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RACISMO

Racista é presa em bairro nobre de Salvador, um caso raro que fala muito do Brasil

domingo 7 de janeiro| Edição do dia

O Brasil é o país que mais teve negros escravizados em todo mundo. Foram cerca de 47% de todos que foram sequestrados e trazidos a força às Américas. Mesmo assim a burguesia brasileira conseguiu criar uma ideologia que aqui não haveria racismo. O racismo está presente em cada instituição e são raríssimos os casos de alguma condenação, que falar, prisão por este crime que consta no Código Penal de um país supostamente sem racismo.

No final da tarde de ontem uma mulher foi presa depois de escandaloso caso de racismo em uma padaria de luxo no bairro de elite da capital baiana, a cidade mais negra das Américas. Pituba é um bairro nobre que abriga parte da elite - branca - soteropolitana e a senhora escancarou o racismo e do apartheid formal que ela gostaria que existisse.

Segundo informações de jornais locais a mulher de cerca de 60 anos foi presa depois que uma outra cliente chamou a polícia. A racista humilhou os funcionários e um deles falou a imprensa “ela dizia que não queria ser atendida por ‘pretos’, não queria que tocássemos nos talheres dela. Me senti realmente humilhado pois acho que nenhum ser humano deve ser tratado dessa maneira”, afirmou.

O trabalhador negro continuou seu relato ao jornal Correio: “Sempre que nos aproximávamos, ela virava as costas, fazia de conta que não tinha ninguém ali falando com ela. Se um colega de cor mais clara se aproximasse, ela aceitava o atendimento. Dessa vez foi necessário uma outra cliente se revoltar com a atitude dela para que a polícia fosse chamada”, lembrou.

O gerente do estabelecimento, a delicatessen Bonjour relatou que a racista era cliente assídua e frequentemente ela humilhava os trabalhadores negros, e, claro em um país sem racismo nada havia sido feito fora falar para ela maneirar em seu exagero de sinhá: “Ela falou para os funcionários que não era para encostar nela. Disse que não queria ser atendida pelos nossos funcionários porque eles eram negros. Uma cliente se revoltou e reclamou com essa senhora. Eu expliquei que ela estava desrespeitando, que tinha passado dos limites, e disse que ia chamar a polícia”, afirmou Paulo Sérgio. Ainda segundo o gerente, “várias pessoas presenciaram a situação constrangedora”.

Um cliente, que chegou durante a discussão, contou que a suspeita reagiu de forma ríspida durante o atendimento. “Ela não queria comer nada que fosse tocado por negros e deu um ataque”, relatou.

Apesar da tolerância com o racismo flagrante em muitas ocasiões, a empresa, que exibe em seu site foto de trabalhadores negros, divulgou nota repudiando o ocorrido:
“reforçamos nossa extrema ojeriza a qualquer tipo de atitude preconceituosa. Há mais de 10 anos, desde a sua inauguração, que o staff da Bonjour é formado, em sua grande maioria, de trabalhadores negros - dos quais a Bonjour tem muito orgulho em tê-los em sua equipe. Repudiamos a atitude e esperamos que a mesma não se repita: seja ela em qualquer outra circunstância”, diz o comunicado.

A raridade de uma prisão por racismo no país mostra como as instituições e a elite nacional, herdeira da escravidão, garantem sua impunidade para assim melhorar seus lucros e manter a "ordem". O Brasil da burguesia é construído com práticas racistas ainda mais aviltantes que a ocorrida ontem, diariamente as polícias assassinam jovens negros, negros são submetidos a trabalhos em condições análogas à escravidão e as mulheres negras ganham 40% do salário dos homens brancos. O racismo é um instrumento para aumentar os lucros da burguesia, por isso é necessário lutar contra o capitalismo para destruir esta aberrante instituição que perpassa todo tecido social do país.




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