Mundo Operário

URBTOPO E VALLOUREC

"Queremos tudo que nos devem, começando pelos que mais precisam"

Segue a luta dos trabalhadores da UrbTopo, contra o calote da empresa e também da Vallourec e pelos seus direitos.

quarta-feira 14 de setembro| Edição do dia

Hoje pela manhã os trabalhadores terceirizados da empresa Urb Topo, que cuidavam da manutenção do patrimônio dentro da Vallourec, fizeram nova manifestação em protesto por estarem há mais de um mês sem receber o salário e os direitos referentes à rescisão do contrato pela empresa. A empresa Urb Topo, contratada pela Vallourec, declarou falência e ainda não pagou o que devia aos 94 trabalhadores contratados, como já denunciamos aqui e aqui, em entrevista a um dos trabalhadores.

A manifestação dessa manhã reuniu cerca de 100 trabalhadores da UrbTopo e apoiadores da luta, que fecharam o trânsito em frente a portaria IV da Vallourec e depois seguiu em ato pelas ruas do Barreiro, importante bairro de Belo Horizonte. A Polícia Militar chegou a ameaçar reprimir a manifestação, como pode ser visto no vídeo abaixo:

A luta vem ganhando apoio de diversos setores de trabalhadores, professore e estudantes, que estão organizando um fundo para ajudar os trabalhadores sem salário, que começou já com a arrecadação de R$150 vindo de trabalhadores da própria Vallourec, que vem demonstrando solidariedade à luta dos terceirizados e também estão denunciando a situação precária de trabalho a qual estão submetidos dentro da fábrica. As demissões e esses ataques aos trabalhadores são parte da saída à crise proposta pelo governo golpista de Temer, que para manter os lucros dos empresários, aprovam um conjunto de ajustes e retirada de direitos dos trabalhadores.

Ao longo da manifestação os trabalhadores receberam a notícia de uma conquista parcial: foi liberado o saque de parte do FGTS e o seguro-desemprego foi encaminhado, direitos fundamentais que sequer foram garantidos. Porém é uma pequena conquista que ainda não é para todos, pois a empresa não depositava o FGTS há 19 meses e alguns trabalhadores estão podendo retirar quantias ínfimas, de até R$300, o referente a cerca de apenas 2 meses. Outros trabalhadores não vão receber nada. Essa é uma clara tentativa da empresa de dividir os trabalhadores para gerar uma desmobilização.

Após o anúncio dessa conquista, Márcio, um dos trabalhadores da UrbTopo, chamou os trabalhadores para uma conversa onde disse que “devemos ficar atentos e seguir fortes na luta, porque nossa luta são pelos que vão receber menos, pois a empresa está tentando nos dividir, pagando o FGTS para alguns e muito pouco para outros. Temos que pensar como um corpo só, onde os que estão recebendo hoje o FGTS estarão aqui na luta novamente amanhã, para que os que estão recebendo menos possam continuar na luta e que suas famílias não passem por mais dificuldades por eles estarem lutando. Que essa luta se transforme numa luta por todos os que vão receber menos. Queremos tudo que nos devem, começando pelos que mais precisam”.

Flavia Valle, professora da rede estadual e candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em Contagem, que está apoiando essa luta desde o primeiro dia, declarou ao Esquerda Diário: “Nessa luta podemos aprender muito. Assim como vemos que esses trabalhadores construíram essa grande empresa literalmente com suas vidas e agora são deixados no olho da rua sem sequer seus direitos mínimos para a sobrevivência de suas famílias, o mesmo acontece com muitos trabalhadores e o povo pobre devido a esse sistema que coloca o lucro e a ganância acima dos interesses e necessidades dos que mais precisam e faz com que os trabalhadores paguem pela crise criada pelos capitalistas. Seguiremos apoiando essa luta, lado a lado dos trabalhadores, sem dar sossego à UrbTopo e à Vallourec, até que os salários e direitos sejam garantidos.”.




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