Educação

GOVERNO TEMER

Reforma Escolar pode atingir também Ensino Fundamental

No dia de ontem, 10/10, a TV Folha fez uma entrevista com o Ministro da Educação, Mendonça Filho, sobre a reforma do Ensino Médio e o que acontecerá com a educação na sua gestão. Na sua entrevista, Mendonça fez questão de utilizar o espaço concedido pela Folha de São Paulo para legitimar a reforma do ensino médio, assim como a PEC 241 que visa estabelecer um teto para o investimento na área da educação.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

terça-feira 11 de outubro| Edição do dia

Para o Ministro Mendonça Filho, a reforma escolar tem como objetivo dar autonomia para que o aluno decida sobre o seu projeto de vida e para melhorar a educação pública. Em relação a PEC 241, o Ministro golpista da Educação disse que os gastos tem que ser eficientes e que existiam muitos projetos desnecessários na pasta da educação. O Ministério da Educação também citou que os jovens que não conseguem concluir o ensino médio dão prejuízo para o Estado.

Ele defendeu que esta reforma seja votada ainda neste ano, criando uma comissão entre Deputados e Senadores para tramitar este ataque dentro do Congresso Nacional. Para ele, a proposta da Reforma do Ensino Médio tem que ser passada aos poucos, e também mandou um recado para que os alunos e pais não fiquem preocupados com esta medida.

Na entrevista, também citou que acontecerá também uma reforma no Ensino Fundamental. Ele também defendeu o ensino de tempo integral e que as universidades estaduais e federais sejam pagas.

É claro que estas medidas propostas por Mendonça Filho vão sucatear mais ainda a educação pública. De acordo com o que escrevemos neste site, a flexibilização da grade não leva à autonomia do aluno, pois são restritas as escolhas que a grade escolar oferece ao jovem. Além disso, qualquer medida que venha dar autonomia para os estudantes tem que partir dos estudantes em conjunto com pais, professores e funcionários. Qualquer medida imposta por cima oculta um outro interesse por trás dela.

A flexibilização da grade escolar vai levar à demissão de milhares de professores, além do risco das matérias de Sociologia, Filosofia e Artes se extinguirem. Esta medida visa aprofundar o caráter da escola pública de formar jovens para serem mão de obra barata e precária para os grandes empresários e banqueiros. Sem contar que a extinção das matérias de sociologia, filosofia e artes diminui o pouco de espaço critico que existe dentro das escolas.

Conforme foi perguntando pela própria repórter da Folha de São Paulo, esta medida faz com que os jovens da escola pública fiquem cada vez mais excluídos das universidades públicas. A reforma escolar, portanto, faz com que o vestibular aprofunde o seu caráter elitista e que a diferença entre os alunos que estudam na escola privada com os alunos que estudam em pública fique cada vez mais gritante.

Esta medida proposta por Mendonça Filho se dá num momento em que o governo golpista votou no congresso uma PEC que visa congelar os investimentos na área da educação durante 20 anos. Este congelamento do dinheiro investido na educação vai fazer com que a escola pública fique cada vez mais precária. Podemos claramente dizer que a PEC 241 vai deixar a escola pública na UTI e a Reforma Escolar a enterra dentro de um caixão.

Outro ponto que chama atenção em sua entrevista é o fato do Ministro da Educação colocar que os alunos que abandonam o Ensino Médio representam um gasto para o Estado. Qualquer um que pisou numa escola pública para dar aula sabe que muitos dos alunos que estão lá trabalham para ajudar no sustento da casa e que a escola pública como ela não oferece nenhum suporte para que estes consigam terminar o segundo grau.

Todo o discurso utilizado por Mendonça Filho durante esta entrevista teve claramente o propósito de dizer aos estudantes e pais que esta medida vai ser benéfica para todos. Mendonça Filho sabe que terá grandes problemas para impor este ataque, pois terá que se chocar com a juventude secundarista que protagonizou grandes lutas no final do ano passado e no início deste ano, e que nesse momento já está ocupando mais de 150 escolas no país contra a reforma. Por isso que faz discursos demagógicos na Folha de São Paulo para justificar este ataque.

Junto a isso, o Ministro da Educação sabe que o governo de Michel Temer não foi eleito pelo voto e por isso possui imensas dificuldades para aplicar estas medidas impopulares. Mesmo que o governo tenha conseguido votar na sessão da Câmara de ontem a PEC 241, o grande medo da turma do Michel Temer é que estas medidas se transformem em grandes lutas no futuro.




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