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Rajoy segue na Moncloa, entre as cinzas do PSOE e um congresso blindado

Com 170 votos a favor, 111 contra e 68 abstenções, Rajoy alcança a presidência do governo.

segunda-feira 31 de outubro| Edição do dia

Às 20:18 do sábado se confirmava a notícia, “crônica de uma nomeação anunciada”, que com as abstenções da grande parte do bloco socialista, se consumava. Mariano Rajoy voltará a ser o inquilino de Moncloa.

A nomeação de hoje consegue queimar uma primeira etapa da crise do regime, depois de duas eleições, quatro sessões de investidura e com a pata esquerda do bipartidarismo sumida em uma crise cujos próximos dias marcarão sua profundidade.

No hemiciclo* se iniciavam as votações com a atenção voltada precisamente as filas socialistas. Desde que a gestora tomou o controle das rendas do partido, várias vozes se ouviu contra a posição de abstenção, destacando entre todas elas as do PSC.

Finalmente a divisão socialista se apresentou no congresso, já que de 85 deputados socialistas, 15 votaram “não”, os 7 do PSC e 8 do PSOE (dos procedentes de Baleares). Ainda no calor da situação, Mariano Jiménez porta voz da gestora, confirmou que “o grupo socialista tomará suas decisões”, em referência à ruptura de disciplina de voto dos 15 deputados desobedientes.

Sem maiores surpresas, a rodada de votações encerrou com um resultado favorável para Mariano Rajoy: 170 votos a favor, 111 contra e 68 abstenções.

Na saída do congresso e já diante os meios de comunicação, Mariano Rajoy advertia sem citar explicitamente o que está por vir, não outra coisa senão a continuação das políticas de austeridade. Nesta linha, o novo presidente do governo assinalou que “há muita tarefa por fazer, e nesta ocasião voltaremos a fazê-las. Queremos buscar entendimento com todos”.

Mas o realmente relevante tem sido as palavras dedicadas a Ferraz, centradas no futuro mais próximo. Mariano Rajoy espera que isso não se torne somente uma sessão da nomeação e sim, como se faz no restante da Europa, quando um partido não tem maioria, possamos governar com apoios”.

Hoje, por mais que tenha se fechado uma primeira etapa da crise de governabilidade, no sentido que se conforme um governo, o futuro não está isento de novos “sacrifícios”, sobretudo para o PSOE.

Desde Bruxelas exigem cortes num valor de mais de 5 bilhões de euros para 2017 e outros tantos para 2018. Para torna-los possíveis, o primeiro que terão que aprovar são os cortes no orçamento, e aí, novamente, o PSOE deverá colocar seu “sentido de estado” a serviço do ibex35.

Mariano Rajoy foi questionado pelos meios de comunicação sobre o futuro governo, do qual diz tão somente que “divulgarei na quinta-feira e sexta-feira farei o juramento, o Rei já está ciente”.

O congresso, pois, fechará hoje suas portas com um novo presidente, e em poucos dias com um novo governo. Uma vitória do regime a curto prazo, mas que exigiu um profundo sacrifício para um sistema bipartidarista como o que estava instaurado no Estado Espanhol, ainda de consequências desconhecidas.

#RodeaElCongreso, uma maré humana em Madri contra a investidura de Rajoy

Enquanto no congresso dos deputados se materializava, uma vez mais, a vontade do ibex35, nas ruas mais de 100.000 pessoas, segundo os convocantes, se concentravam frente as portas do parlamento para mostrar seu rechaço ao novo governo que estavam votando.

O clássico “não nos representam”, somado ao lema da marcha “máfia não, democracia sim” tem sido a trilha sonora da concentração. Atrás das portas do congresso desta democracia de ricos estavam votando um novo governo sem nenhuma legitimidade.

Nos próximos meses as demandas da Troika exigirão mais políticas de austeridade e não há dúvidas que os agentes do Ibex35 atuarão em uníssono para que estas se cumpram.

A resposta estará de novo na luta, nas ruas, enfrentando os ajustes, não como medida de pressão e sim como a ferramenta que a classe trabalhadora, as mulheres, os jovens e os imigrantes temos para frear a “política para ricos” que descarregam todo o peso da crise sobre nossas costas e acabar de tombar a democracia do Ibex e abrir um processo constituinte sobre as ruínas do Regime de 78.

*Hemiciclo se refere ao Parlamento Espanhol e seu formato semicircular.




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