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Quilombo Vermelho: Abaixo a intervenção federal no Rio de Janeiro!

quinta-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

No último dia 16 de fevereiro o governo Temer decretou intervenção federal no Rio de Janeiro. Trata-se de uma medida inédita desde a Constituição de 88, que tem como objetivo aumentar a repressão sobre os trabalhadores, o povo negro e pobre do Rio de Janeiro, sob a “justificativa” de maior segurança. Ao mesmo tempo, é uma medida de Temer para retomar iniciativa política frente à sua incapacidade de conseguir os votos necessários para aprovar a Reforma da Previdência, parte fundamental de seu programa golpista. O general-interventor ficará acima da lei, dirigindo a intervenção federal que busca disciplinar pela força a insatisfação dos trabalhadores, do povo negro, dos pobres para continuar a retirada de direitos.

O carnaval escancarou a insatisfação popular com os ataques do governo, em especial com a reforma trabalhista. A Tuiuti, em especial emocionou o país com a força do grito contra a escravidão, relembrando os lutadores e os guerreiros da liberdade. O “vampiro neoliberalista”, que busca legalizar o trabalho escravo no país, que aprovou a reforma trabalhista – um ataque enorme à população, em especial ao povo negro, que já se encontra nos piores empregos e com os salários mais baixos – em um momento de crise de seu governo voltou, literalmente, as armas para o povo negro. A intervenção federal está significando mais repressão ao povo negro, aos trabalhadores, à juventude. Enquanto os verdadeiros responsáveis pela insegurança estão em Brasília ou em mansões com todos seus privilégios, crianças negras são revistadas pelo exército. Apesar de ter sido posta de lado por ora, Temer ainda se esforça para garantir a “mandado coletivo de busca e apreensão”, que significará uma escalada jurídica no ataque aos direitos civis da população, em especial ao povo negro e pobre que vive nas favelas.

Os próprios jornais burgueses são obrigados a questionar o argumento da “segurança” uma vez que, embora a violência urbana afete diariamente a vida de milhões de pessoas no estado do Rio de Janeiro, os índices são menores do que Alagoas ou Pernambuco. A própria cidade do Rio de Janeiro não faz parte das 20 mais perigosas do mundo. A responsabilidade pela violência é o próprio Estado e seus representantes burgueses. Afinal, não há investimento em educação, em saúde, moradia digna – boa parte da riqueza produzida no país vai para o pagamento da dívida pública, diretamente para o cofre dos bancos. O salário, segundo o IBGE, deveria ser de $3.585,05, mas hoje é de $954. Como garantir uma vida digna assim? Para “resolver” a violência, mais violência do Estado. Essa é a receita do governo Temer. As miras dos fuzis do exército marcam os passos do povo negro nas ruas. O governo e o judiciário buscam retirar sistematicamente direitos democráticos elementares da população. Desde o Quilombo Vermelho, gritamos: Abaixo a intervenção federal no RJ!

As centrais sindicais se esforçaram para abafar o rechaço popular à Reforma da Previdência, e mesmo assim o governo não conseguiu aprovar essa medida. A intervenção federal busca reprimir o povo negro porque o governo sabe que quando o povo negro, junto à classe trabalhadora, se coloca em movimento, carrega consigo uma enorme força de mudança. As negras e negros deste país estão convocados a continuar e fortalecer a luta pela anulação da reforma trabalhista, pelo direito do povo decidir em quem votar e, claro, pela retirada das tropas do Rio de Janeiro!

fonte foto: https://istoe.com.br/governo-federal-decide-fazer-intervencao-na-seguranca-do-rio-de-janeiro/




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