Sociedade

DESIGUALDADE

Redução da desigualdade social estanca e o Brasil é o 9º país mais desigual do mundo

Na semana passada a Oxfam, organização não governamental, soltou um relatório que revela que a redução da desigualdade no Brasil estagnou, algo que não ocorria há 15 anos.

quinta-feira 6 de dezembro| Edição do dia

O relatório da Oxfam ainda revela que aumentou a pobreza no país. São mais de 15 milhões de pessoas que vivem com menos de dois dólares por dia (US$ 1,90, o equivalente à R$ 7,30), um aumento de 11% se comparado à 2016. De acordo com relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) o país, que atualmente é uma das 10 nações mais ricas do mundo, é o 9º país mais desigual, considerando 189 países analisados.

OS dados são alarmantes e revelam ainda mais sobre a situação da desigualdade no Brasil. Os negros ganham em média pouco mais da metade (57%) do salário de um trabalhador branco. Entre homens e mulheres, pela primeira vez em 23 anos a desigualdade salarial aumentou. Em 2016, as mulheres ganhavam em média de 27% menos que os homens. Essa diferença no ano passado pulou para 30%. Um retrocesso fruto do avanço do governo golpista sobre nossos direitos para saciar os lucros dos capitalistas.

De acordo com a Oxfam, ainda, os 10% mais ricos do país ganham metade da renda nacional. No entanto mesmo essa fatia da população é também bastante desigual. Quase metade dela ganha até 10 salários mínimos. No entanto os 1% mais ricos do Brasil tem ganhos superiores à 55 mil reais mensais. A renda dos 1% mais ricos é de 36 vezes a renda da metade mais pobre do país.

O relatório aponta ainda, como fator responsável pela estagnação na redução da desigualdade, a aprovação, em 2016, do congelamento de gastos públicos (emenda constitucional 95), chamada de PEC do fim do mundo, que congela gastos com saúde e educação, entre outros, por 20 anos, pois congela os investimentos em demandas sociais para os mais pobres.

O governo golpista de Temer, para responder à crise financeira que atingiu o país em 2014 e garantir os lucros dos capitalistas, aprovou uma série de ataques aos trabalhadores e a população mais pobre. Além da PEC do fim do mundo, aprovou a Lei de terceirização, que amplia irrestritamente a terceirização, deixando os trabalhadores, sobretudo mulheres, sujeitos à contratos mais vulneráveis de trabalho e à precarização. A reforma trabalhista, aprovada no ano passado, deve aprofundar ainda mais a desigualdade e a pobreza.

Além disso, para garantir o pagamento da dívida pública, favorecendo os banqueiros e o capital imperialista, o governo eleito de Bolsonaro, aliado aos golpistas, já anuncia ataques bastante profundos, como privatização e a reforma da previdência. Bolsonaro, que nos discursos, vomitava machismo e racismo, defendendo menores salários para as mulheres, porque elas engravidam, atacando direitos dos negros, indígenas e LGBTs, deve reduzir os gastos com políticas públicas para a redução da desigualdade. Serviçal do imperialismo, para garantir os lucros dos patrões vale tudo contra os trabalhadores e a população mais pobre.

Os dados levantados pela Oxfam escancaram a dura e cruel realidade no sistema capitalista. Um sistema de exploração de uma minoria sobre uma maioria. Para sustentar essa exploração submete-se os negros, indígenas, as mulheres, os LGBTs a condições de vida e de trabalho cada vez mais degradantes.

Bolsonaro, eleito graças às manobras do judiciário com apoio de empresários e da mídia, é parte desse sistema que quer descontar nas nossas costas a crise que os capitalistas criaram. É preciso derrota-lo e a seu projeto de ataques aos trabalhadores, à juventude e à população pobre. Para isso, não podemos esperar até as eleições de 2022 como espera o PT. É preciso organizar a luta já!

As grandes centrais sindicais como a CUT, controlada pelo PT, e a CTB, pelo PC do B, além da UNE e demais entidades estudantis precisam organizar já, em cada local de trabalho e de estudos, uma forte resistência à esses ataques com um plano para construir ações nacionais massivas. Nos espelhemos nos coletes amarelos franceses, para transformar a indignação em luta e unifiquemos trabalhadores e estudantes para derrotar Bolsonaro, os golpistas e as reformas!




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