Cultura

CULTURA DE RESISTÊNCIA

Rap sendo a voz da resistência

O Rap traz consigo um histórico de luta, uma voz que a periferia sempre escutou pelo simples fato de contar a sua brutal realidade frente os problemas sociais: a violência policial, o descaso na saúde publica, a escola sendo uma reprodução de presídios, o racismo.

Rodrigo Leon

@RodHeel

quinta-feira 18 de fevereiro de 2016| Edição do dia

De Facção Central a Emicida; de Racionais Mc’s a Luana Hansen, o Rap e a revolta transpiram nos versos, a rotina na periferia é colocada em pauta e em confronto direto com os interesses da burguesia que insiste em abafar esse grito cultural da classe trabalhadora desde que os guetos, favelas, quilombos começaram a se revoltar. Para, além disso, o próprio ritmo é uma afronta a musica branca e elitista, porque têm fixas raízes negras africanas e norte americanas nas vertentes do Soul, Blues, Jazz, R&B (entre outras milhares de referências) que na década de 60, assim como o Rap aqui no Brasil (mais tarde na década de 90), se transformaram em porta-voz contra a opressão racial-classista.

Musicalidade Atemporal

“60 por cento dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial. A cada quatro pessoas mortas pela policia, três são negras. Nas universidades brasileiras apenas 2 por cento dos alunos são negros. A cada quatro horas, um jovem negro morre violentamente em São Paulo. Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente”. – Racionais Mc’s”.

Os números podem até serem outros hoje (até por que a musica é de 1997), mas a realidade nas periferias e favelas ainda são as mesmas: o medo escancarado na população quando o camburão assassino de Tobias de Aguiar (ROTA) ou a Unidade de Policia Pacificadora (UPP) deixa corpos e o rastro de sangue nas ruas.

Enquanto a repressão e o autoritarismo patrulhar as quebradas, vai ser difícil a inspiração para as musicas serem diferentes, não será cantado as maravilhas da cidade e suas respectivas harmonias, não existe clímax pra isso, existe revolta, existe resistência de classe.

A chacina de Osasco (SP) que aconteceu em Agosto de 2015 e teve 19 mortes, foi um grande assunto debatido pela mídia, porém, não relatou nada de diferente que o Rap em suas letras e ritmos já não tenha denunciado. Tiros na madrugada, “tem passagem?”, sangue, mortes e a policia militar como suspeitos e culpados, a vida ainda segue cotidianamente difícil e mais uma vez quem sofre as consequências dessa lógica capitalista e antidemocrática de governar são os trabalhadores e trabalhadoras.

Por que o Rap não é bem visto?

A burguesia detesta os pobres, detesta os pretos, detesta o Rap; este último, dentre os gêneros musicais, é uns dos poucos que atinge a classe trabalhadora por pertencer a ela e também assume o papel revolucionário de passar a mensagem (que por mais dolorosa que seja...) sobre o quanto a violência, o cansaço, o cotidiano difícil de cada trabalhador está relacionado estruturalmente à exploração do patrão em seus locais de trabalho.

Apesar desse repúdio que a burguesia tem pelo Rap, ela mesma não deixa de tentar a todo instante transformar a critica social em algo menos agressivo, menos contestador, e sim em algo “bonito”, conciliador, elitizado, para que as mensagens que sejam recebidas pela ampla juventude sejam filtradas e encaradas apenas como formar culturais, apolíticas, sendo que o Rap é totalmente o contrário.

O Rap é resistência

Contrariando as estatísticas, a juventude está cada vez mais ativa, culturalmente, politicamente. Cada verso é uma expressão de que a luta por mais direitos tem que ser conquistada através da organização da juventude, seguindo o exemplo dos secundaristas de Sp, os Black Panthers e os Soviets. Pelo direito ao próprio corpo das mulheres, pela resistência do genocídio do povo negro, contra a LGBTfobia e transfobia. Essas são as inspirações que alimentam todo um movimento como o Rap, desde de 60 até os dias de hoje. De todos os elementos progressistas de um gênero musical, certamente o Rap é o que tem seu maior engajamento político.




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