Sociedade

RESERVA INDÍGENA

Querendo acabar com demarcações indígenas, Bolsonaro ameaça rever Reserva Raposa do Sol

A reserva indígena Raposa Serra do Sol deverá ser revista por Jair Bolsonaro (PSL) assim que ele assumir a Presidência da República. Nesta segunda-feira, 17, ele confirmou informação veiculada pelo jornal Valor Econômico de que sua equipe está analisando a situação no Estado de Roraima.

segunda-feira 17 de dezembro de 2018| Edição do dia

A reserva indígena Raposa Serra do Sol deverá ser revista por Jair Bolsonaro (PSL) assim que ele assumir a Presidência da República. Nesta segunda-feira, 17, ele confirmou informação veiculada pelo jornal Valor Econômico de que sua equipe está analisando a situação no Estado de Roraima.

"É a área mais rica do mundo. Você tem como explorar de forma racional, e no lado dos índios dando royalties e integrando o índio à sociedade", disse Bolsonaro, sem dar detalhes.

Em abril de 2005, depois de 26 anos de luta pelo reconhecimento da terra indígena, foi homologada a reserva Raposa Serra do Sol que passa a ser propriedade dos índios. Isso marcou a história dos 15 mil índios das tribos macuxi, wapichana, ingarikó e taurepang, localizadas em Roraima. A reserva cobre uma grande área do nordeste do estado, e com 1,7 milhão de hectares, é uma das maiores terras indígenas do país.

Diversos conflitos permeiam a região como, em junho de 2007, quando o Supremo determinou a desocupação da Raposa Serra do Sol por parte dos não índios. Houve uma batalha jurídica entre o estado de Roraima, a União e produtores de arroz que chegaram no local por volta da década de 70. Eles queriam que a demarcação fosse revista em áreas cultivadas, porém em 2009, o Supremo Tribunal Federal manteve a reserva contínua, como Lula havia definido ao homologar a área, e ordenou a saída imediata de arrozeiros.

Durante a campanha, ou mesmo no período em que era ainda pré-candidato à Presidência, Jair Bolsonaro afirmou mais de uma vez que, caso chegasse ao Planalto, não haveria mais demarcação de terras a indígenas..

Esse interesse nas terras da região se baseia na ânsia da exploração dos recursos, os defensores da revisão se justificam usando dados que mostram que área da Raposa é considerado um tesouro em recursos hídricos e minerais que atraem o garimpo clandestino. promessa messiânica do nióbio como mineral capaz de enriquecer o país.

A existência de jazidas de nióbio, metal que foi usado em sua campanha para promover uma utópica visão econômica do país que seria alimentada pelo mineral, expõe ainda mais a agenda de ataques aos direitos dos indígenas para alimentar a mineração e degradação da amazônia. Também o território possui uma grande reserva de urânio além de ouro, estanho, diamante, ametista, cobre, molibdênio, titânio, calcário entre outros.

"Temos que reverter o paradigma da resistência ambiental que serve de fachada aos interesses internacionais por nossas riquezas que aqui se fazem representar pelas Organizações Não Governamentais (Ongs)", justifica um integrante do grupo de transição ouvido pelo jornal "Valor Econômico" extraído pelo O Globo.

Uma medida racista e reacionária que quer atacar os direitos dos povos indígenas a serviço de mineradoras. Que esconde seu real programa econômico neoliberal através de promessas messiânicas de que a exploração dessas terras, sob as mãos de empresas que visam apenas o lucro, vá atender alguma demanda do povo.




Tópicos relacionados

Governo Bolsonaro   /    demarcação de terras   /    resistência indígena   /    Jair Bolsonaro   /    Sociedade   /    Povos indígenas

Comentários

Comentar