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ELEIÇÕES AMERICANAS

Recorde de mulheres e minorias nas eleições de meio mandato nos EUA

As eleições de meio de mandato não só tiveram um número recorde de candidatas, mas pela primeira vez elegeram muçulmanos, americanos nativos, um governador abertamente gay e o mais jovem candidato.

quarta-feira 7 de novembro| Edição do dia

Foto: Alexandria Ocasio-Cortez, latina de 29 anos, deputada mais jovem já eleita para o Congresso

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos já haviam chamado atenção por causa do número de mulheres que disputavam cargos (quase 500), das quais mais de 100 se elegeram para a Câmara baixa, pela primeira vez na história.

Na presença de mulheres, principalmente da oposição democrata, que está intimamente ligada à rejeição gerada pelo discurso de ódio misógino e Trump, e a promoção de movimento #MeToo, se somou a isso o fato que duas mulheres mulçumanas chegaram a importantes cargos políticos, dois nativos americanos, duas mulheres hispânicas do Texas, uma mulher afro-americana de Massachusetts, um candidato a governador abertamente gay e a candidata mais jovem à Câmara Baixa.

Ayanna Pressley será a primeira afro-americana a representar Massachusetts na Câmara Baixa. Pressley já havia sido a primeira mulher afro-americana a fazer parte da Prefeitura de Boston e fez história novamente depois de derrotar Michael Capuano nas primárias, que veio de 10 vitórias consecutivas.

A nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, Latina, 29 anos, do Partido Democrata, tornou-se a deputada mais jovem da história dos Estados Unidos, é um símbolo claro deste processo, mas não foi a única mulher hispânica a acessar o Capitólio. Ocasio Cortez, ganhou há alguns meses as internas de seu partido contra um candidato do establishment Democrata e propôs como uma renovação que gerou entusiasmo nos setores da juventude e do movimento conduzido pelo ex-candidato presidencial movimento Bernie Sanders dentro do Partido Democrata.

Veronica Escobar e Sylvia Garcia serão as primeiras hispânicas para representar Texas no Congresso, enquanto Debbie Murcasel-Powell, de origem equatoriana, deu uma das grandes surpresas ao derrotar o seu rival na Flórida, com mais de 50 por cento dos votos.

Outras mulheres proeminentes que chegaram pela primeira vez à Câmara Baixa têm ascendência africana, são nativas americanas ou pertencem à comunidade LGBT.

Ilhan Omar, nascida na Somália em 1981, e Rashida Tlaib, filha de imigrantes palestinos, serão as primeiras muçulmanas no Congresso.

Além disso, em janeiro, dois nativos americanos vão sentar-se pela primeira vez na Câmara dos Representantes: Deb Haaland (Novo México) e Sharice Davids, que também será o primeiro deputado abertamente LGBT do Kansas no Congresso.

Por sua parte, a republicana Marsha Blackburn se tornou a primeira mulher senadora na história do Tennessee.

Jared Polis já havia estabelecido um marco quando foi a primeira pessoa abertamente gay a ser eleita para o Congresso sem estar ocupando uma cadeira. Ontem à noite ele ganhou a corrida pelo governo do Colorado e se tornou o primeiro homem abertamente gay a vencer uma eleição para governador.

Enquanto todos e todas festejaram na terça-feira noite, este triunfo "tardio" não faz mais do que mostrar o quão o sistema eleitoral dos EUA é restritivo, de modo que apenas em 2018 hispânicos, nativos e muçulmanos conseguiram chegar ao Capitólio, que uma mulher tornou-se senadora de seu estado e que um homem abertamente gay tornou-se governador.

O triunfo desses movimentos estão diretamente relacionados com a polarização alimentado por discursos de ódio Trump, que deu origem ao aparecimento, dentro do Partido Democrata, de uma grande quantidade de candidaturas de peso entre as mulheres, além de uma coalizão de minorias que têm seus direitos atacados. Esta nova composição vai ter peso dentro dos Democratas, e o establishment do partido terá que dar conta deste novo fenômeno em relação as internas para as eleições presidenciais de 2020.




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