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VIOLÊNCIA POLICIAL

Racismo e violência da Guarda Municipal na Terça Negra em Recife

Na última terça feira (4), os guardas municipais do Grupo Técnico Operacional (GTO) do prefeito Geraldo Júlio (PSB) reprimiram o evento Terça Negra, realizado no Pátio de São Pedro em Recife agredindo e atirando com arma de fogo contra as pessoas que estavam no evento que repudiavam a abordagem violenta e arbitrária do próprio GTO a um jovem negro que segurava uma garrafa na frente do palco.

sexta-feira 7 de fevereiro| Edição do dia

Segundo relatos os guardas além de estarem sendo acusados de abordar o jovem negro violentamente e sem nenhuma acusação aparente, também estão sendo acusados de tentar forjar um flagrante com uma garrafa de loló que não pertencia ao rapaz. Na mesma hora em que as pessoas ao redor do jovem perceberam essa atitude, imediatamente pediram para que baixassem o som do evento para que inclusive com a organização do Terça Negra pudesse defender o jovem negro frente a atitude racista e arbitrária dos policiais.

Essa atitude absurda e racista dos guardas da GTO em abordar um jovem negro sem motivo algum e com extrema violência como as pessoas que estavam perto do rapaz relataram e a não menos absurda atitude de atirar contra multidão com arma de fogo, escancara o nível de racismo e ódio aos negros dos agentes repressores do estado não só contra o negro mas também contra sua cultura.

A Terça Negra é um evento realizado desde 2001 no Pátio de São Pedro, impulsionado pelo Movimento Negro Unificado (MNU), atualmente recebe apoio da Secretaria de Cultura e desde o começo teve o objetivo de fomentar um espaço da cultura negra com shows e apresentações de coco, maracatu, afoxé, hip hop e reggae. Como um espaço da celebração da cultura negra, a Terça Negra recebe centenas de jovens e trabalhadores que expressam através da dança, da música e da identidade negra o valor político que a cultura negra tem enquanto expressão da memória e história de um povo que foi escravizado e lutou de maneira revolucionária contra todos que tentaram tirar sua liberdade.

É sem dúvida muito importante para o povo negro espaços como esse, onde podemos expressar nosso orgulho racial, com os cabelos black power, tranças, dreads, etc.,exaltando de uma maneira anti-racista todas as coisas maravilhosas que os negros construíram durante a história como a arte e a cultura, aparentemente longe de qualquer forma de racismo e violência. Isso torna ainda mais absurdo atitudes racistas como a repressão da GTO à Terça Negra, justamente em espaços como esse que não só nos foram retirado historicamente com perseguições à cultura negra, mas também foram uma conquista importante através da luta do povo negro e dos trabalhadores. Ainda mais frente ao governo Bolsonaro que legitima atitudes racistas como essa e é um inimigo implacável dos trabalhadores e do povo negro que reivindica sua identidade e sua cultura.

Mas são atitudes racistas como está, realizadas pelo próprio estado que deve servir como um alerta a todos os negros e negras de que em primeiro lugar a defesa da cultura negra é uma bandeira nossa que somos intransigentes em larga-lá de mão, e em segundo lugar que nos marcos do capitalismo qualquer luta anti-racista que não avance para questionar as bases econômicas da sociedade não passa de uma luta parcial que em última instância não livra o negro de casos de racismo e violência como esse da Terça Negra.




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