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Reajuste de 2% e ausência do sindicato revoltam servidores municipais de Carapicuíba

Após 11 anos sem reajuste, trabalhadores do município de Carapicuíba foram até a Câmara de vereadores da cidade na última sexta para protestar contra a proposta do prefeito Marcos Neves (PV) de reajuste de 2% e aumento de R$9,00 na cesta básica. Após ato na Câmara de Vereadores, os servidores municipais foram ao sindicato para denunciar a ausência na luta e as negociações feitas pelas costas dos servidores.

segunda-feira 26 de março| Edição do dia

Na última sexta-feira, dia 23/03, servidores municipais de Carapicuíba se organizaram para protestar contra a proposta de reajuste salarial apresentada pelo prefeito da cidade, Marcos Neves (PV). A proposta, que tinha sido votada pela primeira vez na terça-feira e referendada na sessão desta sexta, estabelece um reajuste de apenas 2% aos servidores municipais. Os servidores estão sem reajuste há 11 anos.

O reajuste fica abaixo da inflação oficial divulgada pelo IBGE no início deste ano sobre 2017: 2,95%. Se analisarmos a oscilação da inflação nos últimos 11 anos, o reajuste se torna ainda mais irrisório, e fica claro que, ano após ano, as condições de vida dos servidores municipais foram se degradando.
Além do reajuste salarial, os vereadores votaram o aumento de R$9,00 na cesta básica, passando de R$111,00 para insuficientes R$120,00.

Revoltados com a proposta, servidores municipais de Carapicuíba se organizaram para protestar contra o reajuste, que não acompanha o crescente custo de vida em um país que atravessa uma crise, onde as contas chegam cada vez mais altas, a passagem teve aumento, no mercado tudo está mais caro. A revolta tinha dois focos: por um lado, rechaço a Marcos Neves e todos os ataques e problemas de gestão da prefeitura; por outro, indignação frente à falta de respostas da diretoria do sindicato, que não só se recusa a organizar uma forte greve pra impor um reajuste salarial real às diversas categorias de servidores abarcadas pela proposta, como também se reuniu com a prefeitura, pelas costas dos trabalhadores, para negociar a proposta.

Na sessão da Câmara, dezenas de servidores levantavam cartazes e puxavam palavras de ordem contra a proposta do prefeito. O vereador Guto, do PV, falou absurdos para defender o prefeito. De forma demagógica, começou dizendo que gostaria de dar mais. "O governo Marcos Neves é um governo sério que tem feito o que dá pra fazer. O que não dá pra acontecer é aumentar o reajuste e no final do mês não conseguir pagar o salário de vocês.", disse o vereador, ouvindo gritos revoltados em resposta da plateia. O vereador do PV ainda teve a coragem de dizer que "Só em Carapicuíba a gente vota reajuste de salário e ainda é criticado", como se o reajuste não fosse absolutamente insuficiente. "Guto nunca mais" foi a palavra de ordem que tomou a Câmara, e Guto, pra piorar, ainda responde: "Melhor 2% do que nada".

Durante toda a votação, que acabou aprovando a proposta por unanimidade - incluindo votos de vereadores que demagogicamente falaram contra a proposta para fazer oposição ao prefeito, como a vereadora Cida Carlos, do PT -, uma pergunta estava na cabeça de todos os servidores: onde está a diretoria do sindicato? Após negociar com a prefeitura a portas fechadas, o sindicato não estava presente para organizar a luta contra o reajuste e seguir o exemplo dos professores municipais de São Paulo, que estão em uma forte greve contra a reforma da previdência de João Doria (PSDB), com grandes chances de derrotar o governo.

Pelo contrário. A direção do sindicato, ao invés de estar com os trabalhadores que deveria representar, estava escondida na sede do sindicato, a poucos metros da Câmara. Acabada a votação, os servidores (trabalhadores da saúde, da educação, limpeza e outras categorias) se dirigiram ao sindicato pra fazer uma desfiliação em massa.

Mas os servidores municipais de Carapicuíba sabem o que precisam fazer para reverter o ataque: uma forte greve, organizada em cada local de trabalho, contando com a participação massiva dos servidores e impondo ao sindicato que se mexa e se enfrente com a prefeitura.

Para derrotar Marcos Neves, os servidores municipais de Carapicuíba precisam seguir o exemplo dos professores municipais de São Paulo e parar o trabalho para garantir seus direitos, exigindo do sindicato que organize a categoria e chame uma grande assembleia geral de servidores que aprove greve pra já.




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