DOSSIÊ DIA DA MULHER NEGRA, LATINA E CARIBENHA

ROSA PARKS*

* Este artigo foi escrito com a colaboração indispensável de Daniel Alfonso.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

quarta-feira 25 de julho| Edição do dia

“Com os anos aprendi que quando alguém está convencido, isso diminui o medo; saber o que precisa ser feito afasta o medo.”
Rosa Parks

É impossível não associar o nome de Rosa Parks ao movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos no segundo pós-guerra. A firme e resoluta atitude de Rosa Parks naquele 1° de dezembro de 1955 em não ceder seu lugar no ônibus a um cidadão branco é tida como um dos pontos altos da luta pelos direitos civis da população negra nos EUA.

A vida de Rosa Parks, no entanto, é muito mais rica e complexa do que esse momento captura, e sua personalidade, assim como suas posições políticas, extrapola os limites daquele momento. Neste curto artigo nossa intenção é revelar alguns traços gerais de sua vida inteiramente dedicada à luta contra a opressão ao povo negro.

Muito antes de ser presa

Rosa Louise McCauley nasceu em 4 de fevereiro de 1913. Sua mãe, Leona Edwards, se formou pela Payne University, em Selma. Seu pai era carpinteiro e pedreiro. Leona tinha uma personalidade forte e encontrava maneiras de não se submeter ao protocolo social racista da época, o que exigia muita coragem. A dificuldade em encontrar emprego a levava a passar os dias da semana fora de casa. Seu pai percorria o país em busca de emprego e, em sua infância, Rosa Parks o viu somente uma vez.

Foi criada pela mãe, com a ajuda dos avós, que haviam sido escravizados e tampouco abaixavam a cabeça. Vivia em uma casa cheia com sua mãe, seus avós, seu bisavô e seu irmão. Seu avô, Sylvester Edwards, nutria simpatia por Marcus Garvey, ao mesmo tempo em que era um ávido incentivador da autodefesa dos negros. A imagem, a tensão e a energia de ver seu avô passar a noite na varanda de sua casa com um rifle em mãos para se defender de um eventual ataque direto do Klu Klux Klan 66 fizeram parte da formação da jovem Rosa.

Em mais de uma oportunidade, Rosa Parks afirmou que Montgomery, capital do Alabama e para onde se mudou em sua juventude, era o “berço da Confederação”, uma afirmação que condensava tanto o racismo profundo vivido pela população negra e os desafios da luta antirracista, como a firmeza em, mesmo assim, seguir a luta.67

O estado do Alabama era a manifestação pura do racismo. A história da escravidão e da resistência dos negros, um dos temas discutidos na casa dos McCauley, sempre esteve presente na vida de Rosa Parks.

A dificuldade para obter uma educação decente era enorme para todas as crianças negras, além das péssimas instalações, da distância que deveriam percorrer e, muitas vezes, da necessidade de trabalhar para ajudar a família. Em Pine Level, para onde a família de Rosa havia se mudado, não havia escola para negros após o sexto ano. Talvez a maior demonstração do desejo de Leona de sua filha obter a melhor educação possível foi tê-la matriculado em uma escola para meninas negras dirigida por mulheres brancas, a Miss White´s Industrial School For Girls em Montgomery, apesar de seu custo.68

A experiência durou pouco tempo mas teve grande impacto. Foi lá que aprendeu estenografia, a exercer funções de escritório e costurar, ofício que foi tão ressaltado durante e após o boicote aos ônibus em Montgomery, “embora [nas palavras de Rosa] eu não sentisse que queria trabalhar como costureira”. Já em outra escola, a Booker T Washington Junior High School, Rosa teve que abandonar os estudos um ano antes de se formar para cuidar de sua avó doente.

Rosa cuidou de sua família pelos anos seguintes, trabalhando em suas plantações e como empregada doméstica na casa de brancos, onde estava sujeita a todo tipo de assédio.

“O primeiro ativista de verdade que conheci”. É assim que Rosa descreve Raymond Parks, que conheceu em 1931 através de um amigo em comum. Raymond há tempos era membro da sede do NAACP em Montgomery69. Quando conheceu Rosa, estava ajudando no caso dos meninos Scottboro70. Raymond não possuía educação formal, mas era um ávido leitor e autodidata, impressionando a todos com seu conhecimento. Trabalhava como barbeiro – o mesmo ofício que exerceria em Detroit após se mudarem – e sua “cadeira [na barbearia] era muitas vezes um espaço para amplas e diversas discussões políticas” 71. Casaram-se em 18 de dezembro de 1932.
A princípio, era Rosa quem se preocupava com Raymond por sua militância.

Defender os direitos do povo negro em Alabama durante as leis de segregação racial significava colocar sua vida em risco, ainda mais para pessoas tão comprometidas como Raymond – dois de seus colegas foram assassinados nesse período. Rosa entendia isso perfeitamente, e essa consciência era um elemento vital de sua parceria. Foi a foto de uma colega dos tempos da Miss White´s School, a senhora Johnie Carr, que a levou a uma reunião da NAACP. Até então, Rosa achava que a organização era somente para homens. É emblemático que em sua primeira reunião, sendo a única mulher presente (Carr não compareceu), Parks tenha sido designada a função de tomar notas da reunião e servir como secretária da sede.

É na NAACP que Parks conhece E.D. Nixon, com quem terá uma intensa relação política pelos dez anos seguintes. Nixon possuía posições mais militantes do que a direção de então da NAACP, e isso certamente era algo em comum com Rosa Parks.
Um dos primeiros resultados emblemáticos de sua parceria se deu ao vencerem as eleições para direção da sede da NAACP em Montgomery em 194572.

Os mais de dez anos de militância ativa de Rosa Parks antes de ter sido presa foram muito difíceis. O desejo de Parks era que os negros se rebelassem contra a situação que lhes era imposta, e enquanto isso não acontecia, seguia firme na denúncia das mais diversas expressões de racismo na cidade.73

Em meio às dificuldades, Rosa seguia firme em sua luta contra o racismo. Junto com E.D. Nixon, conseguiu aumentar significativamente os membros da NAACP de Montgomery 74 e assumiu responsabilidades cada vez maiores. Rosa foi um dos três membros do comitê executivo da conferência estadual da NAACP em 1947, que elegeu Nixon como líder estadual. “Rosa vai falar com você” se tornou uma frase conhecida entre as comunidades negras da região – Rosa Parks viajava regularmente a outras cidades para dar assistência a casos de racismo.

Rosa vivia em um apartamento popular e trabalhava como costureira em uma loja no centro de Montgomery. Sua mãe adoece em 1949, o que a obriga a deixar a NAACP, voltando em 1952. Neste período, E.D. Nixon perde posições importantes na sede.
Em 1954, assume a seção de juventude da NAACP tendo como um de seus focos a luta contra a segregação escolar, e ao longo.

A FORMAÇÃO DO SÍMBOLO

A decisão favorável à dessegregação das escolas em Brown V. Board of Education fortaleceu o ânimo da luta por direitos civis nos EUA. Essa vitória era entendida, por aqueles como Rosa Parks, como um momento importante, ainda que urgisse garantir a dessegregação e os direitos de fato75. Rosa muito provavelmente estava impaciente com a falta de ação enérgica em torno de casos anteriores de prisão por recusa a ceder lugar em ônibus. Antes de Rosa Parks, Claudette Colvin e Mary Louise Smith haviam sido presas justamente por se recusarem a ceder seus assentos, mas E. D. Nixon não as considerava ideais para uma luta judiciosa ou alguma luta de massas contra a segregação nos ônibus. 76

No final da tarde de 1o de dezembro de 1955, Rosa Parks voltava à sua casa, como o fizera incontáveis vezes antes. Mas não era um dia qualquer. A prisão de Colvin havia chocado toda a cidade e a ela em especial. Colvin era uma jovem estudante que não somente se recusou a levantar como se enfrentou fisicamente com o motorista e os policiais77. Brown v. Board of Education, Colvin, Smith, a constante opressão e os anos de militância davam a Rosa Parks a imagem de mudança no ar:
Era uma sensação estranha porque… até mesmo antes da minha prisão, eu saía de casa sentindo que qualquer coisa poderia acontecer a qualquer momento.78

A mulher que se recusou a abrir mão de seu assento não era somente uma costureira cansada após um intenso dia de trabalho, como diversas narrativas a apresentam. Era uma militante pelos direitos da população negra com mais de dez anos de experiência, bastante responsabilidade em sua cidade e conhecida na região. Era alguém que ambicionava uma NAACP militante, ativa. Parks tivera problemas com o motorista do ônibus, James Blake, doze anos antes daquela ocasião e desde então jamais subiu aos ônibus que ele dirigia. Ser obrigada a vivenciar situações de segregação era algo que Parks evitava ao máximo. Não tomava água de bebedouros específicos para negros, tampouco ia a banheiros públicos segregados. Assim como milhares de negros de Montgomery, evitava ao máximo andar de ônibus.

As leis de segregação racial nos EUA variavam de estado para estado, e muitas vezes de cidade a cidade. Em Montgomery, graças ao boicote de ônibus em 1900 contrário à implementação da segregação, os negros não eram obrigados a ceder seus assentos se não houvesse assentos livres – Parks não havia sentado na seção separada aos brancos do ônibus, mas no meio, e não havia mais assentos livres. Entretanto, os motoristas, todos brancos na época em Montgomery, carregavam armas como parte do uniforme e tinham, de acordo com as leis da cidade, “poderes de polícia”. Havia mais três passageiros negros perto de Rosa. Ao contrário dos demais, Rosa não cedeu. Agir em desacordo com a segregação racial significava um risco real à vida dos negros. Rosa Parks sabia perfeitamente dos riscos que corria ao tomar essa decisão – “Eu nem sabia se sairia viva daquele ônibus”79. Sendo ativista da NAACP, Parks entendia o significado de não resistir à ordem de prisão.

A prisão de Rosa Parks deu início ao boicote aos ônibus por parte da população negra de Montgomery (em 1951, 37% da população da cidade era negra). Quando Jo Ann Robinson, da Universidade Estadual do Alabama e dirigente do WWP, soube de sua prisão, organizou estudantes, e usou o mimeógrafo da universidade para imprimir panfletos chamando o boicote. 80
Para Nixon, por sua vez, a prisão de Rosa, embora inesperada, era o que estava procurando. De acordo com fteoharis,
Nixon enxergou em Parks o tipo de caso que estavam [NAACP] pro- curando – meia-idade, religiosa, bom caráter, conhecida e respeitada na comunidade por seu trabalho político e corajosa.81

Logo após a decisão de realizar o boicote foi criado o MIA (Montgomery Improvement Association). O desconhecido jovem pastor de 26 anos que havia regressado a Alabama em 1954, Martin Luther King Jr., foi eleito seu presidente. O impacto nacional do boicote o transformou em figura nacional e internacional. Por 381 dias a população negra da cidade boicotou os ônibus, até que a decisão da Suprema Corte considerando a segregação em ônibus ilegal fosse posta em prática. Foi um feito extraordinário, que marcou um novo momento da luta pelos direitos civis.82

A resistência racista do Klu Klux Klan e a repressão policial foram enormes, das quais as casas bombardeadas de Martin Luther King e E.D. Nixon são somente dois exemplos. Rosa Parks, sob constantes ameaças de morte e tendo de lidar com o estado emocional fragilizado de Raymond, atuava intensamente no MIA e na NAACP e manteve-se resoluta mesmo após ser demitida da loja onde trabalhava.

Parks viajou pelo país em 1956 divulgando a luta em Montgomery, arrecadando fundos e ajudando a nacionalizar o conflito.83 Apesar de sua figura ser cada vez mais conhecida, à 83 uma dessas viagens teve como destino a Local 600, sede de Detroit da United Auto Workers, importante sindicato do setor de transportes, que era conhecida por sua militância. Os trabalhadores garantiram a ida de Parks mesmo à revelia da direção nacional da UAW. Nas palavras de fteoharis “recebida calorosamente por ativistas de esquerda do sindicato Local 600 e do National Negro Labour Council, Parks relacionou explicitamente as medida que a luta ganhava corpo nacional era a costureira cansada, figura que E.D. Nixon tanto procurava para lançar um protesto massivo, a que se sobrepunha à Rosa Parks líder e organizadora da luta pelos direitos civis.

Segundo fteoharis, Parks possuía um passado mais extenso e progressista que muito dos líderes do boicote; muitas pessoas provavelmente não sabiam que ela havia estado em Highlander, e algumas teriam ficado desconfortáveis com suas relações com organizações da esquerda. Rosa Parks provou ser uma pessoa ideal em torno da qual o boicote poderia se organizar, mas isso demandou propagandear uma imagem estratégica sua. Ao descrever Parks como um “não fator de distúrbio”, Dr. King observou seu caráter ímpar na primeira reunião de massas em Montgomery, referindo-se ao “ilimitado alcance de sua bondade”.84

Os anos que se seguiram à vitória em Montgomery foram árduos para Parks. Apesar de todo o seu trabalho político em defesa da população negra e sua figura nacional conhecida, não lhe era oferecido nenhum emprego em organizações de direitos civis em Alabama. Sem conseguir emprego na cidade, foi obrigada a se mudar para Detroit, onde seu irmão Sylvester vivia. Embora Rosa Parks esteja profundamente associada ao sul dos Estados Unidos, viveu mais de quarenta anos nessa cidade do norte dos EUA. Foram anos de extrema dificuldade financeira: Rosa trabalhava dez horas por dia costurando aventais na Stockton Sewing Company.

A luta contra o racismo em Detroit tomava diversas formas, e Parks continuou a dedicar suas energias à luta contra as injustiças ao povo negro, dando especial atenção ao problema da moradia e estabelecendo relações com diversas organizações. Não se associou à sede da NAACP em Detroit, muito provavelmente pelo conhecido conservadorismo político desta. Em 1963, dois meses antes da Marcha a Washington85, foi organizada a Detroit´s March to Freedom, da qual participou com Martin Luther King.

No ano seguinte, Parks fez parte, como voluntária, da campanha a deputado de John Conyers Jr, que tinha como mote “empregos, justiça e paz”. Conyers Jr. havia servido o exército na Guerra da Coreia e era crítico à Guerra do Vietnã. Parks convenceu Martin Luther King a abandonar sua posição de não se envolver com candidatos e apoiar Conyers Jr. Foi o único candidato que apoiou, sendo decisivo para a sua vitória. Em seguida, Conyers Jr. contratou Rosa para trabalhar em sua sede em Detroit, o que significou também considerável alívio econômico.

Em julho de 1967, Detroit passou por cinco dias de rebelião popular e negra. A insatisfação e rebeldia contra o racismo em Detroit, assim como em outras cidades antes, mostravam a todos que o norte tinha semelhanças profundas com o sul. Ao contrário da maior parte dos políticos da cidade, que se diziam surpresos com a revolta, e também de setores mais comedidos da liderança do movimento pelos direitos civis, Parks tinha uma análise de classe do que estava por trás dos dis- túrbios. “Se você olhasse por baixo da superfície, podíamos ver... a privação. Eu acho que por quaisquer razões que tivessem acontecido, eu percebi que alguma coisa tinha que estar errada com o sistema”.86

O símbolo que tomou conta da figura de Parks, tributário de uma imagem de redenção nacional dos EUA com a segregação racial, ancorado também em uma suposta potência de um gesto heroico individual e isolado, encobriu as diversas facetas da vida pessoal e política de Rosa Parks. Ao mesmo tempo, a figura de Rosa Parks é constantemente reivindicada por democratas e republicanos que defendem os interesses imperialistas dos Estados Unidos ao redor do mundo.

Líder e organizadora do movimento pelos direitos civis nos EUA, tinha uma sensibilidade aos alentos dos trabalhadores incomum nos círculos da NAACP. Honrar sua memória exige também uma avaliação crítica de suas ações, das quais o apoio a John Conyers Jr., que se tornou uma das principais figuras negras do Partido Democrata, se destaca. Afinal, a política do Partido Democrata foi e é uma barreira para o combate ao racismo.

A luta de Rosa Parks, assim como de boa parte do movimento pelos direitos civis nos EUA, não logrou colocar a luta contra a opressão racial sofrida pelo povo negro como parte do enfrentamento ao sistema capitalista. Afinal, como disse Malcolm X, a quem Rosa Parks admirava muito: “Não há capitalismo sem racismo”.

Entrar em contato com a vida de Rosa Parks nos inspira a resgatar o papel protagonista que as mulheres negras tiveram na luta pelos direitos civis. E não poderia ser diferente. As mulheres, que tanto sofrem com o machismo, são linha de frente dos processos da luta de classes. Um dos grandes nomes da luta contra o racismo, Rosa Parks dedicou sua vida à luta contra toda forma de opressão. Seu objetivo era “acabar com todas as formas de opressão contra todos os fracos e oprimidos”87. Esta é a Rosa Parks na qual devemos nos espelhar.


66 De acordo com fteharis “Ela ficava acordada com ele [seu avô] algumas noites, fazendo vigília com ele. ‘Eu queria vê-lo matar um Klu Klux Klan’, ela explicou. Às vezes eles dormiam com suas roupas com medo de serem atacados enquanto dormiam”. Apud THEOHARIS, 2013. (N. do E.: tradução nossa)

67 Os Estados Confederados da América eram formados por Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Georgia, Lousiana e Mississipi. Também conhecidos por Confederação, foi assim proclamada em 4 de fevereiro de 1861, após a vitória presidencial de Abraham Lincoln, ação que deu origem à guerra civil (1861-1865). A escravidão esteve no centro da luta entre o exército da União e a Confederação, e a heroica ação do povo negro obrigou Lincoln a decretar o fim da escravidão nos estados da União e a permitir o recrutamento de negros no exército, sem o qual a União não teria sido vitoriosa.

68 A escola tinha Booker T. Washington como inspiração filosófica e pedagógica. Após o primeiro semestre, Rosa conseguiu uma bolsa; varria, tirava pó e limpava as salas após as aulas.

69 A National Association for the Advancement of Colored People (Associção Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor) é uma organização em prol dos direitos da população negra. Fundada em 1909, tinha como um de seus focos a luta jurídica contra a segregação.

70 Nove meninos negros acusados de estuprar duas meninas brancas em um trem. As meninas estavam com eles e lançaram a acusação após terem sido vistas em companhia de negros. A sentença para negros que estupravam brancas era a pena de morte. Diversas organizações, assim como o Partido Comunista, buscaram reverter a decisão e o caso ganhou grande destaque.

71 THEOHARIS, op. cit., p. 13.

72 Muitos oponentes menosprezavam E.D. Nixon por sua falta de educação formal, mas para Rosa isso não importava. Com elegância e firmeza, expressa sua opinião sobre o tema “Nas coisas que importam… ele era realmente sofisticado.” In. THEOHARIS, op. cit., p. 20.
73 Antes das eleições de 1945 da NAAC, Arthur Madison, adgovado do Harlem que havia crescido no Alabama, foi preso por participar das ações do Montgomery Voter´s League, organizadas por Nixon. Parks se frustrou com a maneira que a NAACP lidou com o caso, o que muito provavelmente influenciou sua decisão de apoiar ativamente E. D Nixon.
74 De acordo com fteoharis, “O número de filiados à sede dobrou nos dois primeiros anos de Nixon como presidente, de 861 a 1.600” In. THEOHARIS, op. cit., p. 25.de sua vida a preocupação com a juventude negra sempre esteve presente, assim como a esperança de serem o futuro. Nixon e Rosa Parks dirigiam a NAACP com os olhos voltados para a população trabalhadora, algo incomum entre as seções locais da NAACP.
75 Em Brown v. Board of Education, a Suprema Corte dos EUA declarou inconstitucionais as leis estaduais que garantiam a segregação nas escolas. Foi um caso emblemático na luta por direitos civis da população negra.
76 Colvin e Smith eram muito jovens e pobres, o que dificultaria angariar simpatia popular pelo caso. Colvin estava grávida, e embora Nixon tenha tido acesso a essa informação depois de se recusar a realizar alguma ação maior, usou esse argumento posteriormente para justificar sua decisão.
77 “A prisão de Colvin teve um profundo impacto na comunidade negra de Montgomery. ‘Eu não quero diminuir em nada a senhora Parks’, observou o advogado Fred Gray, ‘mas Claudette deu a todos nós a coragem moral para fazer o que fizemos’.” THEOHARIS, op. cit., p. 54.

78 THEOHARIS, op. cit., p. 60.
79 Ibidem, p 64.
80 WWP – Women´s Political Council, organização de mulheres fundada em Montgomery na segunda metade dos anos 1940, que deixou de existir após o boicote de ônibus na cidade.
81 THEOHARIS, op. cit., p. 72.
82 De acordo com Adam Fairclough: “Se Brown foi a virada legal na luta por igualdade negra, o boicote aos ônibus em Montgomery foi a virada psicológica”. FAIRCLOUGH, 2008, p. 234
83 83 Uma dessas viagens teve como destino a Local 600, sede de Detroit da United Auto Workers, importante sindicato do setor de transportes, que era conhecida por sua militância. Os trabalhadores garantiram a ida de Parks mesmo à revelia da direção nacional da UAW. Nas palavras de fteoharis “recebida calorosamente por ativistas de esquerda do sindicato Local 600 e do National Negro Labour Council, Parks relacionou explicitamente as lutas do norte e do sul contra a injustiça racial neste discurso e em outros eventos da cidade”. THEOHARIS, 2012, P. 24.
84 THEOHARIS, op. cit.
85 Parks participou e foi anunciada, porém a ausência das ativistas mulheres no primeiro plano da Marcha a Washington revela o machismo presente no movimento pelos direitos civis.
86 THEOHARIS, 2012, p.26.
87 THEOHARIS, 2013, p. 70.




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