Política

CRISE ECONÔMICA E POLÍTICA

Querem uma ’governabilidade’ para descarregar a crise nas costas dos trabalhadores

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

Pablito Santos

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo, do Sintusp

terça-feira 6 de outubro de 2015| Edição do dia

A situação política no Brasil está marcada pelos escândalos de corrupção da Lava Jato e a crise do governo, mas nas últimas semanas se avançaram em pactos e acordos pela governabilidade. Isso leva a uma estabilidade, mas ainda muito relativa, já que mesmo cedendo parte do governo ao PMDB, e mesmo que os escândalos de corrupção atinjam ainda mais setores da oposição, a governabilidade que se busca é também um acordo entre todos na necessidade de implementar os ajustes contra os trabalhadores e o povo pobre.

O fato é que, com governabilidade ou não, a crise econômica começa a expressar com mais força como ela será descarregada sobre nossas costas. A inflação aumenta, as demissões também. Os cortes de orçamento começam a ter efeitos catastróficos sobre a vida da população, como é o caso da suposta “reorganização” das escolas, que significa na prática o fechamento de centenas de escolas em todo o país. Essa é a chamada “pátria educadora”.

Todos estes ataques não são apenas fruto dos “privatistas” e “neoliberais” do PSDB ou da “direita”. Estão sendo implementados com grande centralidade pelo governo de Dilma, do PT e com Lula por trás. Para tanto, as centrais sindicais como CUT e outras estão servindo de braço direito pra conter a luta dos trabalhadores. A CUT, por exemplo, traiu a greve de correios e a dividiu com a de bancários, tudo pra defender o governo.

Unificar nas lutas contra o ajuste, não em acordos por cima

O maior crime que qualquer setor da esquerda pode cometer neste momento é construir qualquer tipo de unidade com a burocracia sindical que não seja para ações concretas contra os ataques. Caso contrário, será uma cobertura pela esquerda em “frentes permanentes” com estas direções que estão bloqueando as lutas contra os ajustes. O MTST, e também o PSOL, estão neste momento não se unificando em uma ação de luta concreta mas estão juntos com CUT, CTB, UNE, entre outros, na chamada “Frente Povo Sem Medo” que serve apenas pra conter os setores da esquerda e impedir o surgimento de uma alternativa de combate que faça diferença na luta de classes enfrentando o governo pra derrotar os ajustes.

É preciso rechaçar esta linha política de unidade com os setores do governo, e colocar de pé uma coordenação efetiva da esquerda e dos setores anti-governistas para a luta de classes, não deixando mais nenhuma luta isolada e trabalhando sob a base das grandes centrais. As iniciativas que tem tido o PSTU, e entidades como a CSP-Conlutas e o Espaço Unidade de Ação apontam num sentido correto, porém ainda são insuficientes. A esquerda não pode ser testemunha dos próximos embates da luta de classes. Encontros, atos, marchas e várias iniciativas podem ser parte do fortalecimento de uma coordenação efetiva para apoiar, unir e coordenar as greves e lutas em curso. Tudo isso sem se jogar com força na luta de classes não será capaz de levar a uma greve geral. Comecemos imediatamente a colocar todo o peso material, de militância, entidades, jornais, cartazes e todos os esforços pra fazer importantes greves se tornarem não somente vitoriosas, mas servirem de ponto de apoio pra generalizar e mostrar como é possível derrotar os ajustes na luta de classes.

Por uma esquerda para enfrentar os ajustes na luta de classes

Acreditamos que a esquerda antigovernista brasileira ainda é muito marcada por uma tradição de “agenda” e “rotina” que pouco envolve trabalhadores de base e sempre coloca mil impeditivos para dar giros fortes para a luta de classes. Isso se expressou com muita força na recente greve de Correios, uma importante luta que impediu um ataque importante na categoria, mas que poderia ter avançado ainda mais se tivesse tido solidariedade ativa de toda a esquerda como nós do MRT e do Esquerda Diário fizemos.

Nós, como parte da CSP-Conlutas, consideramos que não é preciso um campo dos trabalhadores “em geral” que não responda aos processos de luta de classes num momento em que os ataques se aceleram. Precisamos de uma esquerda verdadeiramente combativa que possa mostrar um caminho alternativo para os trabalhadores e a juventude. Passemos do discurso às ações e unifiquemos já todos os sindicatos e oposições onde está a esquerda, as organizações de juventude, em cada cidade e estado para apoiar as lutas em curso ativamente.

É com esta perspectiva que nós do MRT atuaremos em todas as lutas que estivermos envolvidos, como as greves que começam essa semana e as lutas contra o fechamento das escolas, e conclamamos os leitores do Esquerda Diário a construírem nas lutas esta alternativa, exigindo não ao corte de 26bi no orçamento e ao mesmo tempo o não pagamento da dívida pública e impostos progressivos sobre as grandes fortunas. Não podemos aceitar que a crise seja descarregada sob nossas costas.




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