Educação

ESCOLA SEM PARTIDO

Reacionário projeto Escola sem Partido é novamente retirado de pauta em Campinas e São Paulo

Grazieli Rodrigues

Professora da rede Estadual em Campinas

sábado 9 de dezembro de 2017| Edição do dia

Nas Câmaras de Campinas e de SP projeto Escola sem Partido é retirado de pauta das sessões nessa semana.

No último da 6, quarta-feira, durante uma sessão da Câmara dos Vereadores de Campinas, o vereador Tenente Santini (PSD) foi obrigado a retirar de pauta a proposta de votação do Projeto Escola sem Partido, alegando que esse voltaria à Câmara em 2018. Entretanto, por detrás do recuo de Santini, existe um pedido de sua própria “base-aliada” na Câmara – que em outro momento aprovou o projeto alimentando o espaço para as ideias mais reacionárias se tomarem as escolas de Campinas, mas principalmente pela ausência de qualquer base real de apoio ao projeto – o que já expressa sua falácia, sem contar sua inconstitucionalidade – não havia sequer um apoiador do Escola sem Partido no plenário.

Leia mais sobre o ESP em: O "Escola sem Partido” é apenas um projeto de lei?

Santini já tentou aprovar o projeto na Câmara em setembro deste ano com pedido de urgência, e teve no dia 04/11 seu texto aprovado quase majoritariamente pelos reacionários vereadores da cidade, que não só manifestaram apoio ao projeto, como fizeram diversos discursos de ódio contra as distintas formas de orientação sexual e ao livre pensamento dentro das escolas, banalizando o necessário combate às opressões. Os mesmos que em 2015 protagonizaram um show de horrores contras as professoras, professores e estudantes que se posicionaram contra sua emenda da Opressão, que dois anos atrás já tentava vetar a discussão de gênero dentro das escolas, isso numa cidade famosa pelos casos de feminicídio, com altíssimos números de violência contra a mulher e diversos episódios de lgbtfobia e racismo.

Nessa mesma semana o projeto deveria ser votado em São Paulo, mas também foi retirado de pauta.

Em 2017 ou em 2018, o recado dos professores e professoras é que vai ter muita luta contra esse projeto reacionário e o silêncio que querem impor às escolas, um projeto que alimenta as piores formas de opressão como o racismo, o machismo e a lgbtfobia que fazem todos os dias milhares de vítimas e que é um projeto de escola onde não é possível coexistirem diferenças e nem desigualdades sociais – isso num país de contrastes como o Brasil.




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