RJ: em meio à pandemia, aumentam 62 vezes as mortes por "causas indeterminadas"

terça-feira 28 de abril| Edição do dia

Se nas fake news circulam cotidianamente a falácia das "super notificações", através do novo portal da transparência criado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen - Brasil), escancara-se os dados que expressam que, o nível de subnotificação, o número de mortes registradas como "causas indeterminadas" que na verdade tiverem significativo crescimento de óbitos em casa, ou seja, de pessoas que sequer tiveram atendimento médico, sobretudo no Rio de Janeiro, aumentou 62 vezes.

Para o levantamento, foram considerados os dados desde 26 de fevereiro - data em que o país registrou o primeiro caso da Covid-19 - até dez dias atrás, já que os cartórios têm esse prazo para comunicar as mortes à Central de Informações do Registro Civil. Neste período abarcado, 310 pessoas tiveram óbitos registrados como causas indeterminadas em cartórios fluminenses. No mesmo intervalo do ano passado, foram apenas cinco pessoas. Em aumento porcentual, isso significa 6.100%, bem maior que os 43% da média nacional.

O Rio de Janeiro que já tem mais de 300 infectados pela Covid-19 e estão na fila para conseguir leitos na UTI, também já expressa o aumento de mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que num disparo de 130 casos, contra seis no mesmo período do ano anterior, aumentou 21 vezes.

De acordo com o último balanço do governo estadual, o Rio tem 677 mortes confirmadas por Covid-19, além de 276 sob investigação. Trazendo luz aos dados desse cenário só se reforça que o número de infectados e mortos é ainda muito maior do que os registros informam, escancarando o absurdo que é a ausência de testes massivos, uma das medidas emergenciais mais central, se mostrando como chave no tamanho do efeito que pode ter no planejamento e contenção da pandemia e, consequentemente, em salvar vidas e a saúde de milhões.

Contudo, não é essa a saída que o governo expressa. No Rio, que há anos a saúde pública sofre com um desmonte, Witzel que não construiu leitos de forma a impedir o colapso das UTIs, não aumentou o número de respiradores do estado de forma qualitativa e não financia um centavo a mais para os institutos de pesquisa, como pretende acabar com eles de vez, dá como única saída, as privatizações.

É escandaloso que a vida dos trabalhadores e da população pobre seja sacrificada em nome dos lucros, quando é o lucro que deveria morrer em nome da vida. Por isso defendemos investimento maciço nas universidades públicas, na produção de testes em massa para população, além de leitos e respiradores, reconvertendo toda a produção privada no estado para o combate a pandemia. É necessário a estatização dos hospitais privados para que todos os leitos disponíveis possam ser utilizados, financiando os hospitais públicos com o lucro bilionário dos barões da saúde.




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