por invalidez receberia apenas R$ 1.180,73. Isso seria pouco mais da metade do valor atual, mais de mil reais a menos.

Bolsonaro, Guedes e os empresários querem com isso descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e fazer com que nós paguemos por uma crise criada por eles. É dos trabalhadores aposentados por invalidez, sem mais nenhuma condição de seguir trabalhando, e que passaram anos sendo explorados pelos empresários nas situações mais precárias, que querem cortar metade do salário.

Essa é mais uma mostra da mentira que é o “combate aos privilégios” e “proteção aos pobres” da reforma da previdência do governo Bolsonaro. Enquanto atacam os mais necessitados vão beneficiar banqueiros e especuladores que lucrarão com a capitalização e com o pagamento do governo federal dos títulos da eterna e ilegítima dívida pública.

Neste 1º de Maio temos que ir às ruas exigir das centrais sindicais que construam o dia de greve geral (já convocado) desde a base, com assembleias em cada local de trabalho, para fortalecer a paralisação e que os trabalhadores decidam os rumos seguintes da mobilização.

Leia também: 01/05: Para derrotar a reforma da previdência de Bolsonaro é preciso superar a política da burocracia sindical




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