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Reforma Tributária nos EUA: Contradição ou demagogia?

A Reforma Tributária foi proposta por Trump no dia 27 de setembro, o que gerou imediata oposição dos Democratas (que sempre defenderam o interesse dos grandes magnatas, com outras medidas mas com o mesmos objetivos) e uma grande polêmica entre as posições da Câmara de Deputados e do Senado nos EUA, sendo que a previsão é de que seja votada no próximo final de semana.

quarta-feira 15 de novembro| Edição do dia

Em meio a esse debate acalorado também apareceu um posicionamento curioso por parte de um setor de 400 dos grandes empresários mais ricos dos EUA, através de uma carta que fizeram supostamente repudiando a medida de Trump por conta do aumento das desigualdades sociais que promoveria.

O projeto apresentado por Trump prevê uma revisão de impostos de diversos setores da população, sendo que em relação às empresas propõe que passe dos atuais cerca de 35% para 20%.

A proposta de Trump reforça seu discurso protecionista que foi base da campanha presidencial, ao garantir que a redução dos impostos às empresas poderá colocar os EUA numa melhor situação de competição econômica, bem como ampliar a oferta de empregos no país. Entretanto fica escancarado também que esse discurso quer se basear numa liberação fiscal ainda maior aos grandes empresários, entre eles alguns da seleta faixa onde estão os 5% mais ricos, que desde estourada a crise capitalista de 2008 estão buscando preservar seus lucros e lançando os custos sobre os trabalhadores.

É nítido que existe uma disputa de interesses entre governo e oposição com relação à Reforma e, ainda mais evidente, é o fato de que não são os maiores magnatas com suas demagogias os que se preocupam com a situação de desigualdade social que atingiu patamares recordes no último ano nos EUA. Num país onde a pobreza que atinge mais de 20% das crianças, o alto desemprego e a estagnação da classe média serviram de base de apoio às demagogias de Trump, também os grandes empresários oposicionistas buscam se valer de um discurso “humanitário” ou “socialmente responsável” para apontar Trump como um inimigo comum, que é contraditório ao dizer que quer reduzir as desigualdades e favorece os mais ricos, enquanto a própria nata dos patrões é preservada como “justa”, como “aquela que não quer mais do que lhe é de direito”.

A demagógica ação dos grandes empresários em resposta a Reforma Tributária nos EUA só evidencia o quanto eles e Trump são duas faces da mesma moeda exploradora e que nunca falará em nome dos trabalhadores e população pobre: Trump buscou canalizar os descontentamentos sociais pela via de seu discurso de uma “direita radical” e protecionista (aos lucros norte-americanos), logo também os maiores capitalistas dos EUA não poderiam ficar atrás e abrir qualquer margem de questionamento às posições privilegiadas que vivem, enquanto a maioria da população sente os impactos da crise que criaram. Por isso é preciso uma postura independente dos trabalhadores e população afetada pela pobreza e crise nos EUA, começando por reivindicações que desmascarem os privilégios da casta de políticos e grandes empresários, como a taxação com impostos progressivos às grandes fortunas.




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